segunda-feira, abril 28, 2003

A rapariga indizível
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O teu coração é uma pedra que trago eu no meu sapato
é uma ferida que se lamenta quando os bébés choram
o grito parece surdo mas vibra-te a alma como um altifalante
O teu sorriso é uma janela que dá sempre para o mar
é uma laranja do pôr-do-sol que eu posso comer às escuras
o beijo parece simples na equação complexa dos nossos corpos
A noite cai quase sempre quando nos levantamos por fim
é um hábito que ganhamos quando se foi a rotina dos dias
o dia parece começar no fim de qualquer coisa que não nos pertence
Há todas as músicas a tocar em unissono numa só noite infinita
é uma rua que se prolonga no cruzamento das nossas vidas
és a irrealidade dos espaços e só és humana quando sorris
A rapariga indizível caminha amontoada na multidão
o dia, um dia qualquer, em parei para não a acompanhar

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