domingo, maio 18, 2003

A basófia filosófica francesa

O JPP comenta e questiona num dos seus posts, "Uma das coisas que me faz ainda gostar mais do cinema americano e abominar a "excepção cultural" dos franceses é a capacidade que tem de manter o cinema como espectáculo e de tratar histórias complexas sem perder a complexidade. Porque imaginem o que a basófia filosófica dos franceses faria a histórias, como a do Blade Runner , do Matrix , ou do Minority Report , ou do Crash , ou as dos filmes de David Lynch transformando-as em filmes de tese, impossíveis de ver com prazer e perplexidade.". Ora bem, a história do cinema francês não pára nos Goddard, nem nos Truffaut, nem nos Rivette e há toda uma geração que cresceu sem o espectro dos Cahiers du Cinema e da Nouvelle Vague. Da geração de 80, apareceram realizadores onde a maneira simples de contar uma história simples, tem pouco de basófia filosófica, apesar de um certo lirismo. Do Jean-Jacques Beineix, podemos e devemos ver o "Diva e os Gangster (1982)" e "Betty Blue, 37 Graus 2 Horas da Manhã (1986)"; do Besson, e já voltamos a este, o maravilhoso "Deep Blue, O abismo Azul (1988)"; e o subtil e enleante "La Lectrice, A Leitora (1988)" de Michel Deville. Ainda da geração dos Cahiers, o Bertrand Tavernier assina em 1986 o fantástico e cruel "La Passion Beatrice" e que, infelizmente nunca passou nas televisões portuguesas. Revertendo a pergunta do que faria a basófia filosófica francesa a filmes como "Blade Runner", "Matrix" ou o "Minority Report", pergunto eu o que de bom trouxe o engenho das artes do espectáculo americano a filmes como "A Assassina", "Três homens e um berço" e a adaptação do "Vanilla Sky" do espanhol "Abre los Ojos", para além de uma mais ampla exposição? Em contrapartida, e voltando então ao Besson, o "tratamento de histórias complexas sem perder a complexidade" que dirá de um empolgante, tecnológico, lírico e obviamente complexo "O Quinto Elemento"? E o "Léon, o Profissional"? Há nitidamente uma aversão cultural à filmografia francesa que normalmente advém de um desconhecimento da amplitude da mesma, estou certo que não será essa a posição de JPP, será por causa de uma certa posição política numa determinada guerra? E já agora, e que tal o "Le Dinêr de Cons, Jantar de Palermas (1998) de Francis Veber"? Eu cá levava o nosso autêntico Zézé Camarinhas, e o JPP brindaria-nos com um Chirac?

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