quarta-feira, maio 26, 2004

My last two weeks

When I returned
You buried my last two weeks
My last two weeks
Of my new times
So it didn't seem like
A wasted mouthful
Because of a trip
That was trapped inside you


Peter Murphy "My last two weeks"

quarta-feira, maio 12, 2004

A boa gente

O primeiro grande erro do sistema democrático é achar que toda a gente é boa pessoa até prova em contrário. Num sistema informático, a prevenção da hipotese do erro é que o torna robusto e seguro. Como construir um sistema político que leve em conta que o homem, primeiro de tudo, é um animal com instintos primários e pouco cognitivos?

segunda-feira, maio 10, 2004

de novo, o tempo

Já está, já não volta atrás. Estou triste porque o tempo não adormece nos relógios.

sábado, maio 08, 2004

Conversas a mais de 0dB

"A subtileza é das caracteristicas que mais aprecio, infelizmente caiu em desuso e ninguem a entende"

quinta-feira, maio 06, 2004

Doce Novembro

A RTP ontem passou o filme Doce Novembro. Sem ser um mau filme não é propriamente um filme que valha a pena muitas mais linhas. Mas, ouvir a Charlize Theron durante 2 horas a chamar pelo nome de Nelson é algo que me deliciou a noite.

terça-feira, maio 04, 2004

A Justiça

A Justiça anda piedosa. Na verdade, só gosto daquela Justiça de espada numa das mãos, com a venda nos olhos e a balança equilibrada na outra. A Justiça quando é difusa, é como se colocasse a venda que tem nos olhos sobre o nosso olhar. E dessa cegueira, eu não gosto.

sábado, maio 01, 2004

A árvore que não dá frutos

O destino é como as rosas e, por vezes, murcha lentamente. O sol que nasce todos os dias já cá não está entre as folhagens. A árvore perdura mas não dá frutos, continua com o nosso nome gravado na sua casca. É uma escrita de seiva a que lhe fizemos, é a ferida da árvore que não dá frutos. O meu coração bate ao vento que debanda em retirada com as aves. O livro azul lá está enterrado debaixo da árvore sem frutos, a rir-se entre as folhagens, debaixo da terra no húmido do tempo. A aranha passeia sobre o teu diário, enterrado como está o nosso amor, debaixo da árvore que só tem folhas a guardar as páginas que nunca irei ler.

sexta-feira, abril 30, 2004

Novo Look

Depois de algum estudo sobre Html e CSS apresentamos um novo visual. Esperamos que gostem.

quarta-feira, abril 28, 2004

A pedra

Tens uma pedra a que não lhe dás valor. Não brilha, nem as riscas reluzem. Nem tão pouco a escrita do tempo lhe confere um ar atractivo. A pedra fria gela-te os dedoss. Sozinha, a pedra assente sobre os pápeis pintados de letras que te dei, parece ser a realidade possível de um objecto que só pesa. Nunca reparas, mas numa ou noutra situação, normalmente quando a realidade da vida toca em unissono com o texto, a pedra cinzenta e rugosa briha no escuro do teu quarto.

O tom

Há pessoas de quem se diz terem o "dom da palavra". Para muitos outros, o seu problema com as palavras é o tom.

terça-feira, abril 27, 2004

A soberba humana

A sobranceria do Homem perante a sua essência animal é uma soberba colectiva que ainda nos irá sair cara. A nossa teimosia é acharmos sempre que estamos separados da Natureza, que a nossa superior inteligência é a mais valia que nos coloca no topo da hierarquia, mas um ser micróscopico consegue matar-nos em cadeia, fugir, camuflar-se e brincar connosco e a nossa tão superior inteligência durante décadas, centenas de anos. E ainda não percebemos que quanto mais sabemos sobre a vida, sobre a natureza que nos rodeia, mais perguntas deixamos sem resposta.

segunda-feira, abril 26, 2004

Dia de reflexão

A Ditadura é uma solitária onde nós estamos a passear num colete de forças. Mas não nos enganemos, a Democracia não é mais do que o Hospício. Ainda temos muito que aprender para aspirar a sermos livres em campo aberto, e mesmo assim, continuaremos agarrados à nossa pequenez cosmológica.

domingo, abril 25, 2004

De novo

Hoje foi como se o Verão tivesse regressado. Como se tu tivesses de novo partido...

Minh'alma

"Uma alma feita de silêncio", dizes-me tu. Uma alma cheia de histórias por te contar. Corrijo-te.

sexta-feira, abril 23, 2004

Frases

Dizer "os melhores momentos da minha vida foram no século passado" soou-me ontem mal. Muito mal. Mesmo que se raciocine que a mudança do século fica mesmo ali ao virar da esquina.

Soulsearcher

I've been shown to know many pains till now
some of them are like scars that won't wound
i'm not a fighter who promotes himself fearless
to get in the ring of life and to win the embody prizes
I'm a soulsearcher
seeking the vibrato that a smiles does with no sound
digging the fresh soil of a sudden trembling hands
maybe I scare the most with the rare approach
where to be with is an almost to be in
but that's when souls are small even for just for one
regardless the distraction all souls are to be seen
but the hated persons are here just for none
I'm a soulsearcher
stepping the ladder that each one permits me to climb
each step is a further risk and afterwards the ladder as gone
maybe i've gone to far and high, and they praise for me to fall
and for each misstep I gave many wounds i've won
some of them are like scars that won't wound
but i'm a soulsearcher, and that is what i like to be

in this path i trail

The inner path indeed I trail
and with stubbornness there i prevail
where the deeds and misfortunes are attained
do not always in correct acts contained

my soul is always changeable
to be refining it i hope and care
maybe farseeing a dream intangible
but winners are those who dare

not that others are mirrors to me
but with their glories and hazards
and the odd missteps that i see
spares me a nasty thousand yards

in this path i trail with no aim
not steady and firm or indeed barge
more touchy friends like you i claim
with eyes wide open to see the big large

quarta-feira, abril 21, 2004

Ainda sobre a justiça (post tardio)

Hoje, em conversa sobre a justiça em Portugal, voltamos a repassar pelo caso da ponte de Entre-os-Rios. Sim, aquela que segundo o Juiz Nuno Melo que arbitrou o processo caiu de causas naturais. E eu lembrei-me: e se o mesmo juiz por acaso um dia a passear numa falésia abissal levasse um pequeno encontrão e, ao cair falésia abaixo, acabasse por bater violentamente com a cabeça numa pedra. Caso houvesse óbito, é óbvio e claro, que o mesmo advinha do embate da cabeça com a pedra. Um acidente, sem dúvida. Morte por causa natural como é evidente. Quanto ao encontrão negligente... bem, são ventos que por vezes sopram mais violentos.

A Espada Afiada

Agora que os meus colegas de blog andam silenciosos, decidi afiar a Espada. Falta aqui o contrabalanço de outros textos pelo que se perde o espirito mais "Relativo" do blog. Contem com um pendor mais crítico nos próximos tempos e menos textos "lamechas"...

terça-feira, abril 20, 2004

Os bons vilões

Pimenta Machado foi acusado de peculato e um mês depois eleito de novo presidente do clube envolto em euforia; Fátima Felgueiras mesmo em fuga à justiça seria reeleita em Felgueiras; Valentim Loureiro é o grande canditato a sua própria sucessão na câmara de Gondomar e, obviamente, da Liga de Clubes de Futebol. Em Portugal ser bom vilão é o que está a dar.

Imagens

O problema com as imagens deste blog é da exclusiva responsabilidade do péssimo serviço que a netcabo confere aos seus clientes.

Tu no meu café

Todos os dias te servia, com simpatia como sempre deve ser. Tu pagavas sempre com uma moeda, eu aceitava claro, como tem de ser. Era o teu empregado de todos os dias e o meu patrão dizia que assim continuaria a ser. Tu nunca me olhavas nem mesmo que eu quisesse. Parti muitas chávenas a tentar que assim fosse. Bebias café todos os dias e sempre à mesma hora. Eu ansiava todos as manhãs por esse momento, como um apaixonado acaba sempre por fazer. Tu bebias o café quente por entre travos de cigarros que deixavas a sobrevoar. Pediste-me lume uma vez, e olhares para mim foi o suficiente para a minha paixão descobrires. Não corei para evitar mostrar o que já estavas a ver. Tu sorriste-me num obrigado de malandrice. Pagaste-me com a moeda de sempre, mas deslizaste a tua mão sobre a minha, para mostrares a suavidade do teu tacto, o que eu sempre imaginei assim ser. Olhaste-me de soslaio quando me virei e tive a certeza que era para eu te poder ver. Perguntaste-me o meu nome que eu me engasguei a dizer mas que lá disse a corar a face. Foste embora sorrindo, repleta de provocação e passaste a tomar café noutro lado.

segunda-feira, abril 19, 2004

Everybody here wants you

Hoje recuperei uma musica de um album que andava perdido faz anos. Sabem como é quando se colocam dois CD's dentro de uma só caixa? Isso. Como não vos posso dar a música cá fica a letra.

(J.Buckley)

Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you

How our love will blow it all away.
Such a thing of wonder in this crowd,
I'm a stranger in this town, you're free with me.
And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,
Even now you're undressed in your dreams with me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
I know the tears we cried have dried on yesterday
The sea of fools has parted for us
there's nothing in our way, my love
Don't you see, don't you see?
You're just the torch to put the flame
to all our guilt and shame,
And I'll rise like an ember in your name.
You know I, you know I,
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
Let me show that love can rise, rise just like
embers.
Love can taste like the win of the ages, babe.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.
I know everybody here thinks he needs you,
thinks he needs you
And I'll be waiting right here just to show you.

...

Não te consigo enganar, é como se houvesse uma boca qualquer nos olhos a desdizer-me.

Um segundo no tempo

Queria voltar a ter quinze anos, para poder olhar para ti com a mesma inocência desses tempos. Quando o futuro ainda era distante, e a vida parecia durar eternamente. Quando os segundos que perdia no teu olhar, quando o momento em que a tua defesa finalmente baixava era a vida toda condensada num instante. Esse era o tempo que valia prolongar, essa riqueza que a experiência foi matando.

domingo, abril 18, 2004

Prostituição

As palavras como que se prostituiem. Andam com toda a gente, mesmo que ninguém as respeite, ou que as conheçam realmente. O que vale, é que as palavras ainda me seduzem.

A justiça do amor

A vida é mesmo ingrata para quem ama, mas são os que têm as melhores compensações quando são amados. O que até está justo.

A voz

Felizmente os pensamentos não se controlam. Se vivêssemos num mundo onde a voz fosse o pensamento, aprenderíamos rapidamente a controla-lo. É muito humano isto de querer controlar tudo.

O tempo

O tempo foi correndo em volta dos ponteiros. O maior corria mais que o menor e andava sempre a ultrapassa-lo. Era assim todas as horas. Todos os dias.

quinta-feira, abril 15, 2004

Como um livro

Fecho-me como um livro. Apenas a folha marcada, o canto dobrado, o vinco subtil que demarca a folha de abertura de um capitulo novo... caso te dê curiosidade.

quarta-feira, abril 14, 2004

A sala vazia

a sala vazia

eu, eu, eu e eu próprio enchíamos o local. eu que quero partir. eu que quero que tudo permaneça idêntico. eu que quero lutar. e eu próprio que não quero nada.

a sala vazia

três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vou partir, esquecer tudo, começar de novo. estou farto, aborrecido. convido-vos a partirem comigo”
eu próprio ouço-me e aplaudo.

a sala vazia

três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso.
- “deixemo-nos como estamos, haverá dias melhores. garanto-vos. convido-vos a estarem comigo”
eu próprio acho verdade e aplaudo.

a sala vazia

três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vamos deixar de lamúrias, lutemos e venceremos. tenho as armas necessárias. convido-vos a lutarem comigo”
eu próprio sei que tenho essa força e aplaudo.

a sala vazia

três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso. eu próprio quero partir e esquecer. eu próprio quero que tudo se prolongue assim. eu próprio quero lutar e vencer, mas, eu próprio não faço nada.

a sala vazia e eu próprio já não estou lá...
(1990)

terça-feira, abril 13, 2004

Dói-me o dedo

Dor divinal
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
Dezena a dezena
Distúrbios, demência
Decreto
Lealdade errada
Diz-me sem demoras:
'Adoro-te'
Decerto
Deves ter mentido
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
De apontar errado
Dezena a dezena
Destes dedos

Quem deseja

Não fales alto do desejo que os loucos podem ouvir, e a demência se espalhar. Não suspires de prazer que outros podem invejar, e o ódio se expandir. Não beijes o amor que o amor é doce, e a doçura pode enjoar. Não cantes o encanto que o encanto é deslumbrante, e o que brilha demais pode ofuscar. Não te cubras de desejos porque sabes que: quem deseja mal acaba, e assim a morte do desejo pode alastrar. (1989)

segunda-feira, abril 12, 2004

...

Não tenho medo da morte...
... só a dos outros

...

Tenho medo de me perder. Medo de me perder nos teus olhos.
Medo de agir. Medo de sentir o acre da recusa.

A Nudez (I)

Ela sabia do meu desejo. Tinha a certeza do seu sorriso infantil. A consciência da sua sensualidade de mulher. Tinha a certeza de um espírito confiante, posta a olho nu pelas palavras e as ofensas subtis. Impunha o seu carinho refazendo a ideia de ternura no meu corpo, uma meiguice renovada no quotidiano. Lia o desejo nos meus olhos quando me tocava e me olhava. Sabia que me aventurava no mapa desconhecido do seu corpo com um olhar sempre terno. Contornando e delineando a estrada do seu corpo com um sorriso encantado nos lábios. Sabia do meu desejo e perpetuava-o.

Segredos

Não se rescrevem conversas tidas em segredo nem pela frincha entreaberta da porta da curiosidade...

quarta-feira, abril 07, 2004

A rapariga do outro dia

Tinha poucos anos, comparados com a idade do universo. Era de cor castanha, mas de raça branca. E ainda todas as cores do cosmo no seu beijar. Cantava canções com as andorinhas, redemoinhava como um rio nas suas danças e berrava com uma angústia que fazia rir. Falava de sedução quando queria sorrir e não chorava senão quando a beijava. O seu sorriso era sempre mais belo quando contornado pela língua. Olhava como um toureiro olha um touro: ameaçador e temeroso. E quando encurralados, os olhos, era como gelo no deserto. Vestia-se do encanto que sabia despertar. Tinha poucos anos, mas apenas um dia para me dar.

Círculos

Os teus copos têm círculos na base. Os cigarros têm bases circulares, os teus olhos, as rodas, os pontos, o sol, tudo são circulos em nosso redor. Até o aro mentiroso da inocência. O candeeiro da tua sala, a rolha, o cinzeiro, o isqueiro, os teus seios, até a tua língua faz círculos quando me beija.
O teu relógio, os teus brincos, a tua roupa, e mesmo os teus cabelos quando estão encaracolados. A lua cheia que nos espreita, as colunas, os postes, a escada em caracol que nos leva ao teu sotão. Já viste? Tudo é redondo, tudo anda em círculos, até a tua vida...

terça-feira, abril 06, 2004

Conversas

Homem: Queres continuar a falar sobre isto?
Mulher: Não sei.
Homem: E falar doutra coisa?
Mulher: Não sei.
Homem: De que queres falar então?
Mulher: Quero ouvir-te.

Dos Acordares II

Acorda-me assim que acordares. Quero continuar a ver-te no interior adormecido dos meus olhos. Quero co?ar-te uma vez mais como n?o se deve fazer ?s feridas. ? que estarei talvez ainda acordado
no momento de despertares.

O coração

O coração ao meu lado parece querer dar-se, mas quando se agita mais parece contorcer-se. E quando se expande é que se torna pequeno, e cheio de temor.

Amadurecer

A luz entrava por uma frincha escondida na madeira. Os teu cabelos abraçavam o meu pescoço, deixando a impressão da tua presença. Eu que amadureço nos teus dedos. A frincha abria um facho de luz cada vez mais forte, com o passar da manhã a morder a nossa preguiça. Parecia mais tarde, quando as horas soaram a despertar, tu, no teu movimento de princesa adormecida nas nuvens brancas do algodão. A pele escura e mordida pela noite amorosa; eras um qualquer ideal sonâmbulo e à deriva que aportou uma noite num leito junto à foz. Escondi-te nos meus sonhos tempos demais, Invernos e Primaveras consecutivas de ferrugem, a alma escondida no torniquete do óxido... e a vida tranquila no sentimento de desamor. Eras a imagem de uma rapariga que povoava os sonhos mas tão irreal como as imagens que víamos nas nuvens. As histórias que te escrevi todas desenhadas, traçadas no lápis cor de fogo da minha memória incendiária e pagã, histórias de um novo amor que mata outro inventado. Amadureci um novo amor nos teus lábios. Continuas a dormir com os teus cabelos longos, fazendo caricias dentro dos meus sonhos tranquilos. Tens um novo rosto, tão bonito e mais real do que anteriormente, agora que amadureço noutro coração.

segunda-feira, abril 05, 2004

Links

Finalmente venci a preguiça e actualizei a lista de blogs da Espada Relativa. Alguns dos links já cá deviam estar à muito tempo, outros já deviam ter saído há muito. A culpa não é minha, é da preguiça.....

Duelos

As frases não me saem tão facilmente como dantes. Tenho sempre que pesar a gramagem inoportuna das palavras que caem como folhas soltas no Outono. Andas perdida numa luta de sentimentos contraditórios, e a mentira é para ti um modo de vida. O duelo que fazes entre a razão e o sentimento é o de toda a gente, só que com mais sofrimento. Não sei porque isso te causa tanta estranheza. Mas não te posso explicar. Já quase não gosto de ti.

As palavras continuam contundentes como sempre. As discussões são inevitáveis. Impingis-me o teu amor como se a reciprocidade fosse uma taxa obrigatória que eu tivesse de pagar. Querias que as palavras bonitas me saíssem da boca ao ritmo impulsivo das tuas inseguranças, como se elas fossem um creme que que te protegesse do vento seco que sopra nos dias de Novembro. As palavras bonitas não saiem, ficam presas na garganta, amarrotadas no torniquete das tuas críticas.
Se percebesses o esforço que reservo no meu silêncio...

domingo, abril 04, 2004

Hoje

Eu hoje parei para ouvir a luz e sonhar que o vento paira sobre a névoa. Sem velejar entre os espelhos as imagens discorrem em seco, sem aquele bafo molhado da manhã. Hoje não vejo o mármore das estátuas, nem o cobre ou o bronze esculpido. Paredes meias com as nuvens, a escorrer ideias em jeito de estranheza, onde sugo o alecrim derretido em sumo. Hoje já não quero, porque querer não é querer, nem desejar somente se pode. As aranhas sem teias, desnorteadas, escapam à sua própria fuga e tementes à sua covardia, se arredam. Que os caminhos que desconhecem, resguardam nos olhares silenciosos, só para maltratar a sua própria fragilidade
E hoje, hoje já é ontem...

sábado, abril 03, 2004

...

Esse tempo em que não éramos nada, em que nos perdiámos na memória das coisas. Acabamento único, num quandro, uma pintura de aguarela aonde se vertia a água dos sonhos. A maldição da noite, a maldição dos tempos infindos. Doia-me a alma de Verão. Destruias-me os sonhos por dentro, a alma revirada do avesso. O amor e o desamor em contraste. Uma sinfonia de ódio latente. A vida às escuras, à espera de brilhar nos teus olhos.

quinta-feira, abril 01, 2004

100 Éter nem Eternismos: I2

Será minha a sorte de invejar-te a solidão? E prender no céu uma corda frouxa para segurar-me com a força de dois cavalos e descer por ela a todo o vapor? Será esse o direito de existir? Ou apenas a pena de um réu que nunca se livrou da inocência? Ou é já apenas só sexo o amor?

Parabéns e Champagne

Abram o champagne!! A Espada Relativa faz hoje um ano, mesmo que pareça mentira, até pelo dia de hoje, que nos tenhamos aguentado no activo durante tanto tempo. Claro que houve fases menos de menor actividade e quase não sobrevivemos às férias de Agosto. Este também não é um blog de notícias e nem sempre a inspiração desponta quando queremos. A todos os colaboradores, dos mais aos menos assiduos, eu ergo a minha taça! Aos que por aqui passam para nos lerem, as bebidas são por conta da casa. Salut!!

quarta-feira, março 31, 2004

Dias

Por vezes, os dias parecem-me excessivamente parados. Como hoje. Mesmo contigo às voltas no carrossel mágico da minha imaginação.

terça-feira, março 30, 2004

O silêncio das palavras

São como nós secos que ficam na garganta, são palavras estranguladas à porta dos lábios, são palavras retidas em bocas que se mordem... de silêncio. São palavras malditas, encarceradas, edificadas pelo medo... sempre o medo, de pronunciar palavras mal ditas.

São como nós, nódulos ásperos de uma coroa de espinhos em torno de um pescoço. São um colar de pérolas temeroso, nem de pedras nem preciosas. São só palavras surdas dirigidas de si a si, em torno do seu... silêncio! São como nós, estreitos e estranguladores, desfigurados sons amarrados à própria vergonha, à própria garganta, ao pavor, ao ser erro… errar…

Apenas palavras cerradas em hipocrisias gestuais, gestos de fuga, de ausência...

O silêncio triste das palavras mal ditas.

segunda-feira, março 29, 2004

A sonoridade das palavras

Sabes como soletrar palavras, cadências tão ritmadas. Sentes as consoantes roçarem entre os lábios, são gritos e tão eufóricos. E ainda: os gestos de tão marcado sentimentalismo, os rituais de tão compensador hábito.

Sabes como compor as frases, sequências tão verosímeis. Sentes as vogais voarem na garganta sem atrito, são beijos e tão calorosos. E ainda: as palavras de tão sonoras, os diálogos de tão longo prazer.

As palavras certas no momento oportuno

Dies Irae
*
Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.
*
Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.
*
Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.
*
Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!
(Miguel Torga)

domingo, março 28, 2004

Dos estranhos, a voz

Falava com a alma inundada em lágrimas. "A alma chora mais que os olhos" – alguém pensou. Olhava para baixo, para a a mesa tão solitária, como poderia olhar o tecto e sentir o vazio.
Tudo era-lhe indiferente… até eu. Como o seria qualquer outro, não se importava de tão desesperada de que eu, sim: eu! lhe escutava as palavras e a voz, tão triste… como destino.

Falava. E eu escutava suas lágrimas, as mágoas. E ouvia, sim: sei ouvir! o sofrimento alheio, algo que
não fica indiferente em mim porque eu: eu sou amigo de alguém!

sábado, março 27, 2004

Deste amor impossível

O grito. Voz surda que reclama direitos. Que não tem. Que nãos abe se quer ter. ainda grita. E gritara, enquanto durar a dor. Todo o prazer, e ainda: a dor. Quer; não pode. Amar. Ouve-se um grito: de dor? De prazer? Raciocina, conjuga as palavras. Não sabe, não conhece a resposta. Dor pelo prazer; ou, prazer pela dor? Sabe que está preso. Que se enredou numa teia, num bosque de árvores densas. Não pode sair, não pode escapar: daí, desse local recôndito, a floresta, ouve-se partir um grito. Este amor impossível. Incomum. Um amor por descobrir. Que é amor e não é. Amor. Existe, e no entanto não se concretiza. A voz grita, já como vício. Amor sem regras, sem estereótipos. Impossível, tanto é. Hoje. Tanto não é. Amanhã. Foi e deixou de o ser. Tantas vezes. A memória esqueceu-se da própria memória. Abandonou-se. Já se esqueceu. O tempo. Já não se quer lembrar. O amor. Impossível. Que se reencontra em sucessivas aventuras. Separadas por um tempo. Ainda quer esquecer o tempo, o grito. Preenchido por palavras... de palavras de amor. As quais se tomam por um outro sentimento. Falso. Para enganar. O sentimento. A voz ainda grita, o amor impossível. E grita, com toda a força que possui, para não ter de ouvir... o próprio grito.

quinta-feira, março 25, 2004

De pensar as palavras

Falava com uma certa angústia, saiam-lhe palavras azedas pelo céu da boca mas não ligava a esse paladar amargo que lhe ficava sobre a língua. Era uma linda boca – alguém pensou. Falava com o desprezo que a estranhos se dá, com o olhar gelado desse tom frio e azul que longamente espreitava. o infinito. Eram uns lindos olhos – alguém pensou. Falava como só ebriamente se fala, num rodopio louco de palavras e nem se apercebia do seu discurso. Sincero. E que tão ingrata seria a indiferença. Que linda sensação - alguém pensou.

De recordar o amor

este amor confuso que erra sem destino, tanto é o medo do amor. amor, o amor ainda receia amar. esse passado recordado que perturba sempre, e são tantas as mágoas. ainda recorda a dor. o amor, esse acto preferido que os amantes procuram. tanto é o prazer, mas amor, ainda prefiro amar. nesse tempo guardado que a memória relembra. são tantas as recordações, amor, ainda guardo lembranças...

o amor ainda escreve:

que o amor que sente é impossível de se fazer esquecer. que é essa a dor. que sentiu o sofrimento, esmagador, de tão cegamente amar. e que essa é a sua fuga. e ainda diz: que ninguém lhe merece... amor. de tanta ser a maldade lembrada. que essa é a verdade. e diz, que amar é interdito, agora, por outros amores lembrados. que é essa a sua confusão.

...

As palavras? Perdi-as. Os gestos? Esqueci-os... A saudade? Quem me dera ainda saber como é.....

quarta-feira, março 24, 2004

terça-feira, março 23, 2004

Poema à rapariga que não era poesia II

A história tem teu rosto gravado no projecto da memória. Tu cativas mas não comoves. Julgas que a poesia faz milagres, que os sonhos podem ser sonhados mas, repara: a realidade não é apenas fruta podre que se engole. Tu, rapariga nua, despiste a poesia do teu corpo e vives agora apagada de deslumbramento, uma sombra de desilusão. Tu, rapariga nua, perdeste as palavras que cobriam teu corpo, adjectivos que se colavam à tua pele e te adornavam como uma rainha.
Deusa lírica da epopeia do amor, tu, rapariga nua, és uma velha estrela ainda cintilante mas vestida de um brilho apagado, à custa dos versos sumidos, dos poemas amarrotados, do lixo em que te transformaste.

poema à rapariga que não era poesia

quem faz uma frase faz tua a canção. curtos e tresloucados versos são teus cabelos com rimas redondas no canto dos olhos. quem faz um verso faz tua a sedução. a tua simpatia afável livre como as palavras, a sonoridade marcante do lirismo do teu corpo. quem faz uma estrofe faz tua a paixão. cativar e comover, essa pretensa poesia de deslumbramento e desilusão - o verdadeiro teatro. quem faz um poema faz tua a decisão. nasce morto o amor, morre viva a paixão, enfim o prazer saciado em teu corpo de palavras nuas.

Memórias

-Antes o sol punha-se ali...
-Para mim, o sol põe-se ali, numa casa com um terraço, onde te vejo desaparecer todos os dias...

sexta-feira, março 19, 2004

Feliz Dia do Pai... ;)

A um pai
*
É um Pai o calor de toda a frieza,
O despertar suave do mais leve dos sonhos;
O doce no amargo, mais meigo na dureza,
Andar sem receio de fechar os olhos.
*
Ter mão na dor, suficiência na calma,
Amar acima da razão do ser
Beijar um rosto como quem beija a alma,
Ter Pai é ser rei, mesmo sem o saber;
*
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior...
Mas um Pai tem o orgulho de ser superior
Ao falar aos outros da experiência vivida...
*
Traz no rosto a memória do que entrou mas não sai,
No olhar a alegria de ser chamado Pai,
E no peito a saudade, o lado triste da vida...
*

Ausencia

Eu gosto de falar dela, de contar as suas aventuras. Gosto de envaidecer as suas qualidades, de brincar com os seus defeitos. Gosto, sobretudo, de a recordar, de a ter comigo em todos os instantes. Nem sempre posso estar com ela, e isso impele-me a falar dela, ou então como agora, de escreve-la, de retrata-la por adjectivos, que é o mesmo que esculpi-la de uma outra forma que não a física. É o poder das palavras, esse poder que as palavras têm para despertar imagens, que me faz falar dela, permite-me subtrair a sua ausência.

O toque

Ela poisou a mão no meu peito. Fê-lo somente com o desejo de me cumprimentar. Não chegou a ser o toque fascinante da carícia. Mas apesar de ela apenas me ter tocado no peito, tocou-me muito mais fundo, e talvez… de uma forma bem mais fascinante. Tocou-me na memória.

quinta-feira, março 18, 2004

às vezes é preciso pensar

Com os meus resumidos 17 anos, vejo que já aprendi muito com o amor.
Aprendi a pensar em mim própria antes de me lembrar dos outros.
Aprendi que não pode haver expectativas porque corre sempre tudo ao contrário. Que não se pode ter esperança nem sonhar porque acaba por nos partir o coração. O sol também se apaga e a Lua perde o encanto quando estamos assim.
Aprendi que os beijos, o roçar de pele e o calor do que nos une acaba sempre por chegar ao fim, mas as palavras ficam para sempre no peito de quem as ouve.
E no arrependimento de quem as diz.
Aprendi que os horizontes que avistamos juntos são imaginários e mais tarde parecem-nos tristemente ridículos, que o mar passa de vasto a inútil e que a vida é muito mais curta do que pensamos saber.
Que todas as lágrimas são em vão e todas também acabam por secar.
O tempo não cura tudo, longe disso, mas traz-nos outros pontos de vista.
Aprendi que o orgulho, ou pelo menos a dignidade, são o mais importante e tudo o que nos resta no final.

...

"The days are bright and filled with pain
Enclose me in your gentle rain
The time we ran was too insane
We'll meet again, we'll meet again..."
(The Doors)

sexta-feira, março 12, 2004

...

A gente com peste e a raiva cega dos cães
os esgotos aldrabados
meia laranja cortada na areia
na praia: uma balada

Frase Conclusiva: E Eu Proprio Tambem, e Alias Bem

Quando o pano cai e a nódoa fica
neste fim teatral desta farsa carmim
tom de carne rosada disfarçada de teia
e aranha estranha de vida estragada
Predador e caçador da urbe capital
dos pecados amaldiçoados dos cegos da fé
em cafés sóbrios de gente ébria
e um tudo quase nada mal exigente do bem
na sua homogénea de um ténue radicalismo
de aparências e ares artificiais
a gente quase ébria da loucura latente
que pensa e sente como quem não o faz
nesse juízo incapaz de ajuizar
e perceber o erro crasso que fazem
sem saber, que eu não me esqueço
da maçada desta farsa teatral
de gente que ri tão só por fora
as tristezas e avarezas interiores e em si
25maio90, 11h15mns.

quinta-feira, março 11, 2004

passos ao luar

Sentada na minha pedra, vou desfiando lágrimas ao luar
e escuto o que ele diz.
O mar é calmo hoje, tem todas as tuas qualidades
mas também os teus defeitos,
e quem me dera ser poeta para os poder descrever.
Desfolho pétalas de uma rosa antiga
e desfolho segredos também.
Ninguém me ouve,
que importa?
Só os passos do luar me acompanham
e tu já não estás comigo.
As palavras perdem-se assim, e tanto tu como eu
já não sabemos delas...
As lembranças que caminham por aqui roubam passos ao luar
a quem os dá
e não tenta viver sob uma estrela.
Os astros são sempre assim, frios
(também a tua existência continuou sem mim,
eras o meu sol),
resta um marulho lá no fundo que permita recordar...
Dói-me a alma
e a coragem que não tive de ser feliz.
*

mais uma vez sem título...

Foi sal em vão todo o que chorei
Por ti, por passos que acabam no chão
Por marcas de sonho e saudade onde andei,
Por gotas que me desfolham a fragmentação
*
Foi trilho de mágoa, sem pedaço de céu
Espada que aos teus olhos quase me obrigou
Entrego ao luar o que a minha dor perdeu,
Vou chorando com o mar tudo o que me marcou
*
E quanto mais choro mais o meu mundo cai...
Os passos do luar que de mim já não sai
E o beijo na sombra que o teu tempo me deu...
*
Tentei alcançar o espaço sem mar,
Mas a cor do céu no instante a acabar
E a lágrima que fica p'ra sempre, sou eu...
*
Catarina Inês

quarta-feira, março 10, 2004

KelkeXosElektroNiK

Depois de uma ausência prolongada o KelkeXOse volta com uma nova mistura desta vez dedicada a momentos menos ritmados. Uma sessão Lounge para ouvir até ao inicio da Primavera.
Para ouvir o link está no lado direito.

Playlist:
01. Brandi Ifgray - Stranglehold [4:52]
02. Aqua Bassino - Time To Go [7:36]
03. Miro - Emotions Of Paradise [7:58]
04. Troublemakers - Too Old To Die [4:39]
05. Sven Van Hees - Seasonal Bounty (Smooth '94) [4:45]
06. The Amalgamation Of Soundz - Enchant Me (Original Version) [6:23]
07. Butti - Brasilikum [5:08]
08. Lais - Dorothea (Buscemi Remix) [4:16]
09. Gabin - Terra Pura [5:16]
10. Gare Du Nord - Tune Up [5:18]
11. Miguel Migs - One [4:44]
12. D-Note - D-Votion [7:02]

terça-feira, março 09, 2004

Já não vale

Já não vale olhar para trás
Já não vale sequer o prazer de recordar
Já não vale mais nada; a não ser a razão de não se objectivar

Sou como uma metamorfose surrealista e as minhas palavras, uma osmose de não sei quê

segunda-feira, março 08, 2004

Tales of Oblivion.03

I surrender myself to your knees, it is an entire jailed sun in your sight that bends me down. In that time a forget the honor as I fall in the abyss fulfilled of shyness. Next second all is forgiveness, and I restart to dare you.

Entrego-me a teus pés no momento da procura, é o sol inteiro aprisionado nos teus olhos que me verga. Num instante esqueço-me da honra e tombo no abismo da covardia o meu olhar. No segundo seguinte já esqueci, e recomeço o confronto.

quarta-feira, março 03, 2004

Conversa entre amigos

Transcrevo com o devido consentimento um pequenissimo excerto de uma conversa que tive com uns amigos.

- Ó pá, acredita... Eu não ando lá muito bem.
- Só tenho de acreditar, em menos de uma hora de conversa, já utilizaste expressões como "ando com o coração ao pé da boca", "tenho o estomâgo colado às costas" e "parece que tenho a cabeça a funcionar nos genitais"... não admira.
- ah, ah! Já vi Frankenstein's com melhor aspecto.

terça-feira, março 02, 2004

Tales of Oblivion.02

All the times I hold my thoughts away from you, your blinking eyes are calling me to your mouth. Smiles swirls like a carrousel in a mighty fair, and I as the clown lost in the Mirror House. Sometimes, I forget you. It's a painted trail wished and in permanent drink drawed, but it only lasts a little yearn.

De todas as vezes que os meus pensamentos fogem de ti, os teus olhos reluzentes parecem chamar-me de novo para a tua boca. Os sorrisos rodopiam como um carrossel de uma feira popular, e eu o palhaço na casa dos espelhos. As vezes, não me lembro de ti. É um negro que eu queria riscado a tinta permanente, mas que dura apenas a fracção de um suspiro.

segunda-feira, março 01, 2004

Tales of oblivion.01

When the sun sparks frostly through the wide window who exposes my body to the cold, is when your beauty appeals me most. The images unstable as leafs falling down thru oblivion. The cells are dying in me as they are being done of use, the use of leaving you inside my eyes.

Quando o sol raia numa manhã gelada e da janela aberta com o corpo exposto ao frio é quando mais aprecio a tua beleza. As imagens não ficam e são perenes folhas outonais destacadas da árvore do esquecimento. São células que morrem posta a sua última utilidade, a de eu fechar os olhos contigo lá dentro.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Silêncio

O silêncio é muito relativo, mesmo quando é uma espada gélida que corta a meio uma conversação.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

...

Entre os lírios entreabertos e a verdejante doçura do brilho celeste, abre-se a áurea colmeia de sonhos e morre lentamente na boca o sorriso. Entre a fraternidade esquecida dos beijos e a colmeia de hexagonos doces, derrete-se em mel a luz e posso querer compreender, compreender acima de tudo a loucura patente.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Conversas

Extracto de uma conversa que ouvi nesta noite de Sábado.

- Não achas que ela é um bocado novinha para ti?
- Isso passa-lhe.

Não há dúvida o tempo cura tudo.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Se soubesses o quanto eu vejo para além dos teus olhos, já há muito me terias cegado.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Horizonte

olho o horizonte de uma viagem esquecida, são recortes por entre as montanhas onde são abruptos os pontos de ruptura. peço-te, vem. talvez ignorando o meu nome, o meu rosto, vem irada, vem confusa e mesmo se estiveres perdida, vem. e esquece o teu passado, e esquece a tua ira. encontra-me e corresponde; ao olhar com um beijo; à palavra proferida com a mão dada e amor... acima de tudo. terás o meu poema junto à cabeceira como uma carícia. vem, vem mesmo que eu tenha partido, mesmo que isso signifique regressar a ti depois de te ter perdido no tempo das procuras. eu que era incapaz de controlar ânsias. mas peço-te, regressa. com outro nome, outro rosto. traz só uma mochila às costas, carrega pouca coisa, traz poucas recordações - não te esqueças do humor. traz o poema que ignoravas ser meu, e encontra-me. não no fim do tempo mas no princípio de uma qualquer viagem.
26.Fevereiro.1995

terça-feira, janeiro 27, 2004

As Pedras II

Essa pedra na tua mão, tão pequena e tão redonda do tamanho da palma da tua mão, tens mais pedras para atirar? Essa pedra na tua mão, tão inocente e tão presa na força que fazes, é a mim que a vais atirar? Essa pedra na tua mão tem uma mancha marcada com sangue vivo e brilhante, foi essa a que te atirei?

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Corri

Corri, como a um defunto se faz, a mão gelada pelos olhos em gesto de morte. Corri a mão sempre amena na boca, no peito, até apertar com a força do escândalo a tua barriga de mulher grávida. E corri de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do teu sexo, repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar a todos os olhos de outros. E no teu útero, como um toque divino,
fiz nascer-te em amor para mim.
09.Janeiro.92

quinta-feira, janeiro 22, 2004

O meu grito de amor

O meu grito de amor é como um salto no escuro da tua timidez. Tenho os teus segredos no meu baú, hás de acreditar. Nos beijos que negaste terás o teu desejo mais pueril. Na alma que desleixaste descobrir estará o elixir da tua felicidade. Hás de rogar e pedir a branca pomba esvoaçada, a minha mão estendida de amigo - minh’ alma desacreditada. Hás de sonhar até a perda do meu afecto, pedir de volta o olfacto, a carícia do meu perfume. Querer os beijos do meu amor, trocar lágrimas por sorrisos meus e amar o amor que distribui, que doei, em carícias mutiladas d’ amor.

O meu grito de amor é como a coragem esquecida dos beijos.

Se silenciar a minha boca ou se calar o meu olhar, mesmo que isso não toque o gesto, será sempre impossível sobre o frio do teu olhar sentir o calor do meu desejo. Sempre covarde e sempre tímido, sempre complexado e retraído; (a mais ingénua imagem do meu corpo deixa de transparecer no reflexo da tua imagem; está para sempre calada no teu sorriso, para sempre fechada na tua boca bela)

O meu grito de amor requer mais do que apenas desejo.

Este pensamento em bruto como um diamante não lapidado, só pensa na urgência,
nessa urgência que existe no medo, nesse medo da saudade por onde caminham distâncias longas. Em fiadas infinitas de cordas, nós de medo, de esperança
como que feitos de uma fé latente percorrendo em contínuo o terço. A religiosidade do temor. A irrepreensível saudade.

O meu grito de amor já prescinde da tua voz

A mente, porque a reteve - a tua voz, essa voz memória que é tua, só tua, é uma condição de especiaria como um açúcar para um doce.

O meu grito de amor largou a agonia e o vazio do meu corpo, ecoou para o exterior como um estertor. A minha pálida alegria esvoaçada. E para sempre há de doer
o seu som, em ti. Ou pelo menos, no dia em que o escutares.

Sete x

Um. Um presente envenenado: uma caricia simples fluida de água e um beijo rápido em boca inocente como uma semente não germinada num jardim recente.
Dois. Um dia após só lágrimas, só caricias a envelhecerem, talvez o começo de tormentos em mares azuis... ou sonhos perseguidos por detractores.
Três. Flores desabrocham entre espinhos como rosas oferecidas e despojadas em lixo; uma terra estragada em coberturas de rosas, talvez um jardim germinado a cansar-se, a esgotar-se em lágrimas.
Quatro. Um aniversário de descobertas, um reencontro merecido. Lágrimas reaquecidas na boca do céu. Estrelas gastas num céu de lama e beijos pedidos e não rejeitados.
Cinco. Uma desgraça imprevista; o gesto do beijo - uma traição. Um amor oferecido e outro rejeitado. Amor, fez-se amor na mente. Calcou-se o jardim,
maltrataram-se as flores, choveu, sempre a chuva ácida, o ácido das lágrimas sobre nós a queimarem-nos em labaredas como amor a criar ódio.
Seis. A morte do encanto; a estratégia do fim ou a morte da sensualidade. O jardim que recusa renascer, talvez o tédio da previsão acontecida.
Sete. Uma história por escrever... talvez um apartamento a construir-se
sobre um jardim outrora florido.

terça-feira, janeiro 20, 2004

O Favo

Ela reluziu o espelho azul nos seus olhos, incendiou-lhe os olhos, sempre os olhos; em chamas vagas de amor, de cortesias bem simuladas. Reage com a pele ao seu tacto, sempre a pele; toques suaves. Resta-lhe um pouco de felicidade... ainda… de derrota em derrota derrotado, a tentar almejar a luz rutilante, em beijos e ternuras cansadas. De sempre a sempre, beijos beijados em bocas de mel… boca de abelha. E retirou do seu corpo - como se de um favo fosse - o açúcar em fusão… derretido; em calores de fogo. E no seu corpo – o favo amado - soube lamber o xarope, a geleia açucarada como se bebesse no seu sexo apenas a lágrima de ontem. O seu passado de dores e desventuras desfiguradas - a fogueira - o seu corpo em fogueira doce aonde ele se despede da recordação.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

O Banho

Quero lavar-me em lágrimas e deixar para ti a minha alma limpa. Retirar o pó escuro de recordações passadas e dos bocados dispersos dos remendos de um coração. E nessa água de lama, nessa mistura viscosa de decepções que não se misturam no correr límpido do tempo que, ainda disperso, já é nosso, adorar as canções dos teu suspiros de mel a escorrer pela parede táctil do meu rosto. Amar a vibração tépida dis sons de África; o ribombar do teus lábios a baterem eufóricos sobre os meus, pateticamente trémulos e desejosos. Acordar de manhã no lugar que agora sonho e nessa ilusão de te ver difusa, perder-me na inconstância do passado, tão sujo, mas que eu limpo suavemente agarrando as tuas lágrimas com as minhas. E entrelaçadas nesse querer hão-de transformar água em ácido e derreter a sólida e inamovível montanha do passado. Formando um rio que corre numa direcção serena de aleatoriedade mas carregando uma água cristalina de um sentimento nascente.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Beco

Está escuro, um frio sibilante sopra pelo meu ombro fazendo um sussurro. Vai acontecer alguma coisa, estou rodeado numa rua estreita e sinuosa, com água correndo entre canais de pedras escorridas. Sinto-me espremido por um medo e uma ânsia enorme como se o assalto de mim acontecesse já. Já, mesmo agora antes de acontecer. Ouço passos de um chegar que me faz querer partir, mas que não saio com os pés. Colados que eles estão, tão fixos de uma vontade de fugir. Estou preparado para o assalto de mim, pelo beco estreito de só existir uma brecha que se abre numa entrega. Mais fuga que apetite de pele. Áspero e rugoso o toque na parede do sabor, um querer que arde em labaredas de um fogo já dito invisível. E eu sei que vai acontecer o assalto de mim. Não me roubes, peço-te quando chegas, quando já sei que o estreito é demasiado estreito, quando não há laterais de refúgio mas apenas a tua palavra a declamar um querer pesado e demasiado e impossível de resistir. Uma arma fria esses teus olhos que não cuidam em mim. Vais dar-te em oferenda de uma salvação inoportuna, o teu beijo vai acontecer na minha boca e esse beijo matará e morrerá na minha boca.
E mesmo que a minha boca não descreva nada do teu beijo nem mesmo no extremo dos tempos resgatados, sinto-me roubado das palavras da minha boca.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Nunca Sereia

Casa de um estranho caracol que na lentidão do tempo, com a preguiça redonda dos relógios se mostra envolvendo na sua saliva doce. São perfumes libertados por palavras e ternuras escondidas em olhos apagados de ausência. Ausência pronunciada por uma voz calada, ouvidos surdos que só amam elogios. E uma inteligência perturbadora que intimida como o sibilar dos guizos de uma cobra cascavel, ou uma cobra real que se endireita ao som de uma flauta - um encantamento que eu tentava erigir como uma obra primaveril cheia de odores e feno, e flores de molas de uma cama e um lençol; do leito de sonhos que fiz para te deitar e me afundar num paraíso secreto debaixo da água azul felicidade dos teus olhos. olhinhos que beijam como peixinhos fazendo boquinhas e bolinhas pequenas de ar, muito ar para respirar, debaixo da água da minha, da nossa, muito escondida vida.

quarta-feira, janeiro 07, 2004

A circunferencia do tempo

Não era preciso perderes-te no tempo porque os ponteiros já já nada marcavam no meu interior. Circunferência da vida dos regressos não esperes do tempo a partida sem retorno. Só os boomerangs são como pêndulos e, se não voltam, é porque matam. Não foi na guerra dos tempos sucessivos que lutamos desde o começo das canções, as canções que fiz à tua porta e em tua esperança. Tu, lá dentro e adormecida sobre um querer já gasto do gosto de eu te querer. Fiz do dormente desejo do amor a mão dada de uma aliança escondida, esse convite que negaste no instante, no mesmo segundo da oferenda. Resposta faísca e relâmpago e cheia de luz, tão forte e intensa de cegueira, de raiva bruta e amor desfeito. E outra vez os ponteiros circularam sobre mim como queda em abismo de nada.

A resposta do tempo

Apetece-me esconder-te do mundo.

Parar o tempo nas nove de horas de uma das manhãs mais frias que me ocorre lembrar, a minha mão a segurar na tua sem podermos sentir o tacto da pele, impedidos pelas luvas que nos negavam o aconchego. A luz dos teus olhos entrando nos meus, no mesmo tom e brilho do céu azul e já luminoso da manhã. Parava os relógios do mundo e celebrava o momento com um beijo nos teus lábios de vermelho e riso. Se me fosse permitido. Se fosse uma vontade também tua. Mas, talvez o frio congelasse a acção e eu, não mais do que uma covardia exposta, encalhava nos teus olhos de mar. Mas o tempo não parava nem mesmo que eu forçasse um silêncio sobre ti. A tua mão fugia sobre a minha como um adeus que viria a seguir. Eu deslizava pelos segundos amarrado ainda à maré vibrante dos teus olhos de mar.

É tudo mentira.

Eu queria que o tempo corresse, lentamente sim, mas que me desses a mão ainda com mais força, que a tua mão deslizasse sobre a minha como uma carícia sem tempo nem limite de tempo. Que os teus olhos se fechassem como quando se fecham na esperança de um beijo que nos ilumina o interior. Que o beijo sossegasse o sofrer da alma como se um sol novo e de verão surgisse por dentro e virasse o sentir do avesso. Que a tua beleza me mostrasse uma outra forma de acordar. Uma outra forma de adormecer. Que o teu riso fosse um despertador do tédio do quotidiano. Que todas as ilusões que criaste em mim fossem apenas as verdades do tempo futuro, que vagueando na maré dos teus olhos de mar, deixei acovardadas na resposta do tempo de dizer adeus.