quarta-feira, abril 21, 2004
A Espada Afiada
Agora que os meus colegas de blog andam silenciosos, decidi afiar a Espada. Falta aqui o contrabalanço de outros textos pelo que se perde o espirito mais "Relativo" do blog. Contem com um pendor mais crítico nos próximos tempos e menos textos "lamechas"...
terça-feira, abril 20, 2004
Os bons vilões
Pimenta Machado foi acusado de peculato e um mês depois eleito de novo presidente do clube envolto em euforia; Fátima Felgueiras mesmo em fuga à justiça seria reeleita em Felgueiras; Valentim Loureiro é o grande canditato a sua própria sucessão na câmara de Gondomar e, obviamente, da Liga de Clubes de Futebol. Em Portugal ser bom vilão é o que está a dar.
Imagens
O problema com as imagens deste blog é da exclusiva responsabilidade do péssimo serviço que a netcabo confere aos seus clientes.
Tu no meu café
Todos os dias te servia, com simpatia como sempre deve ser. Tu pagavas sempre com uma moeda, eu aceitava claro, como tem de ser. Era o teu empregado de todos os dias e o meu patrão dizia que assim continuaria a ser. Tu nunca me olhavas nem mesmo que eu quisesse. Parti muitas chávenas a tentar que assim fosse. Bebias café todos os dias e sempre à mesma hora. Eu ansiava todos as manhãs por esse momento, como um apaixonado acaba sempre por fazer. Tu bebias o café quente por entre travos de cigarros que deixavas a sobrevoar. Pediste-me lume uma vez, e olhares para mim foi o suficiente para a minha paixão descobrires. Não corei para evitar mostrar o que já estavas a ver. Tu sorriste-me num obrigado de malandrice. Pagaste-me com a moeda de sempre, mas deslizaste a tua mão sobre a minha, para mostrares a suavidade do teu tacto, o que eu sempre imaginei assim ser. Olhaste-me de soslaio quando me virei e tive a certeza que era para eu te poder ver. Perguntaste-me o meu nome que eu me engasguei a dizer mas que lá disse a corar a face. Foste embora sorrindo, repleta de provocação e passaste a tomar café noutro lado.
segunda-feira, abril 19, 2004
Everybody here wants you
Hoje recuperei uma musica de um album que andava perdido faz anos. Sabem como é quando se colocam dois CD's dentro de uma só caixa? Isso. Como não vos posso dar a música cá fica a letra.
(J.Buckley)
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
Such a thing of wonder in this crowd,
I'm a stranger in this town, you're free with me.
And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,
Even now you're undressed in your dreams with me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
I know the tears we cried have dried on yesterday
The sea of fools has parted for us
there's nothing in our way, my love
Don't you see, don't you see?
You're just the torch to put the flame
to all our guilt and shame,
And I'll rise like an ember in your name.
You know I, you know I,
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
Let me show that love can rise, rise just like
embers.
Love can taste like the win of the ages, babe.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.
I know everybody here thinks he needs you,
thinks he needs you
And I'll be waiting right here just to show you.
(J.Buckley)
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
Twenty-nine pearls in your kiss, a singing smile,
coffe smell and lilac skin, your flame in me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
Such a thing of wonder in this crowd,
I'm a stranger in this town, you're free with me.
And our eyes locked in downcast love, I sit here proud,
Even now you're undressed in your dreams with me.
I'm only here for this moment.
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
How our love will blow it all away.
I know the tears we cried have dried on yesterday
The sea of fools has parted for us
there's nothing in our way, my love
Don't you see, don't you see?
You're just the torch to put the flame
to all our guilt and shame,
And I'll rise like an ember in your name.
You know I, you know I,
I know everybody here wants you.
I know everybody here thinks he needs you.
I'll be waiting right here just to show you
Let me show that love can rise, rise just like
embers.
Love can taste like the win of the ages, babe.
And I know they all look so good from a distance,
But I tell you I'm the one.
I know everybody here thinks he needs you,
thinks he needs you
And I'll be waiting right here just to show you.
Um segundo no tempo
Queria voltar a ter quinze anos, para poder olhar para ti com a mesma inocência desses tempos. Quando o futuro ainda era distante, e a vida parecia durar eternamente. Quando os segundos que perdia no teu olhar, quando o momento em que a tua defesa finalmente baixava era a vida toda condensada num instante. Esse era o tempo que valia prolongar, essa riqueza que a experiência foi matando.
domingo, abril 18, 2004
Prostituição
As palavras como que se prostituiem. Andam com toda a gente, mesmo que ninguém as respeite, ou que as conheçam realmente. O que vale, é que as palavras ainda me seduzem.
A justiça do amor
A vida é mesmo ingrata para quem ama, mas são os que têm as melhores compensações quando são amados. O que até está justo.
A voz
Felizmente os pensamentos não se controlam. Se vivêssemos num mundo onde a voz fosse o pensamento, aprenderíamos rapidamente a controla-lo. É muito humano isto de querer controlar tudo.
O tempo
O tempo foi correndo em volta dos ponteiros. O maior corria mais que o menor e andava sempre a ultrapassa-lo. Era assim todas as horas. Todos os dias.
quinta-feira, abril 15, 2004
Como um livro
Fecho-me como um livro. Apenas a folha marcada, o canto dobrado, o vinco subtil que demarca a folha de abertura de um capitulo novo... caso te dê curiosidade.
quarta-feira, abril 14, 2004
A sala vazia
a sala vazia
eu, eu, eu e eu próprio enchíamos o local. eu que quero partir. eu que quero que tudo permaneça idêntico. eu que quero lutar. e eu próprio que não quero nada.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vou partir, esquecer tudo, começar de novo. estou farto, aborrecido. convido-vos a partirem comigo”
eu próprio ouço-me e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso.
- “deixemo-nos como estamos, haverá dias melhores. garanto-vos. convido-vos a estarem comigo”
eu próprio acho verdade e aplaudo.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vamos deixar de lamúrias, lutemos e venceremos. tenho as armas necessárias. convido-vos a lutarem comigo”
eu próprio sei que tenho essa força e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso. eu próprio quero partir e esquecer. eu próprio quero que tudo se prolongue assim. eu próprio quero lutar e vencer, mas, eu próprio não faço nada.
a sala vazia e eu próprio já não estou lá...
(1990)
eu, eu, eu e eu próprio enchíamos o local. eu que quero partir. eu que quero que tudo permaneça idêntico. eu que quero lutar. e eu próprio que não quero nada.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vou partir, esquecer tudo, começar de novo. estou farto, aborrecido. convido-vos a partirem comigo”
eu próprio ouço-me e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso.
- “deixemo-nos como estamos, haverá dias melhores. garanto-vos. convido-vos a estarem comigo”
eu próprio acho verdade e aplaudo.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vamos deixar de lamúrias, lutemos e venceremos. tenho as armas necessárias. convido-vos a lutarem comigo”
eu próprio sei que tenho essa força e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso. eu próprio quero partir e esquecer. eu próprio quero que tudo se prolongue assim. eu próprio quero lutar e vencer, mas, eu próprio não faço nada.
a sala vazia e eu próprio já não estou lá...
(1990)
terça-feira, abril 13, 2004
Dói-me o dedo
Dor divinal
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
Dezena a dezena
Distúrbios, demência
Decreto
Lealdade errada
Diz-me sem demoras:
'Adoro-te'
Decerto
Deves ter mentido
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
De apontar errado
Dezena a dezena
Destes dedos
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
Dezena a dezena
Distúrbios, demência
Decreto
Lealdade errada
Diz-me sem demoras:
'Adoro-te'
Decerto
Deves ter mentido
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
De apontar errado
Dezena a dezena
Destes dedos
Quem deseja
Não fales alto do desejo que os loucos podem ouvir, e a demência se espalhar. Não suspires de prazer que outros podem invejar, e o ódio se expandir. Não beijes o amor que o amor é doce, e a doçura pode enjoar. Não cantes o encanto que o encanto é deslumbrante, e o que brilha demais pode ofuscar. Não te cubras de desejos porque sabes que: quem deseja mal acaba, e assim a morte do desejo pode alastrar. (1989)
segunda-feira, abril 12, 2004
...
Tenho medo de me perder. Medo de me perder nos teus olhos.
Medo de agir. Medo de sentir o acre da recusa.
Medo de agir. Medo de sentir o acre da recusa.
A Nudez (I)
Ela sabia do meu desejo. Tinha a certeza do seu sorriso infantil. A consciência da sua sensualidade de mulher. Tinha a certeza de um espírito confiante, posta a olho nu pelas palavras e as ofensas subtis. Impunha o seu carinho refazendo a ideia de ternura no meu corpo, uma meiguice renovada no quotidiano. Lia o desejo nos meus olhos quando me tocava e me olhava. Sabia que me aventurava no mapa desconhecido do seu corpo com um olhar sempre terno. Contornando e delineando a estrada do seu corpo com um sorriso encantado nos lábios. Sabia do meu desejo e perpetuava-o.
Segredos
Não se rescrevem conversas tidas em segredo nem pela frincha entreaberta da porta da curiosidade...
quarta-feira, abril 07, 2004
A rapariga do outro dia
Tinha poucos anos, comparados com a idade do universo. Era de cor castanha, mas de raça branca. E ainda todas as cores do cosmo no seu beijar. Cantava canções com as andorinhas, redemoinhava como um rio nas suas danças e berrava com uma angústia que fazia rir. Falava de sedução quando queria sorrir e não chorava senão quando a beijava. O seu sorriso era sempre mais belo quando contornado pela língua. Olhava como um toureiro olha um touro: ameaçador e temeroso. E quando encurralados, os olhos, era como gelo no deserto. Vestia-se do encanto que sabia despertar. Tinha poucos anos, mas apenas um dia para me dar.
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