quinta-feira, abril 15, 2004
Como um livro
Fecho-me como um livro. Apenas a folha marcada, o canto dobrado, o vinco subtil que demarca a folha de abertura de um capitulo novo... caso te dê curiosidade.
quarta-feira, abril 14, 2004
A sala vazia
a sala vazia
eu, eu, eu e eu próprio enchíamos o local. eu que quero partir. eu que quero que tudo permaneça idêntico. eu que quero lutar. e eu próprio que não quero nada.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vou partir, esquecer tudo, começar de novo. estou farto, aborrecido. convido-vos a partirem comigo”
eu próprio ouço-me e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso.
- “deixemo-nos como estamos, haverá dias melhores. garanto-vos. convido-vos a estarem comigo”
eu próprio acho verdade e aplaudo.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vamos deixar de lamúrias, lutemos e venceremos. tenho as armas necessárias. convido-vos a lutarem comigo”
eu próprio sei que tenho essa força e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso. eu próprio quero partir e esquecer. eu próprio quero que tudo se prolongue assim. eu próprio quero lutar e vencer, mas, eu próprio não faço nada.
a sala vazia e eu próprio já não estou lá...
(1990)
eu, eu, eu e eu próprio enchíamos o local. eu que quero partir. eu que quero que tudo permaneça idêntico. eu que quero lutar. e eu próprio que não quero nada.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vou partir, esquecer tudo, começar de novo. estou farto, aborrecido. convido-vos a partirem comigo”
eu próprio ouço-me e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso.
- “deixemo-nos como estamos, haverá dias melhores. garanto-vos. convido-vos a estarem comigo”
eu próprio acho verdade e aplaudo.
a sala vazia
três eus discutem e eu próprio não digo nada.
- “vamos deixar de lamúrias, lutemos e venceremos. tenho as armas necessárias. convido-vos a lutarem comigo”
eu próprio sei que tenho essa força e aplaudo.
a sala vazia
três eus fantasmas e eu próprio em carne e osso. eu próprio quero partir e esquecer. eu próprio quero que tudo se prolongue assim. eu próprio quero lutar e vencer, mas, eu próprio não faço nada.
a sala vazia e eu próprio já não estou lá...
(1990)
terça-feira, abril 13, 2004
Dói-me o dedo
Dor divinal
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
Dezena a dezena
Distúrbios, demência
Decreto
Lealdade errada
Diz-me sem demoras:
'Adoro-te'
Decerto
Deves ter mentido
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
De apontar errado
Dezena a dezena
Destes dedos
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
Dezena a dezena
Distúrbios, demência
Decreto
Lealdade errada
Diz-me sem demoras:
'Adoro-te'
Decerto
Deves ter mentido
Dia-a-dia
Dói-me o dedo
De apontar errado
Dezena a dezena
Destes dedos
Quem deseja
Não fales alto do desejo que os loucos podem ouvir, e a demência se espalhar. Não suspires de prazer que outros podem invejar, e o ódio se expandir. Não beijes o amor que o amor é doce, e a doçura pode enjoar. Não cantes o encanto que o encanto é deslumbrante, e o que brilha demais pode ofuscar. Não te cubras de desejos porque sabes que: quem deseja mal acaba, e assim a morte do desejo pode alastrar. (1989)
segunda-feira, abril 12, 2004
...
Tenho medo de me perder. Medo de me perder nos teus olhos.
Medo de agir. Medo de sentir o acre da recusa.
Medo de agir. Medo de sentir o acre da recusa.
A Nudez (I)
Ela sabia do meu desejo. Tinha a certeza do seu sorriso infantil. A consciência da sua sensualidade de mulher. Tinha a certeza de um espírito confiante, posta a olho nu pelas palavras e as ofensas subtis. Impunha o seu carinho refazendo a ideia de ternura no meu corpo, uma meiguice renovada no quotidiano. Lia o desejo nos meus olhos quando me tocava e me olhava. Sabia que me aventurava no mapa desconhecido do seu corpo com um olhar sempre terno. Contornando e delineando a estrada do seu corpo com um sorriso encantado nos lábios. Sabia do meu desejo e perpetuava-o.
Segredos
Não se rescrevem conversas tidas em segredo nem pela frincha entreaberta da porta da curiosidade...
quarta-feira, abril 07, 2004
A rapariga do outro dia
Tinha poucos anos, comparados com a idade do universo. Era de cor castanha, mas de raça branca. E ainda todas as cores do cosmo no seu beijar. Cantava canções com as andorinhas, redemoinhava como um rio nas suas danças e berrava com uma angústia que fazia rir. Falava de sedução quando queria sorrir e não chorava senão quando a beijava. O seu sorriso era sempre mais belo quando contornado pela língua. Olhava como um toureiro olha um touro: ameaçador e temeroso. E quando encurralados, os olhos, era como gelo no deserto. Vestia-se do encanto que sabia despertar. Tinha poucos anos, mas apenas um dia para me dar.
Círculos
Os teus copos têm círculos na base. Os cigarros têm bases circulares, os teus olhos, as rodas, os pontos, o sol, tudo são circulos em nosso redor. Até o aro mentiroso da inocência. O candeeiro da tua sala, a rolha, o cinzeiro, o isqueiro, os teus seios, até a tua língua faz círculos quando me beija.
O teu relógio, os teus brincos, a tua roupa, e mesmo os teus cabelos quando estão encaracolados. A lua cheia que nos espreita, as colunas, os postes, a escada em caracol que nos leva ao teu sotão. Já viste? Tudo é redondo, tudo anda em círculos, até a tua vida...
O teu relógio, os teus brincos, a tua roupa, e mesmo os teus cabelos quando estão encaracolados. A lua cheia que nos espreita, as colunas, os postes, a escada em caracol que nos leva ao teu sotão. Já viste? Tudo é redondo, tudo anda em círculos, até a tua vida...
terça-feira, abril 06, 2004
Conversas
Homem: Queres continuar a falar sobre isto?
Mulher: Não sei.
Homem: E falar doutra coisa?
Mulher: Não sei.
Homem: De que queres falar então?
Mulher: Quero ouvir-te.
Mulher: Não sei.
Homem: E falar doutra coisa?
Mulher: Não sei.
Homem: De que queres falar então?
Mulher: Quero ouvir-te.
Dos Acordares II
Acorda-me assim que acordares. Quero continuar a ver-te no interior adormecido dos meus olhos. Quero co?ar-te uma vez mais como n?o se deve fazer ?s feridas. ? que estarei talvez ainda acordado
no momento de despertares.
no momento de despertares.
O coração
O coração ao meu lado parece querer dar-se, mas quando se agita mais parece contorcer-se. E quando se expande é que se torna pequeno, e cheio de temor.
Amadurecer
A luz entrava por uma frincha escondida na madeira. Os teu cabelos abraçavam o meu pescoço, deixando a impressão da tua presença. Eu que amadureço nos teus dedos. A frincha abria um facho de luz cada vez mais forte, com o passar da manhã a morder a nossa preguiça. Parecia mais tarde, quando as horas soaram a despertar, tu, no teu movimento de princesa adormecida nas nuvens brancas do algodão. A pele escura e mordida pela noite amorosa; eras um qualquer ideal sonâmbulo e à deriva que aportou uma noite num leito junto à foz. Escondi-te nos meus sonhos tempos demais, Invernos e Primaveras consecutivas de ferrugem, a alma escondida no torniquete do óxido... e a vida tranquila no sentimento de desamor. Eras a imagem de uma rapariga que povoava os sonhos mas tão irreal como as imagens que víamos nas nuvens. As histórias que te escrevi todas desenhadas, traçadas no lápis cor de fogo da minha memória incendiária e pagã, histórias de um novo amor que mata outro inventado. Amadureci um novo amor nos teus lábios. Continuas a dormir com os teus cabelos longos, fazendo caricias dentro dos meus sonhos tranquilos. Tens um novo rosto, tão bonito e mais real do que anteriormente, agora que amadureço noutro coração.
segunda-feira, abril 05, 2004
Links
Finalmente venci a preguiça e actualizei a lista de blogs da Espada Relativa. Alguns dos links já cá deviam estar à muito tempo, outros já deviam ter saído há muito. A culpa não é minha, é da preguiça.....
Duelos
As frases não me saem tão facilmente como dantes. Tenho sempre que pesar a gramagem inoportuna das palavras que caem como folhas soltas no Outono. Andas perdida numa luta de sentimentos contraditórios, e a mentira é para ti um modo de vida. O duelo que fazes entre a razão e o sentimento é o de toda a gente, só que com mais sofrimento. Não sei porque isso te causa tanta estranheza. Mas não te posso explicar. Já quase não gosto de ti.
As palavras continuam contundentes como sempre. As discussões são inevitáveis. Impingis-me o teu amor como se a reciprocidade fosse uma taxa obrigatória que eu tivesse de pagar. Querias que as palavras bonitas me saíssem da boca ao ritmo impulsivo das tuas inseguranças, como se elas fossem um creme que que te protegesse do vento seco que sopra nos dias de Novembro. As palavras bonitas não saiem, ficam presas na garganta, amarrotadas no torniquete das tuas críticas.
Se percebesses o esforço que reservo no meu silêncio...
As palavras continuam contundentes como sempre. As discussões são inevitáveis. Impingis-me o teu amor como se a reciprocidade fosse uma taxa obrigatória que eu tivesse de pagar. Querias que as palavras bonitas me saíssem da boca ao ritmo impulsivo das tuas inseguranças, como se elas fossem um creme que que te protegesse do vento seco que sopra nos dias de Novembro. As palavras bonitas não saiem, ficam presas na garganta, amarrotadas no torniquete das tuas críticas.
Se percebesses o esforço que reservo no meu silêncio...
domingo, abril 04, 2004
Hoje
Eu hoje parei para ouvir a luz e sonhar que o vento paira sobre a névoa. Sem velejar entre os espelhos as imagens discorrem em seco, sem aquele bafo molhado da manhã. Hoje não vejo o mármore das estátuas, nem o cobre ou o bronze esculpido. Paredes meias com as nuvens, a escorrer ideias em jeito de estranheza, onde sugo o alecrim derretido em sumo. Hoje já não quero, porque querer não é querer, nem desejar somente se pode. As aranhas sem teias, desnorteadas, escapam à sua própria fuga e tementes à sua covardia, se arredam. Que os caminhos que desconhecem, resguardam nos olhares silenciosos, só para maltratar a sua própria fragilidade
E hoje, hoje já é ontem...
E hoje, hoje já é ontem...
sábado, abril 03, 2004
...
Esse tempo em que não éramos nada, em que nos perdiámos na memória das coisas. Acabamento único, num quandro, uma pintura de aguarela aonde se vertia a água dos sonhos. A maldição da noite, a maldição dos tempos infindos. Doia-me a alma de Verão. Destruias-me os sonhos por dentro, a alma revirada do avesso. O amor e o desamor em contraste. Uma sinfonia de ódio latente. A vida às escuras, à espera de brilhar nos teus olhos.
quinta-feira, abril 01, 2004
100 Éter nem Eternismos: I2
Será minha a sorte de invejar-te a solidão? E prender no céu uma corda frouxa para segurar-me com a força de dois cavalos e descer por ela a todo o vapor? Será esse o direito de existir? Ou apenas a pena de um réu que nunca se livrou da inocência? Ou é já apenas só sexo o amor?
Parabéns e Champagne
Abram o champagne!! A Espada Relativa faz hoje um ano, mesmo que pareça mentira, até pelo dia de hoje, que nos tenhamos aguentado no activo durante tanto tempo. Claro que houve fases menos de menor actividade e quase não sobrevivemos às férias de Agosto. Este também não é um blog de notícias e nem sempre a inspiração desponta quando queremos. A todos os colaboradores, dos mais aos menos assiduos, eu ergo a minha taça! Aos que por aqui passam para nos lerem, as bebidas são por conta da casa. Salut!!
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