sexta-feira, março 12, 2004

Frase Conclusiva: E Eu Proprio Tambem, e Alias Bem

Quando o pano cai e a nódoa fica
neste fim teatral desta farsa carmim
tom de carne rosada disfarçada de teia
e aranha estranha de vida estragada
Predador e caçador da urbe capital
dos pecados amaldiçoados dos cegos da fé
em cafés sóbrios de gente ébria
e um tudo quase nada mal exigente do bem
na sua homogénea de um ténue radicalismo
de aparências e ares artificiais
a gente quase ébria da loucura latente
que pensa e sente como quem não o faz
nesse juízo incapaz de ajuizar
e perceber o erro crasso que fazem
sem saber, que eu não me esqueço
da maçada desta farsa teatral
de gente que ri tão só por fora
as tristezas e avarezas interiores e em si
25maio90, 11h15mns.

quinta-feira, março 11, 2004

passos ao luar

Sentada na minha pedra, vou desfiando lágrimas ao luar
e escuto o que ele diz.
O mar é calmo hoje, tem todas as tuas qualidades
mas também os teus defeitos,
e quem me dera ser poeta para os poder descrever.
Desfolho pétalas de uma rosa antiga
e desfolho segredos também.
Ninguém me ouve,
que importa?
Só os passos do luar me acompanham
e tu já não estás comigo.
As palavras perdem-se assim, e tanto tu como eu
já não sabemos delas...
As lembranças que caminham por aqui roubam passos ao luar
a quem os dá
e não tenta viver sob uma estrela.
Os astros são sempre assim, frios
(também a tua existência continuou sem mim,
eras o meu sol),
resta um marulho lá no fundo que permita recordar...
Dói-me a alma
e a coragem que não tive de ser feliz.
*

mais uma vez sem título...

Foi sal em vão todo o que chorei
Por ti, por passos que acabam no chão
Por marcas de sonho e saudade onde andei,
Por gotas que me desfolham a fragmentação
*
Foi trilho de mágoa, sem pedaço de céu
Espada que aos teus olhos quase me obrigou
Entrego ao luar o que a minha dor perdeu,
Vou chorando com o mar tudo o que me marcou
*
E quanto mais choro mais o meu mundo cai...
Os passos do luar que de mim já não sai
E o beijo na sombra que o teu tempo me deu...
*
Tentei alcançar o espaço sem mar,
Mas a cor do céu no instante a acabar
E a lágrima que fica p'ra sempre, sou eu...
*
Catarina Inês

quarta-feira, março 10, 2004

KelkeXosElektroNiK

Depois de uma ausência prolongada o KelkeXOse volta com uma nova mistura desta vez dedicada a momentos menos ritmados. Uma sessão Lounge para ouvir até ao inicio da Primavera.
Para ouvir o link está no lado direito.

Playlist:
01. Brandi Ifgray - Stranglehold [4:52]
02. Aqua Bassino - Time To Go [7:36]
03. Miro - Emotions Of Paradise [7:58]
04. Troublemakers - Too Old To Die [4:39]
05. Sven Van Hees - Seasonal Bounty (Smooth '94) [4:45]
06. The Amalgamation Of Soundz - Enchant Me (Original Version) [6:23]
07. Butti - Brasilikum [5:08]
08. Lais - Dorothea (Buscemi Remix) [4:16]
09. Gabin - Terra Pura [5:16]
10. Gare Du Nord - Tune Up [5:18]
11. Miguel Migs - One [4:44]
12. D-Note - D-Votion [7:02]

terça-feira, março 09, 2004

Já não vale

Já não vale olhar para trás
Já não vale sequer o prazer de recordar
Já não vale mais nada; a não ser a razão de não se objectivar

Sou como uma metamorfose surrealista e as minhas palavras, uma osmose de não sei quê

segunda-feira, março 08, 2004

Tales of Oblivion.03

I surrender myself to your knees, it is an entire jailed sun in your sight that bends me down. In that time a forget the honor as I fall in the abyss fulfilled of shyness. Next second all is forgiveness, and I restart to dare you.

Entrego-me a teus pés no momento da procura, é o sol inteiro aprisionado nos teus olhos que me verga. Num instante esqueço-me da honra e tombo no abismo da covardia o meu olhar. No segundo seguinte já esqueci, e recomeço o confronto.

quarta-feira, março 03, 2004

Conversa entre amigos

Transcrevo com o devido consentimento um pequenissimo excerto de uma conversa que tive com uns amigos.

- Ó pá, acredita... Eu não ando lá muito bem.
- Só tenho de acreditar, em menos de uma hora de conversa, já utilizaste expressões como "ando com o coração ao pé da boca", "tenho o estomâgo colado às costas" e "parece que tenho a cabeça a funcionar nos genitais"... não admira.
- ah, ah! Já vi Frankenstein's com melhor aspecto.

terça-feira, março 02, 2004

Tales of Oblivion.02

All the times I hold my thoughts away from you, your blinking eyes are calling me to your mouth. Smiles swirls like a carrousel in a mighty fair, and I as the clown lost in the Mirror House. Sometimes, I forget you. It's a painted trail wished and in permanent drink drawed, but it only lasts a little yearn.

De todas as vezes que os meus pensamentos fogem de ti, os teus olhos reluzentes parecem chamar-me de novo para a tua boca. Os sorrisos rodopiam como um carrossel de uma feira popular, e eu o palhaço na casa dos espelhos. As vezes, não me lembro de ti. É um negro que eu queria riscado a tinta permanente, mas que dura apenas a fracção de um suspiro.

segunda-feira, março 01, 2004

Tales of oblivion.01

When the sun sparks frostly through the wide window who exposes my body to the cold, is when your beauty appeals me most. The images unstable as leafs falling down thru oblivion. The cells are dying in me as they are being done of use, the use of leaving you inside my eyes.

Quando o sol raia numa manhã gelada e da janela aberta com o corpo exposto ao frio é quando mais aprecio a tua beleza. As imagens não ficam e são perenes folhas outonais destacadas da árvore do esquecimento. São células que morrem posta a sua última utilidade, a de eu fechar os olhos contigo lá dentro.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Silêncio

O silêncio é muito relativo, mesmo quando é uma espada gélida que corta a meio uma conversação.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

...

Entre os lírios entreabertos e a verdejante doçura do brilho celeste, abre-se a áurea colmeia de sonhos e morre lentamente na boca o sorriso. Entre a fraternidade esquecida dos beijos e a colmeia de hexagonos doces, derrete-se em mel a luz e posso querer compreender, compreender acima de tudo a loucura patente.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Conversas

Extracto de uma conversa que ouvi nesta noite de Sábado.

- Não achas que ela é um bocado novinha para ti?
- Isso passa-lhe.

Não há dúvida o tempo cura tudo.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Se soubesses o quanto eu vejo para além dos teus olhos, já há muito me terias cegado.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Horizonte

olho o horizonte de uma viagem esquecida, são recortes por entre as montanhas onde são abruptos os pontos de ruptura. peço-te, vem. talvez ignorando o meu nome, o meu rosto, vem irada, vem confusa e mesmo se estiveres perdida, vem. e esquece o teu passado, e esquece a tua ira. encontra-me e corresponde; ao olhar com um beijo; à palavra proferida com a mão dada e amor... acima de tudo. terás o meu poema junto à cabeceira como uma carícia. vem, vem mesmo que eu tenha partido, mesmo que isso signifique regressar a ti depois de te ter perdido no tempo das procuras. eu que era incapaz de controlar ânsias. mas peço-te, regressa. com outro nome, outro rosto. traz só uma mochila às costas, carrega pouca coisa, traz poucas recordações - não te esqueças do humor. traz o poema que ignoravas ser meu, e encontra-me. não no fim do tempo mas no princípio de uma qualquer viagem.
26.Fevereiro.1995

terça-feira, janeiro 27, 2004

As Pedras II

Essa pedra na tua mão, tão pequena e tão redonda do tamanho da palma da tua mão, tens mais pedras para atirar? Essa pedra na tua mão, tão inocente e tão presa na força que fazes, é a mim que a vais atirar? Essa pedra na tua mão tem uma mancha marcada com sangue vivo e brilhante, foi essa a que te atirei?

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Corri

Corri, como a um defunto se faz, a mão gelada pelos olhos em gesto de morte. Corri a mão sempre amena na boca, no peito, até apertar com a força do escândalo a tua barriga de mulher grávida. E corri de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do teu sexo, repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar a todos os olhos de outros. E no teu útero, como um toque divino,
fiz nascer-te em amor para mim.
09.Janeiro.92

quinta-feira, janeiro 22, 2004

O meu grito de amor

O meu grito de amor é como um salto no escuro da tua timidez. Tenho os teus segredos no meu baú, hás de acreditar. Nos beijos que negaste terás o teu desejo mais pueril. Na alma que desleixaste descobrir estará o elixir da tua felicidade. Hás de rogar e pedir a branca pomba esvoaçada, a minha mão estendida de amigo - minh’ alma desacreditada. Hás de sonhar até a perda do meu afecto, pedir de volta o olfacto, a carícia do meu perfume. Querer os beijos do meu amor, trocar lágrimas por sorrisos meus e amar o amor que distribui, que doei, em carícias mutiladas d’ amor.

O meu grito de amor é como a coragem esquecida dos beijos.

Se silenciar a minha boca ou se calar o meu olhar, mesmo que isso não toque o gesto, será sempre impossível sobre o frio do teu olhar sentir o calor do meu desejo. Sempre covarde e sempre tímido, sempre complexado e retraído; (a mais ingénua imagem do meu corpo deixa de transparecer no reflexo da tua imagem; está para sempre calada no teu sorriso, para sempre fechada na tua boca bela)

O meu grito de amor requer mais do que apenas desejo.

Este pensamento em bruto como um diamante não lapidado, só pensa na urgência,
nessa urgência que existe no medo, nesse medo da saudade por onde caminham distâncias longas. Em fiadas infinitas de cordas, nós de medo, de esperança
como que feitos de uma fé latente percorrendo em contínuo o terço. A religiosidade do temor. A irrepreensível saudade.

O meu grito de amor já prescinde da tua voz

A mente, porque a reteve - a tua voz, essa voz memória que é tua, só tua, é uma condição de especiaria como um açúcar para um doce.

O meu grito de amor largou a agonia e o vazio do meu corpo, ecoou para o exterior como um estertor. A minha pálida alegria esvoaçada. E para sempre há de doer
o seu som, em ti. Ou pelo menos, no dia em que o escutares.

Sete x

Um. Um presente envenenado: uma caricia simples fluida de água e um beijo rápido em boca inocente como uma semente não germinada num jardim recente.
Dois. Um dia após só lágrimas, só caricias a envelhecerem, talvez o começo de tormentos em mares azuis... ou sonhos perseguidos por detractores.
Três. Flores desabrocham entre espinhos como rosas oferecidas e despojadas em lixo; uma terra estragada em coberturas de rosas, talvez um jardim germinado a cansar-se, a esgotar-se em lágrimas.
Quatro. Um aniversário de descobertas, um reencontro merecido. Lágrimas reaquecidas na boca do céu. Estrelas gastas num céu de lama e beijos pedidos e não rejeitados.
Cinco. Uma desgraça imprevista; o gesto do beijo - uma traição. Um amor oferecido e outro rejeitado. Amor, fez-se amor na mente. Calcou-se o jardim,
maltrataram-se as flores, choveu, sempre a chuva ácida, o ácido das lágrimas sobre nós a queimarem-nos em labaredas como amor a criar ódio.
Seis. A morte do encanto; a estratégia do fim ou a morte da sensualidade. O jardim que recusa renascer, talvez o tédio da previsão acontecida.
Sete. Uma história por escrever... talvez um apartamento a construir-se
sobre um jardim outrora florido.

terça-feira, janeiro 20, 2004

O Favo

Ela reluziu o espelho azul nos seus olhos, incendiou-lhe os olhos, sempre os olhos; em chamas vagas de amor, de cortesias bem simuladas. Reage com a pele ao seu tacto, sempre a pele; toques suaves. Resta-lhe um pouco de felicidade... ainda… de derrota em derrota derrotado, a tentar almejar a luz rutilante, em beijos e ternuras cansadas. De sempre a sempre, beijos beijados em bocas de mel… boca de abelha. E retirou do seu corpo - como se de um favo fosse - o açúcar em fusão… derretido; em calores de fogo. E no seu corpo – o favo amado - soube lamber o xarope, a geleia açucarada como se bebesse no seu sexo apenas a lágrima de ontem. O seu passado de dores e desventuras desfiguradas - a fogueira - o seu corpo em fogueira doce aonde ele se despede da recordação.