Damn! Na hora que escrevo este post, o blog está tomado por forças externas (ainda nem vi se inimigas...).
Enfim, aguardamos a cavalaria (aka - Shinho)!
sexta-feira, novembro 28, 2003
Down the road
Uma vez mais o blog encerra para fim de semana. Desta feita desloca-se para a capital. Have fun wherever you are!
quinta-feira, novembro 27, 2003
Direito ao ultraje
Em resposta ao comentário e ao post no seu blog, quero somente lembrar ao Manhoso, que eu não pretendo culpabilizar os jornalistas por uma situação cuja conclusão sai notoriamente do seu alcance. A vitória de Valencia não foi consequência das notícias apresentadas sobre a situação de Portugal. Quero apenas lembrar que a qualidade jornalística já viu melhores dias neste país. Quando vemos os jornalistas portugueses em Valencia a pressionarem os pescadores para se revoltarem com a possibilidade de terem, como os colegas portugueses, de ser realojados, que me desculpem, mas dá-me nauseias.
A resposta dos pescadores espanhóis foi sempre calma (perante o normal entusiasmo infanto-debilóide dos jornalistas pátrios) e conclusiva : "Se é para o bem de Espanha, acho bem." Não me interpretem mal, eu penso que todos temos direito à dignidade e ao trabalho. Mas temos de ter em atenção que as atitudes que tomamos e a forma como apresentamos as notícias (e acho que a generalidade actual, se baseia no trash-news), vai influenciar tanto a imagem que temos de nós como a imagem que têm de nós. É que notícias em prime-time dadas com alegre espalhafato como se faz de momento (e friso isto), não contribuem de forma alguma para a elevação do espírito nacional. Eu por exemplo sinto-me incapaz de ver um noticiário nacional na televisão, e bem tento todos os dias. É só fazer um zapping pelos noticiários dos outros países para se ver a diferença. Eu tenho o maior respeito por pescadores (ao contrário da maior parte da população, eu já estive numa traineira e sempre tive contacto e amizades com pescadores), por isso mesmo acho que eles só tinham a ganhar, como todos nós, com a realização da prova em Portugal. Muito mais fica por dizer, mas o exílio de tanto trabalho assim obriga.
A resposta dos pescadores espanhóis foi sempre calma (perante o normal entusiasmo infanto-debilóide dos jornalistas pátrios) e conclusiva : "Se é para o bem de Espanha, acho bem." Não me interpretem mal, eu penso que todos temos direito à dignidade e ao trabalho. Mas temos de ter em atenção que as atitudes que tomamos e a forma como apresentamos as notícias (e acho que a generalidade actual, se baseia no trash-news), vai influenciar tanto a imagem que temos de nós como a imagem que têm de nós. É que notícias em prime-time dadas com alegre espalhafato como se faz de momento (e friso isto), não contribuem de forma alguma para a elevação do espírito nacional. Eu por exemplo sinto-me incapaz de ver um noticiário nacional na televisão, e bem tento todos os dias. É só fazer um zapping pelos noticiários dos outros países para se ver a diferença. Eu tenho o maior respeito por pescadores (ao contrário da maior parte da população, eu já estive numa traineira e sempre tive contacto e amizades com pescadores), por isso mesmo acho que eles só tinham a ganhar, como todos nós, com a realização da prova em Portugal. Muito mais fica por dizer, mas o exílio de tanto trabalho assim obriga.
quarta-feira, novembro 26, 2003
Ultraje
Deixo este meu exilio somente para um pequeno apontamento, espero que a maravilhosa classe jornalística esteja feliz com a realização da "America's Cup" em Valencia... É, os "coitados" dos 30 pescadores vão sofrer muito, pena que não pensem nos 1000 novos empregos que se poderiam ter ganho... Vale mais a "noticia" do que a dignidade nacional.
terça-feira, novembro 25, 2003
Ao Porto de Ti.05
Faz frio. Vejo-te andar na rua cinco andares abaixo, aprecio o teu andar. Sou um voyeur que me aqueço no teu corpo... Duras pouco na paisagem mas eu segredo-te que ainda aqui estás.
Ao Porto de ti.04
Faz tempo que procuro sangue novo na lua mas nem todos os dias o sol nasce nas palavras. Raros são os dias em que a lua sonha mesmo que me agrade que o tempo corra fechado na ampulheta de vidro esfumado com segundas intenções perversas. O tempo arrasta-se na baba do caracol, o tempo não sabe nada do que está para trás; o passado é apenas grão posto a ser desfeito na mó do teu coração.
Ao Porto de Ti.03
Não tinha necessidade disto, podia chorar com a facilidade de uma lágrima só mas o coração esvai-se na fadiga das palavras e é só um sentir desencontrado que me prende às entrelinhas donde suspendem páginas cor de rosa de sonhos desfeitos.
segunda-feira, novembro 24, 2003
Ao Porto de ti. 02
Agarra-me devagar, eu vou cair. São os teus abraços que me empurram e as mãos lassas que me seguram? Estou enganado e não menos perdido, é a loucura que se esvai nos poros da alma. Sinto-me correr longe de mim, como a fuga às lágrimas que escondi nas núvens. O pé na poça, na poça escavada na estrada. A lama escorre, uns quantos grãos de terra sujos do medo. Quase sufoco no arfar do pré-choro. São os olhos que se escapam da sua orbita no ponto geocêntrico dado à fuga. Podes dizer. De qualquer maneira vou morrer.
Ao Porto de ti. 01
Já quase dentro dos teus olhos o pincel da noite fez a traço negro uma lágrima. São os teus olhos de fumo o espesso nevoeiro da minha alma, e o teu sorriso remexido na espuma alva a lama fofa do meu desespero. Ergue-se o dia por uma pitada de vento, a aragem desfaz a areia no teu corpo, esse molde imperfeito dos meus sonhos. Orgulho-me de te sentir na borda esquerda da vida, no convés torto aonde baloiça o mar, aonde cai o crepúsculo na corrida com as estrelas. Não faço desejos de ter ter, outra vez. A noite adormece sem sonhos.
Dantes
Lembro-me de quando eu era um bloguista mais assíduo e diariamente escrevia posts. Bem, as férias vieram e uma dose extra de trabalho e uma fase menos literária foram-me deixando menos activo aqui na Espada Relativa. Lembro-me de que quando nos ausentávamos logo diziámos que iriámos estar ausentes. Bem, esta semana vou estar ausente e impossibilitado de escrevinhar qualquer coisa. Pode ser que, depois desta avalanche de trabalho que culmina nesta semana, Dezembro traga uma nova aragem e uma nova assiduidade. Quem sabe.
sexta-feira, novembro 21, 2003
Redenção
Está largamente incompreendida a capacidade redentora de um "plastron". Muitas vezes a besta interior só é domada após uns constantes socos.
quarta-feira, novembro 19, 2003
Nonsense
Pergunto ao empregado do restaurante oriental :
- Tem gambas em ananás?
Ele olha sobranceiro para mim e responde irónico no seu melhor sotaque:
- Não, mas se quiser pode ir até à cozinha explicar como se faz cozinha chinesa...
Acho que fiquei mais corada que os pagodes da decoração. Nem tive coragem de explicar que pensava tratar-se de um prato tailandês.
- Tem gambas em ananás?
Ele olha sobranceiro para mim e responde irónico no seu melhor sotaque:
- Não, mas se quiser pode ir até à cozinha explicar como se faz cozinha chinesa...
Acho que fiquei mais corada que os pagodes da decoração. Nem tive coragem de explicar que pensava tratar-se de um prato tailandês.
Cumpleaños feliz!
Em dias assim é o que se pode desejar e em duplicado no dia de hoje! Espero que passem um excelente dia. Gosto deste desejo secreto, uma vez que a quem as felicitações são dirigidas, jamais irão passar os olhos por este blog!
terça-feira, novembro 18, 2003
Radicalismos
Tendo uma visão particular em determinados assuntos, vejo que os radicalismos que suportam as mesmas causas que eu subscrevo me colocam em rota de colisão com esses mesmos radicais. Senão vejamos, não compreendo as acções dos activistas "pro-choice", no entanto não sou favorável à legalização indescriminada do aborto. Abomino os anti-tabagistas, mas creio que os fumadores devem respeito a todos (e vice versa...). Sou uma fervorosa adepta do respeito que os animais merecem, mas arrepio caminho se me vejo perante a Liga Protectora.
Defendo que temos que preservar e resguardar o meio ambiente, e o Green Peace causa-me calafrios.
É, penso que a maior parte destes movimentos consegue adeptos incondicionais para as suas fileiras, mas perde parte importante de seguidores pela visão unilateral que preconizam.
Defendo que temos que preservar e resguardar o meio ambiente, e o Green Peace causa-me calafrios.
É, penso que a maior parte destes movimentos consegue adeptos incondicionais para as suas fileiras, mas perde parte importante de seguidores pela visão unilateral que preconizam.
Límpido despertar
Entre o aconchego morno da cama, abrem-se os olhos para um dia brilhante, claro e frio. Saímos de casa com o eucalipto fresco a chocar-nos na pele, nos tons que lembram menta quando inspiramos. Parece sempre que vão correr bem, os dias assim translúcidos. Lembramos os dias de escola, quando no nosso pequeno universo pensávamos que finalmente íamos brincar livres no recreio, sem a clausura da chuva.
Pensamos como éramos felizes e despreocupados. Mas é engano. Recordo que estava muitas vezes angustiada. Crescer custa. E perceber a vida em todas as suas vertentes e condicionalismos sempre me pareceu um grande desafio. Por isso agradeço a ajuda que tive. Da família. De ti.
Pensamos como éramos felizes e despreocupados. Mas é engano. Recordo que estava muitas vezes angustiada. Crescer custa. E perceber a vida em todas as suas vertentes e condicionalismos sempre me pareceu um grande desafio. Por isso agradeço a ajuda que tive. Da família. De ti.
segunda-feira, novembro 17, 2003
Mimo
Nada como a debilidade física para fazermos valer a nossa condição da velha infância. Quem pode recusar todas as vontades a uns olhos febris?
sexta-feira, novembro 14, 2003
quinta-feira, novembro 13, 2003
Circo
Primeiro pensei que o amor era feito de uma luta transparente mas com o respirar confuso e sofrido do passar dos dias a aliança que unia as relações ficava baça e descorada, ou mesmo com a brancura de uma folha de papel sem palavras. Essa altura rasante do amor como uma planície de distâncias visíveis que só serviam para ocultar o querer e o amar; todo ele feito de conquista e engano e jogo, e de muito querer mas pouco querer de amor. A vida foi-se escorrendo entre o coador do tempo e filtrava-se entre as dores que não diluíam, nem facilmente as mais pequenas que se mantinham à tona nem as grandes que caiam como pedras que rolavam montanha abaixo. Era o precipício de uma zanga pelos amantes escarpada e, entre essas encostas profundas de iras sombrias, o vale fundia-se cada vez mais marcando linhas e linhas nessa curva de desnível. de afinidades já esquecidas de um amor falseado.
Mas no segundo que te conheci...
Foi como tornar pequenas todas as serras e altas montanhas, no alto desse estado de espírito tremendo de um frio feito de temor e imobilidade, de uma ânsia forte como uma âncora, aportava-me ao teu olhar doce e, encostado a esse porto, esse leito calmo da esperança do teu desejo o meu beijo imaginável desprendia-se do meu silêncio vogando num ar de olhares fugidios e quereres escondidos de encontro a uma boca imaginada, grande fofa e quente; um algodão doce numa feira de fantasia de um circo em nosso redor capaz de nos fazer rir, de nos fazer rir o risco de um trapézio sem dor nem rede. E nós, palhaços dessa covardia que é falar com um olhar e afastar da boca a palavra que faz do querer a verdade; a verdade do querer e de isso acontecer.
E mesmo eu fazendo-te sorrir do nosso espectáculo; eu, de lugar em lugar, eu a mostrar que usavas a máscara de tinta branca e mimo de graça, e lábios vermelhos de engano, e o nariz redondo e grande, e a cabeleira laranja do pôr do sol do final da nossa caminhada. Nessa esplanada de um ar livre que nos prendeu não soubemos retirar a máscara que nos fazia sorrir, ainda que incomodados por esse sorrir do querer e do desejo. Até os palhaços que nós éramos sem percebermos que o espectáculo feito de máscaras de ocultar em vez de falarem o desejo que se calava nos nossos olhos de amar, e ficava sem poder respirar escondido na máscara triste e sem magia da covardia.
Mas no segundo que te conheci...
Foi como tornar pequenas todas as serras e altas montanhas, no alto desse estado de espírito tremendo de um frio feito de temor e imobilidade, de uma ânsia forte como uma âncora, aportava-me ao teu olhar doce e, encostado a esse porto, esse leito calmo da esperança do teu desejo o meu beijo imaginável desprendia-se do meu silêncio vogando num ar de olhares fugidios e quereres escondidos de encontro a uma boca imaginada, grande fofa e quente; um algodão doce numa feira de fantasia de um circo em nosso redor capaz de nos fazer rir, de nos fazer rir o risco de um trapézio sem dor nem rede. E nós, palhaços dessa covardia que é falar com um olhar e afastar da boca a palavra que faz do querer a verdade; a verdade do querer e de isso acontecer.
E mesmo eu fazendo-te sorrir do nosso espectáculo; eu, de lugar em lugar, eu a mostrar que usavas a máscara de tinta branca e mimo de graça, e lábios vermelhos de engano, e o nariz redondo e grande, e a cabeleira laranja do pôr do sol do final da nossa caminhada. Nessa esplanada de um ar livre que nos prendeu não soubemos retirar a máscara que nos fazia sorrir, ainda que incomodados por esse sorrir do querer e do desejo. Até os palhaços que nós éramos sem percebermos que o espectáculo feito de máscaras de ocultar em vez de falarem o desejo que se calava nos nossos olhos de amar, e ficava sem poder respirar escondido na máscara triste e sem magia da covardia.
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