sexta-feira, novembro 28, 2003

They've taken us over!

Damn! Na hora que escrevo este post, o blog está tomado por forças externas (ainda nem vi se inimigas...).
Enfim, aguardamos a cavalaria (aka - Shinho)!

Down the road

Uma vez mais o blog encerra para fim de semana. Desta feita desloca-se para a capital. Have fun wherever you are!

quinta-feira, novembro 27, 2003

Direito ao ultraje

Em resposta ao comentário e ao post no seu blog, quero somente lembrar ao Manhoso, que eu não pretendo culpabilizar os jornalistas por uma situação cuja conclusão sai notoriamente do seu alcance. A vitória de Valencia não foi consequência das notícias apresentadas sobre a situação de Portugal. Quero apenas lembrar que a qualidade jornalística já viu melhores dias neste país. Quando vemos os jornalistas portugueses em Valencia a pressionarem os pescadores para se revoltarem com a possibilidade de terem, como os colegas portugueses, de ser realojados, que me desculpem, mas dá-me nauseias.
A resposta dos pescadores espanhóis foi sempre calma (perante o normal entusiasmo infanto-debilóide dos jornalistas pátrios) e conclusiva : "Se é para o bem de Espanha, acho bem." Não me interpretem mal, eu penso que todos temos direito à dignidade e ao trabalho. Mas temos de ter em atenção que as atitudes que tomamos e a forma como apresentamos as notícias (e acho que a generalidade actual, se baseia no trash-news), vai influenciar tanto a imagem que temos de nós como a imagem que têm de nós. É que notícias em prime-time dadas com alegre espalhafato como se faz de momento (e friso isto), não contribuem de forma alguma para a elevação do espírito nacional. Eu por exemplo sinto-me incapaz de ver um noticiário nacional na televisão, e bem tento todos os dias. É só fazer um zapping pelos noticiários dos outros países para se ver a diferença. Eu tenho o maior respeito por pescadores (ao contrário da maior parte da população, eu já estive numa traineira e sempre tive contacto e amizades com pescadores), por isso mesmo acho que eles só tinham a ganhar, como todos nós, com a realização da prova em Portugal. Muito mais fica por dizer, mas o exílio de tanto trabalho assim obriga.

quarta-feira, novembro 26, 2003

Ultraje

Deixo este meu exilio somente para um pequeno apontamento, espero que a maravilhosa classe jornalística esteja feliz com a realização da "America's Cup" em Valencia... É, os "coitados" dos 30 pescadores vão sofrer muito, pena que não pensem nos 1000 novos empregos que se poderiam ter ganho... Vale mais a "noticia" do que a dignidade nacional.

terça-feira, novembro 25, 2003

Ao Porto de Ti.05

Faz frio. Vejo-te andar na rua cinco andares abaixo, aprecio o teu andar. Sou um voyeur que me aqueço no teu corpo... Duras pouco na paisagem mas eu segredo-te que ainda aqui estás.

Ao Porto de ti.04

Faz tempo que procuro sangue novo na lua mas nem todos os dias o sol nasce nas palavras. Raros são os dias em que a lua sonha mesmo que me agrade que o tempo corra fechado na ampulheta de vidro esfumado com segundas intenções perversas. O tempo arrasta-se na baba do caracol, o tempo não sabe nada do que está para trás; o passado é apenas grão posto a ser desfeito na mó do teu coração.

Ao Porto de Ti.03

Não tinha necessidade disto, podia chorar com a facilidade de uma lágrima só mas o coração esvai-se na fadiga das palavras e é só um sentir desencontrado que me prende às entrelinhas donde suspendem páginas cor de rosa de sonhos desfeitos.

segunda-feira, novembro 24, 2003

Ao Porto de ti. 02

Agarra-me devagar, eu vou cair. São os teus abraços que me empurram e as mãos lassas que me seguram? Estou enganado e não menos perdido, é a loucura que se esvai nos poros da alma. Sinto-me correr longe de mim, como a fuga às lágrimas que escondi nas núvens. O pé na poça, na poça escavada na estrada. A lama escorre, uns quantos grãos de terra sujos do medo. Quase sufoco no arfar do pré-choro. São os olhos que se escapam da sua orbita no ponto geocêntrico dado à fuga. Podes dizer. De qualquer maneira vou morrer.

Ao Porto de ti. 01

Já quase dentro dos teus olhos o pincel da noite fez a traço negro uma lágrima. São os teus olhos de fumo o espesso nevoeiro da minha alma, e o teu sorriso remexido na espuma alva a lama fofa do meu desespero. Ergue-se o dia por uma pitada de vento, a aragem desfaz a areia no teu corpo, esse molde imperfeito dos meus sonhos. Orgulho-me de te sentir na borda esquerda da vida, no convés torto aonde baloiça o mar, aonde cai o crepúsculo na corrida com as estrelas. Não faço desejos de ter ter, outra vez. A noite adormece sem sonhos.

Dantes

Lembro-me de quando eu era um bloguista mais assíduo e diariamente escrevia posts. Bem, as férias vieram e uma dose extra de trabalho e uma fase menos literária foram-me deixando menos activo aqui na Espada Relativa. Lembro-me de que quando nos ausentávamos logo diziámos que iriámos estar ausentes. Bem, esta semana vou estar ausente e impossibilitado de escrevinhar qualquer coisa. Pode ser que, depois desta avalanche de trabalho que culmina nesta semana, Dezembro traga uma nova aragem e uma nova assiduidade. Quem sabe.

sexta-feira, novembro 21, 2003

Redenção

Está largamente incompreendida a capacidade redentora de um "plastron". Muitas vezes a besta interior só é domada após uns constantes socos.

Leve, levemente...

Ou como a imprensa vem direccionando o sentido da nossa visão da realidade.

quarta-feira, novembro 19, 2003

Nonsense

Pergunto ao empregado do restaurante oriental :
- Tem gambas em ananás?
Ele olha sobranceiro para mim e responde irónico no seu melhor sotaque:
- Não, mas se quiser pode ir até à cozinha explicar como se faz cozinha chinesa...
Acho que fiquei mais corada que os pagodes da decoração. Nem tive coragem de explicar que pensava tratar-se de um prato tailandês.

Cumpleaños feliz!

Em dias assim é o que se pode desejar e em duplicado no dia de hoje! Espero que passem um excelente dia. Gosto deste desejo secreto, uma vez que a quem as felicitações são dirigidas, jamais irão passar os olhos por este blog!

terça-feira, novembro 18, 2003

Radicalismos

Tendo uma visão particular em determinados assuntos, vejo que os radicalismos que suportam as mesmas causas que eu subscrevo me colocam em rota de colisão com esses mesmos radicais. Senão vejamos, não compreendo as acções dos activistas "pro-choice", no entanto não sou favorável à legalização indescriminada do aborto. Abomino os anti-tabagistas, mas creio que os fumadores devem respeito a todos (e vice versa...). Sou uma fervorosa adepta do respeito que os animais merecem, mas arrepio caminho se me vejo perante a Liga Protectora.
Defendo que temos que preservar e resguardar o meio ambiente, e o Green Peace causa-me calafrios.
É, penso que a maior parte destes movimentos consegue adeptos incondicionais para as suas fileiras, mas perde parte importante de seguidores pela visão unilateral que preconizam.

Límpido despertar

Entre o aconchego morno da cama, abrem-se os olhos para um dia brilhante, claro e frio. Saímos de casa com o eucalipto fresco a chocar-nos na pele, nos tons que lembram menta quando inspiramos. Parece sempre que vão correr bem, os dias assim translúcidos. Lembramos os dias de escola, quando no nosso pequeno universo pensávamos que finalmente íamos brincar livres no recreio, sem a clausura da chuva.
Pensamos como éramos felizes e despreocupados. Mas é engano. Recordo que estava muitas vezes angustiada. Crescer custa. E perceber a vida em todas as suas vertentes e condicionalismos sempre me pareceu um grande desafio. Por isso agradeço a ajuda que tive. Da família. De ti.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Mimo

Nada como a debilidade física para fazermos valer a nossa condição da velha infância. Quem pode recusar todas as vontades a uns olhos febris?

sexta-feira, novembro 14, 2003

Nebuloso

Em acordes que nos estilhaçam a alma, ouvimos músicas que nos estão gravadas na memória com um tendão para as situações vividas. De cada vez que as ouvimos, algo mexe dentro de nós.

Sollozos

Não há nada mais triste do que ter a alma aos soluços.

quinta-feira, novembro 13, 2003

Circo

Primeiro pensei que o amor era feito de uma luta transparente mas com o respirar confuso e sofrido do passar dos dias a aliança que unia as relações ficava baça e descorada, ou mesmo com a brancura de uma folha de papel sem palavras. Essa altura rasante do amor como uma planície de distâncias visíveis que só serviam para ocultar o querer e o amar; todo ele feito de conquista e engano e jogo, e de muito querer mas pouco querer de amor. A vida foi-se escorrendo entre o coador do tempo e filtrava-se entre as dores que não diluíam, nem facilmente as mais pequenas que se mantinham à tona nem as grandes que caiam como pedras que rolavam montanha abaixo. Era o precipício de uma zanga pelos amantes escarpada e, entre essas encostas profundas de iras sombrias, o vale fundia-se cada vez mais marcando linhas e linhas nessa curva de desnível. de afinidades já esquecidas de um amor falseado.

Mas no segundo que te conheci...

Foi como tornar pequenas todas as serras e altas montanhas, no alto desse estado de espírito tremendo de um frio feito de temor e imobilidade, de uma ânsia forte como uma âncora, aportava-me ao teu olhar doce e, encostado a esse porto, esse leito calmo da esperança do teu desejo o meu beijo imaginável desprendia-se do meu silêncio vogando num ar de olhares fugidios e quereres escondidos de encontro a uma boca imaginada, grande fofa e quente; um algodão doce numa feira de fantasia de um circo em nosso redor capaz de nos fazer rir, de nos fazer rir o risco de um trapézio sem dor nem rede. E nós, palhaços dessa covardia que é falar com um olhar e afastar da boca a palavra que faz do querer a verdade; a verdade do querer e de isso acontecer.

E mesmo eu fazendo-te sorrir do nosso espectáculo; eu, de lugar em lugar, eu a mostrar que usavas a máscara de tinta branca e mimo de graça, e lábios vermelhos de engano, e o nariz redondo e grande, e a cabeleira laranja do pôr do sol do final da nossa caminhada. Nessa esplanada de um ar livre que nos prendeu não soubemos retirar a máscara que nos fazia sorrir, ainda que incomodados por esse sorrir do querer e do desejo. Até os palhaços que nós éramos sem percebermos que o espectáculo feito de máscaras de ocultar em vez de falarem o desejo que se calava nos nossos olhos de amar, e ficava sem poder respirar escondido na máscara triste e sem magia da covardia.

Estridente

Nada pior do que ser assaltada por uma galopante enxaqueca. É de ficar desarmada.

Deliruim tremens

É a patologia que sofro quando reparo na forma como as notícias são feitas neste país.

Correr

O tempo que se encurta será mesmo fruto de escassez, ou não será mera consequência directa de procurarmos no exterior a sua passagem em vez de nos voltarmos para nós? A dialéctica interna despoleta incompatibilidades com a vivência moderna.

Em branco

Depois das tentativas frustradas para o sono chegar, acendeu a luz e ficou a olhar para o tecto. Ainda ouvia as vozes que ecoavam na memória. Eram aquelas vozes distantes, que nos trazem as recordações de momentos vividos, mas que por uma estranha razão não compreendemos. Quanto mais se esforçava para ouvir o que diziam as vozes, mais distantes elas pareciam estar.
Nem era perceptível a língua em que eram faladas. Como quando adormecemos em frente ao televisor, as vozes iam distanciando-se e aproximando-se, consoante o nível de atenção. Quanto mais atenta, mais distantes se tornavam. Novas voltas na cama e o inferno parecia não passar. Tentar relaxar, sim, poderia ajudar. Mas como seria possível com a algazarra que faziam? Sentou-se. Inspirou profunda e pausadamente. Pegou no copo da cabeceira e bebeu.
Os goles da água fresca deslizaram pela garganta como um pano que limpa o mais encardido espaço.
Estava tranquila. Sorriu e voltou a deitar-se.

quarta-feira, novembro 12, 2003

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Nada. É o que eu sinto hoje.

Iceberg (a S.)

Se eu tivesse uma alma forte que te içasse mostrava ao mundo o iceberg da tua beleza.

Magia

O mágico Luis de Matos propôs-se a adivinhar o resultado do jogo particular entre o FC Porto e o Barcelona para a inauguração do Estádio do Dragão. Não seria nada mágico que ele conseguisse adivinhar os resultados dos próximos jogos da Superliga.

terça-feira, novembro 11, 2003

Estratagema

Já com dois cães vejo-me agora mãe de acolhimento de uma Serra da Estrela de 8 semanas. A incompatibilidade de raças fica provada. Nenhum dos cães se suporta e tenho de recorrer a artifícios vários para conseguir tirar a cachorrinha de casa nas suas visitas ao veterinário. É espantosa a ira de um mastim no auge do ciúme (principalmente quando provido de vantagem física em relação a mim...).

Montanha

A relação com o divino sai sempre estracinhada quando vivemos na projecção do nosso bem em função dos demais. Quem é que pode dizer que o altruísmo não é uma forma pura de gozo individual?

Vale

Procuramos atingir o mínimo de satisfação pessoal até no mais absurdo que fazemos. Só assim se pode compreender os prasenteiros passeios de fim de semana nos centros comerciais.

Planície

Estamos quietos e sossegados no nosso cantinho quando o mundo se despeja sobre nós na forma mais bárbara, temos de seguir o designio diário da labuta.

segunda-feira, novembro 10, 2003

Non-stop

Ontem, na viagem de Lisboa -Porto, considerções várias assaltaram-me a mente sobre o futuro destas viagens já sob os auspícios do AVE (não utilizo a designação francesa). Qual não foi a minha surpresa ao verificar que alguém que muito admiro já tinha feito um texto sobre o assunto! Imperdivel.

sexta-feira, novembro 07, 2003

Interregno

Viver no constante abafo das certezas, engolindo as verdades escondidas. Momentos de loucura em que podemos libertar o que nos corrói. A pureza dos sentimentos camuflados em simpatias várias. Extrapolar razões sem sentido. Suspirar por alma. Respirar por sentir. A verdade é que somos uma pálida sombra do que gostariamos de ser.

quinta-feira, novembro 06, 2003

Meridianos

Está já traçado o essencial da nossa existência ou teremos a hipótese da redenção?

Paralelos

Em caminhos semelhantes que nunca se tocam. Somos assim tão distintos ou tão iguais?

terça-feira, novembro 04, 2003

Sombras

raras sombras sobrevoaram o meu quarto com tão vasta e intensa penumbra, deixando acre o paladar apagado no céu da boca. eu, já esquecido do trago húmido do teu último beijo com a minha mão estendida, os olhos abertos à torneira do choro. entretendo-me nesse espaço oco, percorrendo o fim da cama alugada onde só uma saudade porosa o poderia preencher e um grilo cantor trazia lembranças fantasmas com os seus delírios translúcidos. o calor doía só de respirar uma ausência
ainda que mais de um verão depois.

Rodopio

Olho em todas as direcções, num movimento rápido e zonzo, de cores fugidias. Não estás. Paro. Penso com mais calma. Continua a vertigem do tempo que passa num ápice. Espero. Rasgos de vermelho ainda me piscam na memória. Amarelo fugaz. Sigo o instinto que me direcciona para ti. Tento alcançar-te, toco levemente na tua roupa, quase que te agarro. Segues o teu caminho, não me sentes, não me vês.
Desespero. Sento-me no chão já esgotada. Deixo-me tombar para trás e vejo o céu. Reparo então que é lá que eu estou. Tu estás aqui em baixo. Nunca te alcançarei.

segunda-feira, novembro 03, 2003

Nuvens

Nunca tinha percebido que eras uma nuvem, nem mesmo quando o meu coração pingava, sim, um gotejar constante que fazia eco quando as gotas embatiam no chão de cristal. Dentro do meu corpo para me enternecer o sangue rejubilava. Nem mesmo depois da lua cheia, sim, quando nos deitamos na praia e o amargo sentir inundava-me na sua água. Só nessa altura reparei que os teus olhos choravam, sim, nunca tinha reparado no seu azul, no que do brilho estranho e visível era apenas o colorir vítreo e raiado do choro. Sim, tu fazias aquários nos teus olhos e de sorriso fingido sempre mentias com a boca pequena. A tua boca amada presa naquele arfar silencioso do amor. O teu silêncio destruía uma vida escondida; a tua, entregue a um acovardar, ao medo de um acabar algo nunca havido. E gelada ficava a promessa de uma união, como uma gota aprisionada no alto de uma nuvem. A tua vida com a minha, atada num torniquete de vontade que te infligia a medieval tortura de um dilacerar. Eu nunca descongelava a água aprisionada nos meus olhos mas passou a chover todos os dias.

Pesaroso

Há dias em que o peso da tristeza nos faz andar curvos.

sexta-feira, outubro 31, 2003

(e/ou) Parte II

O (e/ou) foi escrito entre 28.dezembro.94 e 09.fevereio.95, esta é a parte 2. A parte 1 fui publicando aos pedaços e deve estar nos arquivos da Espada. Quando o escrevi foi mais como um exercicio sobre o ritmo do texto, nada mais do que isso.

(e/ou) 2.12

depois fiquei triste, só isso de ficar triste, de dar mais um ponto à saudade; por um telefonema, não veio; por uma mensagem, via-a.
para dizer não, um ponto mais ao desejo de compartilhar, novamente.
a falta de não estar ou de estar contigo e, se estás onde estás, onde dizes que estás é dúvida minha que dissipo porque me esforço, porque assim quero acreditar. na verdade que dizes ser tua, pela confiança de...

(e/ou) 2.11

partida adiada, regresso precipitado. o que esperar? um porquê? razões? ou uma espera longa?
a espera. pouco tempo, pouco espaço. hipótese para a descoberta. difícil, difícil outra vez. quase como sempre: infrutífero!...
o futuro eu não digo ou não sei, e se soubesse talvez não diria: se me enganava, talvez!... creio nisso, penso nisso.
espera, adiar...constante.

(e/ou) 2.10

se eu for à tua terra não me deixes ver essa terra, como disseste às escuras. e eu, ainda contigo... mas mostra-te ou mostra a cidade, o que é teu nela que é na mesma: mostra-te. só a ti te quero ver. e à cidade. a que não queres mostrar-me, mostra-te: mostra-me. e eu olho. e gosto.

(e/ou) 2.09

corri.
ao teu sinal ou ao teu chamar, sem saber seres mesmo tu. e eras. tu. longe. dizes: longe. sim. tu.
ouço-te, isso quebra distâncias. sinto-te, por isso corri. sim. isso de saber que eras tu. ao telefone.
tu. e eu. ao telefone. sempre longe. na mesma, ainda: perto. a sentirmo-nos, ao telefone. sim.
tu. e eu

(e/ou) 2.08

num caso ou noutro, há uma ligação a uma terra que fica longe. ainda por cima isso. sim, isso de ficar longe.

Rescue me!

Sinto-me refem da jorna.

quinta-feira, outubro 30, 2003

(e/ou) 2.07

partida.
sempre uma viagem e um prenúncio de saudade. pára, e recorda: as mãos puxadas e repuxadas por um fio invisível, agindo descontroladas, demedidas. e frenéticas. ao som da música como uma cobra enfeitiçada; a música bate estonteante, estou a vê-la no ritmo, perdida no ritmo, na vida, toda ela, no que se passa ao seu lado, no que se passa na sua vida. a vida na sua vida: carrossel como bebedeira. tonta: de dança, do álcool, do vício da vida.
há-de chegar, chegar a algum lado, talvez já não tão perdida. reencontrada. ou ainda mais tonta, mais ébria do vício de viver, de fazer o querer, sem pensar, sem sentir. a querer,sem pensar, sem parar. e gira e rodopia, sempre a partir, sempre a querer chegar ou sem nunca parar.

Malos tiempos

O que pode ser pior do que estar remetida para um exilio à força de demasiado trabalho?

quarta-feira, outubro 29, 2003

(e/ou) 2.06

horrível este carnaval de gente desmascarada a intriguista, a rugirem snobes e petulantes o tiro à ponta de espingarda de especulações de merda. justiça?! façam-na, mas ouçam antes de condenarem, saibam bem do que falam ou calem.
horrível carnaval de gente mascarada, mostrando entre dentes a saliva perfumada a intriga, e olhares trancados em casas alheias e sempre muita renúncia a enfrentar a palavra séria, e a que doi, e a que importa, e... ... talvez já sem palavras.

(e/ou) 2.05

atrapalhou-se.

desajeitado, nervoso a fazer a declaração. estava incapaz de lhe dizer sim. sim: respondeu. apenas e afinal a uma banal pergunta. Ainda com os olhos pousados sobre os dela, sem fazer muita força para não soltar um sorriso. um sorriso: gostou da ideia. sim. consentiu agora sentar-se. melhor assim. sorriu. tens graça a sorrir: disse ela. corou, claro.

atrapalhou-se.

ia segurar-lhe na mão mas o dedo indicador traiu-o numa carícia. ela abriu os olhos. os dele tombaram. ela, sempre com imenso carinho, levantou-lhe o rosto pelo queixo com a mão espalmada de quem se entrega. atrapalharam-se. os lábios mereciam um beijo, nem sequer um sorriso. havia gente em volta, imensa gente. olharam-se e segredaram: sim!... é a melhor saída. depois, duas direcções ou não...

segunda-feira, outubro 27, 2003

(e/ou) 2.04

um dedo um dedo encurralado noutro dedo. maneiras bem mais fáceis de morrer, há outras, muitas outras. início onde tudo começa.

foi assim: disse. como se houvesse um fim. havido: perguntou.
depois disse que eu não queria saber. que as perguntas a atrapalhavam e que já nada podia saber. ainda disse: reticências.

um dedo um dedo encurralado numa língua. era talvez mau, assim pior: pensou.
mas há outras coisas, muitas outras coisas, claro. como sorrir feliz

e depois disse que os corpos se misturavam e que de mais nada queriam saber. que se fechavam assim, sozinhos: concluiu. e que há sempre mais do que uma conclusão para todas as coisas: o isto e o aquilo, ou como o toque de um dedo pode magoar: disse.

Cegueira imoral

Agora que as prostitutas já podem pagar impostos uma questão permanece por desvendar. O recibo vem com o valor descontado do que remanesce da extorsão do respectivo chulo, ou as prostitutas, que ainda não podem ser legalizadas por uma cegueira mais imoral do que a suposta imoralidade de vender o corpo, para além de terem de entregar o dizimo aos extorcionários dos chulos ainda vão ter de pagar imposto sobre um valor que não recebem? E os chulos também podem pagar impostos? É que as prostitutas que persistimos em manter ilegais nem credibilidade têm para acusar os respectivos chulos extorcionários porque se estão a auto-denunciar de uma infracção bem menos grave do que a gravidade miserável de que são acometidas. Diz-se que a justiça deve ser cega, e eu sublinho, mas desta cegueira da sociedade somos todos culpados por mantermos o silêncio. Como não temos coragem para mudar a situação, nós, a sociedade "moral" preferimos ignorar. O melhor é não mexer muito no que já sedimentou e a legislação um fóssil muito parecido com um câncer.

domingo, outubro 26, 2003

(e/ou) 2.03

acordei a precisar, ou talvez não, e volto a adormecer. apareces no sonho já velha, eu incapaz de esperar, ou esperar tão pouco de ti. foges à procura de um precipício talvez uma loucura mais,
ou nada que se pareça com isso e ainda, ou ainda assim, emerges da emergência desse sentir. possesso. que é querer, de venda nos olhos como se tudo fosse possível, ou só bater em tudo
para chegar a nada. sonho aborrecido e acordei.

(e/ou) 2.02

hei-de querer sentir-me roubado nem que somente aquele beijo que pediste e não dei. só por pensar, ou achar, que o podias ter feito, pedido, ou noutra altura ou doutra forma. e talvez consiga
menos roubado sentir-me, roubado mesmo a sério. sentido como dor e perda, na mesma dor, na mesma perda. por um porquê que não posso contar, ou não devo?

(e/ou) 2.01

estou à espera, a vida repete-se. não é isso que quero. um pé cá outro lá:
já disseste ou já partiste e deixarás onde o coração?
lá ou cá? receio de partir, receio de ficar. o meu e o teu. e/ou vice-versa.
(depois pensei noutra coisa que não tinha nada a haver mas era outra, e só por isso, um alívio; que viver de pensar na mesma estúpida equação ? irresolúvel por sinal ? era por si só, um resultado positivo)
estou à espera a história repete-se, repetem-se os finais ou a história muda? o tempo cura mas também estraga; a ausência sossega mas também adormece e tu preocupas-te ou julgas que eu não?

sexta-feira, outubro 24, 2003

"Inté"

Como o futuro é uma incógnita neste meu oficio, deixo desde já o desejo que passem um bom fim de semana.
Eu vou rumar a outras paragens. God bless you all!

Castanho

Neste momento estou como esta cor. Castanho. Deve ser a cor mais estranha que existe, mais dualista, senão vejamos : madeira quente (lembra dias descalça em correrias pela sala) versus madeira fria (lembra o toque no caixão da mais dolorosa partida) ; chocolate (sabor suave que preenche) versus terra (sensação agreste de terra húmida nas brincadeiras de verão). É, sinto-me mesmo assim. Vou feliz, e triste estou de não partir.

Sopro

Na insistência de novos caminhos, de novas sensações, deixamos para trás toda uma vivência, uma experiência que gastou um pouco de nós. Será assim tão válido o frenético culto que fazemos à novidade?

quinta-feira, outubro 23, 2003

Olhos

O grande inimigo da memória. Ou não os cerrariamos quando tentamos recordar melhor momentos, cheiros ou sensações.

The times are changing

Tão duradoura como uma cruzada, a temporada de jejum aos frutos do cacao, foi agora encerrada. Ainda não sei se para o bem se para o mal.

Providência

Das frases mais significativas da homilia para mim sempre foi e creio que será : "Senhor não sou digno que Entres na minha morada, mais Dizei uma palavra e eu serei salvo". Acho fabulosa a capacidade de descernir numa projecção de extrema humildade a capacidade de redenção.

quarta-feira, outubro 22, 2003

A procura

Estar entre paredes de silêncio, frias e húmidas como os dias tristes de Dezembro. Ver o dia transpor a claridade por entre nuvens carregadas de desespero.
Sentir o frio gélido do vento que corta a pele e nos impede de sorrir. Tentar inspirar, mas agoniar num soluço que prende os sentimentos e nos embrulha as entranhas. Procurar trazer calor ao corpo, quando nos rodeamos do frio que vem da alma. Fechar os olhos e sentir o sangue correr pelas veias desenfreado, por vezes em golfadas que nos cortam a respiração. E seguimos à procura. De quê? Não sei.

Day after

As ressacas nem sempre são causa efectiva de borracheira, bem piores são aquelas ressacas do mal da alma.

Sera' sensato?

Porque é que tantos membros do partido socialista se insurjem agora contra a quebra do segredo de justiça (na sequência da divulgação de escutas telefónicas que foram efectuadas a diversos membros do partido)? Não foram eles percursores da mesma quebra quando tentavam resolver a questão do colega de bancada, conforme se concluí dos excertos das conversas telefónicas?

terça-feira, outubro 21, 2003

Hoje

Hoje precisava, urgia que assim fosse. Devia ter acordado com aquela sensação de menta fresca, quando os dias se apresentam limpos e frios. O dia de hoje é importante. Tinha de ter despertado sem a poeira que os sonhos maus nos deixam. É assim que deveriam ser todos os dias que achamos importantes, começarem brilhantes e frescos, tornarem-se ao longo do dia calmos e mornos; para que os possamos fechar no aconchego da lareira envolvente e quente.
É, os dias importantes devem ser vividos na nossa melhor clausura. São só nossos.

Lembrar

O mais triste suspiro,
do ar que se extingue.

Contrapôr a vida,
no que se segue.

Esperar o reencontro,
que não deve tardar.

Ânsia de ver o olhar,
para o desespero aniquilar.

Calca a alma o sorriso,
de tanto lembrar.

Que fazer?

O que fazer com as saudades que sentimos de alguém que nasce com um sorriso?
Como é que se aguenta passar o tempo sem ver o rosto de quem tem a felicidade espelhada da alma?
O pior que me pôde acontecer foi ser privada da companhia do teu constante esboço alegre no rosto.

segunda-feira, outubro 20, 2003

Celebraçoes

Será correcto celebrarmos em comunhão com o mundo só as alegrias? E as tristezas que nos marcam a alma, não serão elas dignas de apontamentos?

Cantinho

Pergunta para o master :
Já se diz ao Darth Vader - "May the force be with you"?

Never ending story

O que se vê agora sobre os dias que antecederam a detenção de Paulo Pedroso.
Daqui a pouco tenho de fazer um post sobre este assunto com o título "How low can you go"...

sexta-feira, outubro 17, 2003

Ai, ai...

O tempo não é muito. Espero que para a semana a coisa corra melhor... Enfim, designios do proletariado.

terça-feira, outubro 14, 2003

Fado / fade out

Reparei agora que existe uma estranha ligação na conjugação destas três palavras.
A sua implícita longitude que se esvazia dá um arrepio na espinha...

Yuppi hurray!!

É hoje! Espero que este dia seja bom e que os outros 364 também o sejam!

Ups!

Vejo por aí que o espirito "à lo Hitler" ainda sobrevive...
"Eu é que tenho razão!" - adoro esta força argumentativa.
Será que num ringue se passa o mesmo?

segunda-feira, outubro 13, 2003

Inverno

Encontro-me agora em frente ao inverno. O sol tem aquele tom limpo, assepticamente frio. O cheiro do ar já não traz consigo os aromas das flores que nos aquecem a alma. Olho enquanto a tua figura vai desaparecendo na linha do horizonte. Aqui dentro o inverno chega sempre que partes.

sexta-feira, outubro 10, 2003

Mistico entardecer

O sol a aconchegar o mar, numa languida perguiça que traz à memória dias felizes, em sabores de caramelo e laranja. O mar naquela enganadora calmia, fervilha de vida e espelha-se de sol e céu, numa penúmbra de esperanças. O fresco do ar que vem do mar acarreta cheiros de outras paragens, de outras vivências.
Tudo se mistura na amalgama de que são feitas as recordações.
Hoje vivemos a esperança. Amanhã se verá.

Saudade de

O que nunca vivi, mas imaginei por ti;
Cheiros doces e quentes, cores vibrantes;
Contos de antanho,
Sonhos de futuro.

Guinadas na vida,
Grinaldas no chão.

Correrias na areia,
Mergulhos no mar.

Planar do alto,
Aterrar real.

Um blog da direita...

Bem, foi assim que nos chamaram num blog "dos copos" ! Para que fique esclarecido, qualquer opinião assinada neste blog é da exclusiva responsabilidade de quem o assina e nada tem a ver com uma qualquer orientação ideológica dos restantes membros. Como já dissemos anteriormente, os dois gumes são opostos. Quem aqui escreve (agora quase que reduzido a moi même...) tem direito às suas convicções e ideias.

quinta-feira, outubro 09, 2003

Um must!

Desde há muito que é uma visita obrigatória, mas agora com este novo template está mais completo (apesar de, confesso, gostar mais do anterior), o blog do sempre perspicaz Tiago Cavaco. Como o nome indica é uma verdadeira voz.

Signs

Existem palavras que nos fazem dançar no seu próprio significado. Uma dessas palavras é percurso. Toda a carga que esta palavra traz é acentuada pela sua fonética. Delicioso.

Sem palavras

A politica deste país e a cobertura jornalística que lhe é feita.

quarta-feira, outubro 08, 2003

O Sol e' escuro

De repente é um sol, que se põe dentro da garganta, um eco que se esfuma num quarto muito escuro. É a palavra finita que esbarra numa palavra de negro, de luto. É a corda da garganta rompida no ultimo grito, na ultima dor. Os violinos tocam no telhado feito céu de tempestade, são sons perdidos no dedilhado de um concerto insone. É a noite que perdura na ausência do teu sussurro de pele. É o choro da criança que na fome de meio da noite nos desperta. Não nos pomos no lugar um do outro. Nunca. Jamais trocamos de lugares. A noite é de novo o local de chegada e o dia a partida. Somos escuros. Queremos ser negros e vazios. E somos. E somos só a pele, e somos o corpo vazio. Somos a voz indizível, o sonho inatingível. Vivemos paredes meias com o perigo de desmoronar um castelo de cartas de fantasias. É tão giro, acaba-se tudo num pequeno sopro. De repente somos só isso, um sol com interruptor.

Ausência

Há alturas em que é o silêncio que vem povoar as palavras.

Fade out

Quantas vezes não reparamos que é o que acontece com o que nos rodeia?

O estado das coisas

Mais uma hora de almoço em que fico perplexa com a pequenez do nosso país. Passo a explicar :

- durante meses a fio exigem a demissão do Ministro da Ciência e Ensino Superior, depois de "alegadas" provas ( o engraçado é que agora todos as notícias dizem baixinho "o alegado envolvimento" ), o Ministro demite-se e vêm todos a público, quais virgens feridas, bradir que nunca foram contra uma pessoa em particular mas sim contra toda uma linha politica do governo.... Sejam sérios meus senhores, sejam sérios!

- depois da demissão do Ministro C.E.S., pelos mesmos motivos reclama-se a demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, este, passado algum tempo, assim faz e o que é que ouvimos? Que já foi tarde, que o Primeiro Ministro deveria ter tomado uma actitude antes... Por favor, tenham a santa paciência, mas para folhetins acho que basta o que importamos do Brasil!

Conclusão - em vez de serem capazes de apresentar soluções ou uma qualquer politica alternativa, os nossos politicos estão ocos de iniciativa, seguem a reboque dos nossos talentosos jornalistas...

terça-feira, outubro 07, 2003

.......

Hoje estou assim, nem me apetece sequer pensar num título. Acordei, ou melhor, levantei-me com a disposição de um camionista. Hoje é daqueles dias em que tenho um Pipi dentro de mim, só me apetece insultar tudo. É o que dá dormir num sono atribulado, com enredos descabidos e violentos. E um raio de dor de cabeça que mal me deixa abrir os olhos.
É, hoje não devo escrever mesmo mais, para bem de quem lê.
O dia vai seguir seguramente como o título, sem nada conter e tudo esperar.

segunda-feira, outubro 06, 2003

As coisas boas estragam.. as ma's tambem

Uma vez ofereci-lhe um livro de poesia. Gosto de dar palavras. Muito mais do que falar. Às vezes, não sabemos o que querem dizer certas palavras, mas elas soam bem. É um requinte da alma. Outra vez ofereci-lhe um romance. O nosso. A casa dela estava cheia das minhas palavras. As palavras nunca perdem o valor. Às vezes, só se alteram na linha contínua do tempo. Adquirem outro significado. Estás-me sempre a mimar com as palavras, disse-me ela. É, as coisas boas estragam-te... como a uma criança mimada. Deixa estar... as más também!

A rapariga dos olhares

Sexta à noite. Sábado à noite. Tanto dá. Quinta-feira. Um dia qualquer à noite. Nós sempre no mesmo bar. Ela a dançar, a mostrar o seu sorriso e o seu jeito de menina. Eu de copo na mão, para fazer outra coisa que não somente estar a olhar para ela. Ela sempre a dançar, a mover o corpo numa dança a dois com um parceiro invisível. A provocação da dança. Cobre-me de olhares o tempo todo, como se eu tivesse frio. Enche-me de carinho com essa caricia que é o olhar. Mas sempre à distância. Quando passa rente a mim desvia sempre o olhar. Faz de conta que não me conhece. Que não sabe o meu nome que eu próprio lhe disse. Que ela própria repetiu com aquela boca pequena para fingir que o fixava. Mas parece que não me conhece, que só me conhece quando me cobre de olhares para quebrar uma distância que afinal não quer encurtar.

Naufraga

Hoje estou à deriva. Não vou escrever mais.

Mosquito

Tenho-te no meu pensamento como um mosquito, és como o zumbido, que por muito que tente está sempre na minha cabeça.

Sim, isto é para ti.

Obrigada por me fazeres feliz.

Outono

No fim de semana tomei consiência da nova estação.
Deixamo-nos envolver pelo tempo sazonal de forma brutal e nem reparamos. O espirito está como as árvores, com as folhas douradas e à espera de cairem.

sexta-feira, outubro 03, 2003

Nao me apetece

Hoje estou com a disposição de uma traineira de regresso da pesca, só quero que o dia passe para descançar. Tenho um vazio dentro de mim. É a estranha sensação de que algo de mal se vai passar. Os sentidos estão alerta. Parece que o dia se vai passar numa interrupção do seu seguimento normal... Já não faço sentido, é o que dá continuar a dormir intermitentemente...
Espero que passem um bom fim de semana. A ver como chego na segunda.

quinta-feira, outubro 02, 2003

Las huellas qué dejaste

Pior que cicatrizes, são as pegadas que estão entranhadas no nosso mais profundo ser.

Toque

Na pele sente-se a suavidade de sentimentos que passam, ouve-se o silêncio dos que escutam a alma. Muitas vezes as sensações que captamos são fruto da nossa predesposição do momento.

quarta-feira, outubro 01, 2003

O Canto Escuro

Porque estão eles com as faces fechadas um no outro? E sem sorrisos, só com olhares tristes? Estão a fugir? De quê? De quem? Porque estão eles no canto escuro? Terão medo da luz? Ou medo de se olharem olhos nos olhos? E eu, porque os observo? Será que as suas bocas que se tocam, derretem-se e aleijam-se, da dor? do prazer? Será que as suas mãos quando se entrelaçam, transportam mais do que caricias? Comunicarão? E eu porque os observo? Talvez o canto escuro seja um abrigo, de quê? de quem? Da luz? Não, se fosse pela luz, porque fechariam os olhos quando se beijam? Talvez o canto escuro seja a sua solidão? Quererão privacidade? E eu, porque os observo?

Frase do dia

Diz-me um inglês na sua primeira visita ao nosso país
"Ainda tentei aprender algo de português, mas nem o meu castelhano se safa! Só mesmo japonês..." E ainda dizem que a nossa língua é complicada!

E é!

Numa conversa telefónica :
- Já não tenho notícias tuas à muito tempo!
- Mas eu ainda ando por cá, tenho blogado sempre!

Ou como o blogar se tornou caracteristica intrínsica de existência.

terça-feira, setembro 30, 2003