segunda-feira, novembro 03, 2003
sexta-feira, outubro 31, 2003
(e/ou) Parte II
O (e/ou) foi escrito entre 28.dezembro.94 e 09.fevereio.95, esta é a parte 2. A parte 1 fui publicando aos pedaços e deve estar nos arquivos da Espada. Quando o escrevi foi mais como um exercicio sobre o ritmo do texto, nada mais do que isso.
(e/ou) 2.12
depois fiquei triste, só isso de ficar triste, de dar mais um ponto à saudade; por um telefonema, não veio; por uma mensagem, via-a.
para dizer não, um ponto mais ao desejo de compartilhar, novamente.
a falta de não estar ou de estar contigo e, se estás onde estás, onde dizes que estás é dúvida minha que dissipo porque me esforço, porque assim quero acreditar. na verdade que dizes ser tua, pela confiança de...
para dizer não, um ponto mais ao desejo de compartilhar, novamente.
a falta de não estar ou de estar contigo e, se estás onde estás, onde dizes que estás é dúvida minha que dissipo porque me esforço, porque assim quero acreditar. na verdade que dizes ser tua, pela confiança de...
(e/ou) 2.11
partida adiada, regresso precipitado. o que esperar? um porquê? razões? ou uma espera longa?
a espera. pouco tempo, pouco espaço. hipótese para a descoberta. difícil, difícil outra vez. quase como sempre: infrutífero!...
o futuro eu não digo ou não sei, e se soubesse talvez não diria: se me enganava, talvez!... creio nisso, penso nisso.
espera, adiar...constante.
a espera. pouco tempo, pouco espaço. hipótese para a descoberta. difícil, difícil outra vez. quase como sempre: infrutífero!...
o futuro eu não digo ou não sei, e se soubesse talvez não diria: se me enganava, talvez!... creio nisso, penso nisso.
espera, adiar...constante.
(e/ou) 2.10
se eu for à tua terra não me deixes ver essa terra, como disseste às escuras. e eu, ainda contigo... mas mostra-te ou mostra a cidade, o que é teu nela que é na mesma: mostra-te. só a ti te quero ver. e à cidade. a que não queres mostrar-me, mostra-te: mostra-me. e eu olho. e gosto.
(e/ou) 2.09
corri.
ao teu sinal ou ao teu chamar, sem saber seres mesmo tu. e eras. tu. longe. dizes: longe. sim. tu.
ouço-te, isso quebra distâncias. sinto-te, por isso corri. sim. isso de saber que eras tu. ao telefone.
tu. e eu. ao telefone. sempre longe. na mesma, ainda: perto. a sentirmo-nos, ao telefone. sim.
tu. e eu
ao teu sinal ou ao teu chamar, sem saber seres mesmo tu. e eras. tu. longe. dizes: longe. sim. tu.
ouço-te, isso quebra distâncias. sinto-te, por isso corri. sim. isso de saber que eras tu. ao telefone.
tu. e eu. ao telefone. sempre longe. na mesma, ainda: perto. a sentirmo-nos, ao telefone. sim.
tu. e eu
(e/ou) 2.08
num caso ou noutro, há uma ligação a uma terra que fica longe. ainda por cima isso. sim, isso de ficar longe.
quinta-feira, outubro 30, 2003
(e/ou) 2.07
partida.
sempre uma viagem e um prenúncio de saudade. pára, e recorda: as mãos puxadas e repuxadas por um fio invisível, agindo descontroladas, demedidas. e frenéticas. ao som da música como uma cobra enfeitiçada; a música bate estonteante, estou a vê-la no ritmo, perdida no ritmo, na vida, toda ela, no que se passa ao seu lado, no que se passa na sua vida. a vida na sua vida: carrossel como bebedeira. tonta: de dança, do álcool, do vício da vida.
há-de chegar, chegar a algum lado, talvez já não tão perdida. reencontrada. ou ainda mais tonta, mais ébria do vício de viver, de fazer o querer, sem pensar, sem sentir. a querer,sem pensar, sem parar. e gira e rodopia, sempre a partir, sempre a querer chegar ou sem nunca parar.
sempre uma viagem e um prenúncio de saudade. pára, e recorda: as mãos puxadas e repuxadas por um fio invisível, agindo descontroladas, demedidas. e frenéticas. ao som da música como uma cobra enfeitiçada; a música bate estonteante, estou a vê-la no ritmo, perdida no ritmo, na vida, toda ela, no que se passa ao seu lado, no que se passa na sua vida. a vida na sua vida: carrossel como bebedeira. tonta: de dança, do álcool, do vício da vida.
há-de chegar, chegar a algum lado, talvez já não tão perdida. reencontrada. ou ainda mais tonta, mais ébria do vício de viver, de fazer o querer, sem pensar, sem sentir. a querer,sem pensar, sem parar. e gira e rodopia, sempre a partir, sempre a querer chegar ou sem nunca parar.
Malos tiempos
O que pode ser pior do que estar remetida para um exilio à força de demasiado trabalho?
quarta-feira, outubro 29, 2003
(e/ou) 2.06
horrível este carnaval de gente desmascarada a intriguista, a rugirem snobes e petulantes o tiro à ponta de espingarda de especulações de merda. justiça?! façam-na, mas ouçam antes de condenarem, saibam bem do que falam ou calem.
horrível carnaval de gente mascarada, mostrando entre dentes a saliva perfumada a intriga, e olhares trancados em casas alheias e sempre muita renúncia a enfrentar a palavra séria, e a que doi, e a que importa, e... ... talvez já sem palavras.
horrível carnaval de gente mascarada, mostrando entre dentes a saliva perfumada a intriga, e olhares trancados em casas alheias e sempre muita renúncia a enfrentar a palavra séria, e a que doi, e a que importa, e... ... talvez já sem palavras.
(e/ou) 2.05
atrapalhou-se.
desajeitado, nervoso a fazer a declaração. estava incapaz de lhe dizer sim. sim: respondeu. apenas e afinal a uma banal pergunta. Ainda com os olhos pousados sobre os dela, sem fazer muita força para não soltar um sorriso. um sorriso: gostou da ideia. sim. consentiu agora sentar-se. melhor assim. sorriu. tens graça a sorrir: disse ela. corou, claro.
atrapalhou-se.
ia segurar-lhe na mão mas o dedo indicador traiu-o numa carícia. ela abriu os olhos. os dele tombaram. ela, sempre com imenso carinho, levantou-lhe o rosto pelo queixo com a mão espalmada de quem se entrega. atrapalharam-se. os lábios mereciam um beijo, nem sequer um sorriso. havia gente em volta, imensa gente. olharam-se e segredaram: sim!... é a melhor saída. depois, duas direcções ou não...
desajeitado, nervoso a fazer a declaração. estava incapaz de lhe dizer sim. sim: respondeu. apenas e afinal a uma banal pergunta. Ainda com os olhos pousados sobre os dela, sem fazer muita força para não soltar um sorriso. um sorriso: gostou da ideia. sim. consentiu agora sentar-se. melhor assim. sorriu. tens graça a sorrir: disse ela. corou, claro.
atrapalhou-se.
ia segurar-lhe na mão mas o dedo indicador traiu-o numa carícia. ela abriu os olhos. os dele tombaram. ela, sempre com imenso carinho, levantou-lhe o rosto pelo queixo com a mão espalmada de quem se entrega. atrapalharam-se. os lábios mereciam um beijo, nem sequer um sorriso. havia gente em volta, imensa gente. olharam-se e segredaram: sim!... é a melhor saída. depois, duas direcções ou não...
segunda-feira, outubro 27, 2003
(e/ou) 2.04
um dedo um dedo encurralado noutro dedo. maneiras bem mais fáceis de morrer, há outras, muitas outras. início onde tudo começa.
foi assim: disse. como se houvesse um fim. havido: perguntou.
depois disse que eu não queria saber. que as perguntas a atrapalhavam e que já nada podia saber. ainda disse: reticências.
um dedo um dedo encurralado numa língua. era talvez mau, assim pior: pensou.
mas há outras coisas, muitas outras coisas, claro. como sorrir feliz
e depois disse que os corpos se misturavam e que de mais nada queriam saber. que se fechavam assim, sozinhos: concluiu. e que há sempre mais do que uma conclusão para todas as coisas: o isto e o aquilo, ou como o toque de um dedo pode magoar: disse.
foi assim: disse. como se houvesse um fim. havido: perguntou.
depois disse que eu não queria saber. que as perguntas a atrapalhavam e que já nada podia saber. ainda disse: reticências.
um dedo um dedo encurralado numa língua. era talvez mau, assim pior: pensou.
mas há outras coisas, muitas outras coisas, claro. como sorrir feliz
e depois disse que os corpos se misturavam e que de mais nada queriam saber. que se fechavam assim, sozinhos: concluiu. e que há sempre mais do que uma conclusão para todas as coisas: o isto e o aquilo, ou como o toque de um dedo pode magoar: disse.
Cegueira imoral
Agora que as prostitutas já podem pagar impostos uma questão permanece por desvendar. O recibo vem com o valor descontado do que remanesce da extorsão do respectivo chulo, ou as prostitutas, que ainda não podem ser legalizadas por uma cegueira mais imoral do que a suposta imoralidade de vender o corpo, para além de terem de entregar o dizimo aos extorcionários dos chulos ainda vão ter de pagar imposto sobre um valor que não recebem? E os chulos também podem pagar impostos? É que as prostitutas que persistimos em manter ilegais nem credibilidade têm para acusar os respectivos chulos extorcionários porque se estão a auto-denunciar de uma infracção bem menos grave do que a gravidade miserável de que são acometidas. Diz-se que a justiça deve ser cega, e eu sublinho, mas desta cegueira da sociedade somos todos culpados por mantermos o silêncio. Como não temos coragem para mudar a situação, nós, a sociedade "moral" preferimos ignorar. O melhor é não mexer muito no que já sedimentou e a legislação um fóssil muito parecido com um câncer.
domingo, outubro 26, 2003
(e/ou) 2.03
acordei a precisar, ou talvez não, e volto a adormecer. apareces no sonho já velha, eu incapaz de esperar, ou esperar tão pouco de ti. foges à procura de um precipício talvez uma loucura mais,
ou nada que se pareça com isso e ainda, ou ainda assim, emerges da emergência desse sentir. possesso. que é querer, de venda nos olhos como se tudo fosse possível, ou só bater em tudo
para chegar a nada. sonho aborrecido e acordei.
ou nada que se pareça com isso e ainda, ou ainda assim, emerges da emergência desse sentir. possesso. que é querer, de venda nos olhos como se tudo fosse possível, ou só bater em tudo
para chegar a nada. sonho aborrecido e acordei.
(e/ou) 2.02
hei-de querer sentir-me roubado nem que somente aquele beijo que pediste e não dei. só por pensar, ou achar, que o podias ter feito, pedido, ou noutra altura ou doutra forma. e talvez consiga
menos roubado sentir-me, roubado mesmo a sério. sentido como dor e perda, na mesma dor, na mesma perda. por um porquê que não posso contar, ou não devo?
menos roubado sentir-me, roubado mesmo a sério. sentido como dor e perda, na mesma dor, na mesma perda. por um porquê que não posso contar, ou não devo?
(e/ou) 2.01
estou à espera, a vida repete-se. não é isso que quero. um pé cá outro lá:
já disseste ou já partiste e deixarás onde o coração?
lá ou cá? receio de partir, receio de ficar. o meu e o teu. e/ou vice-versa.
(depois pensei noutra coisa que não tinha nada a haver mas era outra, e só por isso, um alívio; que viver de pensar na mesma estúpida equação ? irresolúvel por sinal ? era por si só, um resultado positivo)
estou à espera a história repete-se, repetem-se os finais ou a história muda? o tempo cura mas também estraga; a ausência sossega mas também adormece e tu preocupas-te ou julgas que eu não?
já disseste ou já partiste e deixarás onde o coração?
lá ou cá? receio de partir, receio de ficar. o meu e o teu. e/ou vice-versa.
(depois pensei noutra coisa que não tinha nada a haver mas era outra, e só por isso, um alívio; que viver de pensar na mesma estúpida equação ? irresolúvel por sinal ? era por si só, um resultado positivo)
estou à espera a história repete-se, repetem-se os finais ou a história muda? o tempo cura mas também estraga; a ausência sossega mas também adormece e tu preocupas-te ou julgas que eu não?
sexta-feira, outubro 24, 2003
"Inté"
Como o futuro é uma incógnita neste meu oficio, deixo desde já o desejo que passem um bom fim de semana.
Eu vou rumar a outras paragens. God bless you all!
Eu vou rumar a outras paragens. God bless you all!
Castanho
Neste momento estou como esta cor. Castanho. Deve ser a cor mais estranha que existe, mais dualista, senão vejamos : madeira quente (lembra dias descalça em correrias pela sala) versus madeira fria (lembra o toque no caixão da mais dolorosa partida) ; chocolate (sabor suave que preenche) versus terra (sensação agreste de terra húmida nas brincadeiras de verão). É, sinto-me mesmo assim. Vou feliz, e triste estou de não partir.
Sopro
Na insistência de novos caminhos, de novas sensações, deixamos para trás toda uma vivência, uma experiência que gastou um pouco de nós. Será assim tão válido o frenético culto que fazemos à novidade?
quinta-feira, outubro 23, 2003
Olhos
O grande inimigo da memória. Ou não os cerrariamos quando tentamos recordar melhor momentos, cheiros ou sensações.
The times are changing
Tão duradoura como uma cruzada, a temporada de jejum aos frutos do cacao, foi agora encerrada. Ainda não sei se para o bem se para o mal.
Providência
Das frases mais significativas da homilia para mim sempre foi e creio que será : "Senhor não sou digno que Entres na minha morada, mais Dizei uma palavra e eu serei salvo". Acho fabulosa a capacidade de descernir numa projecção de extrema humildade a capacidade de redenção.
quarta-feira, outubro 22, 2003
A procura
Estar entre paredes de silêncio, frias e húmidas como os dias tristes de Dezembro. Ver o dia transpor a claridade por entre nuvens carregadas de desespero.
Sentir o frio gélido do vento que corta a pele e nos impede de sorrir. Tentar inspirar, mas agoniar num soluço que prende os sentimentos e nos embrulha as entranhas. Procurar trazer calor ao corpo, quando nos rodeamos do frio que vem da alma. Fechar os olhos e sentir o sangue correr pelas veias desenfreado, por vezes em golfadas que nos cortam a respiração. E seguimos à procura. De quê? Não sei.
Sentir o frio gélido do vento que corta a pele e nos impede de sorrir. Tentar inspirar, mas agoniar num soluço que prende os sentimentos e nos embrulha as entranhas. Procurar trazer calor ao corpo, quando nos rodeamos do frio que vem da alma. Fechar os olhos e sentir o sangue correr pelas veias desenfreado, por vezes em golfadas que nos cortam a respiração. E seguimos à procura. De quê? Não sei.
Day after
As ressacas nem sempre são causa efectiva de borracheira, bem piores são aquelas ressacas do mal da alma.
Sera' sensato?
Porque é que tantos membros do partido socialista se insurjem agora contra a quebra do segredo de justiça (na sequência da divulgação de escutas telefónicas que foram efectuadas a diversos membros do partido)? Não foram eles percursores da mesma quebra quando tentavam resolver a questão do colega de bancada, conforme se concluí dos excertos das conversas telefónicas?
terça-feira, outubro 21, 2003
Hoje
Hoje precisava, urgia que assim fosse. Devia ter acordado com aquela sensação de menta fresca, quando os dias se apresentam limpos e frios. O dia de hoje é importante. Tinha de ter despertado sem a poeira que os sonhos maus nos deixam. É assim que deveriam ser todos os dias que achamos importantes, começarem brilhantes e frescos, tornarem-se ao longo do dia calmos e mornos; para que os possamos fechar no aconchego da lareira envolvente e quente.
É, os dias importantes devem ser vividos na nossa melhor clausura. São só nossos.
É, os dias importantes devem ser vividos na nossa melhor clausura. São só nossos.
Lembrar
O mais triste suspiro,
do ar que se extingue.
Contrapôr a vida,
no que se segue.
Esperar o reencontro,
que não deve tardar.
Ânsia de ver o olhar,
para o desespero aniquilar.
Calca a alma o sorriso,
de tanto lembrar.
do ar que se extingue.
Contrapôr a vida,
no que se segue.
Esperar o reencontro,
que não deve tardar.
Ânsia de ver o olhar,
para o desespero aniquilar.
Calca a alma o sorriso,
de tanto lembrar.
Que fazer?
O que fazer com as saudades que sentimos de alguém que nasce com um sorriso?
Como é que se aguenta passar o tempo sem ver o rosto de quem tem a felicidade espelhada da alma?
O pior que me pôde acontecer foi ser privada da companhia do teu constante esboço alegre no rosto.
Como é que se aguenta passar o tempo sem ver o rosto de quem tem a felicidade espelhada da alma?
O pior que me pôde acontecer foi ser privada da companhia do teu constante esboço alegre no rosto.
segunda-feira, outubro 20, 2003
Celebraçoes
Será correcto celebrarmos em comunhão com o mundo só as alegrias? E as tristezas que nos marcam a alma, não serão elas dignas de apontamentos?
Never ending story
O que se vê agora sobre os dias que antecederam a detenção de Paulo Pedroso.
Daqui a pouco tenho de fazer um post sobre este assunto com o título "How low can you go"...
Daqui a pouco tenho de fazer um post sobre este assunto com o título "How low can you go"...
sexta-feira, outubro 17, 2003
Ai, ai...
O tempo não é muito. Espero que para a semana a coisa corra melhor... Enfim, designios do proletariado.
terça-feira, outubro 14, 2003
Fado / fade out
Reparei agora que existe uma estranha ligação na conjugação destas três palavras.
A sua implícita longitude que se esvazia dá um arrepio na espinha...
A sua implícita longitude que se esvazia dá um arrepio na espinha...
Ups!
Vejo por aí que o espirito "à lo Hitler" ainda sobrevive...
"Eu é que tenho razão!" - adoro esta força argumentativa.
Será que num ringue se passa o mesmo?
"Eu é que tenho razão!" - adoro esta força argumentativa.
Será que num ringue se passa o mesmo?
segunda-feira, outubro 13, 2003
Inverno
Encontro-me agora em frente ao inverno. O sol tem aquele tom limpo, assepticamente frio. O cheiro do ar já não traz consigo os aromas das flores que nos aquecem a alma. Olho enquanto a tua figura vai desaparecendo na linha do horizonte. Aqui dentro o inverno chega sempre que partes.
sexta-feira, outubro 10, 2003
Mistico entardecer
O sol a aconchegar o mar, numa languida perguiça que traz à memória dias felizes, em sabores de caramelo e laranja. O mar naquela enganadora calmia, fervilha de vida e espelha-se de sol e céu, numa penúmbra de esperanças. O fresco do ar que vem do mar acarreta cheiros de outras paragens, de outras vivências.
Tudo se mistura na amalgama de que são feitas as recordações.
Hoje vivemos a esperança. Amanhã se verá.
Tudo se mistura na amalgama de que são feitas as recordações.
Hoje vivemos a esperança. Amanhã se verá.
Saudade de
O que nunca vivi, mas imaginei por ti;
Cheiros doces e quentes, cores vibrantes;
Contos de antanho,
Sonhos de futuro.
Guinadas na vida,
Grinaldas no chão.
Correrias na areia,
Mergulhos no mar.
Planar do alto,
Aterrar real.
Cheiros doces e quentes, cores vibrantes;
Contos de antanho,
Sonhos de futuro.
Guinadas na vida,
Grinaldas no chão.
Correrias na areia,
Mergulhos no mar.
Planar do alto,
Aterrar real.
Um blog da direita...
Bem, foi assim que nos chamaram num blog "dos copos" ! Para que fique esclarecido, qualquer opinião assinada neste blog é da exclusiva responsabilidade de quem o assina e nada tem a ver com uma qualquer orientação ideológica dos restantes membros. Como já dissemos anteriormente, os dois gumes são opostos. Quem aqui escreve (agora quase que reduzido a moi même...) tem direito às suas convicções e ideias.
quinta-feira, outubro 09, 2003
Signs
Existem palavras que nos fazem dançar no seu próprio significado. Uma dessas palavras é percurso. Toda a carga que esta palavra traz é acentuada pela sua fonética. Delicioso.
quarta-feira, outubro 08, 2003
O Sol e' escuro
De repente é um sol, que se põe dentro da garganta, um eco que se esfuma num quarto muito escuro. É a palavra finita que esbarra numa palavra de negro, de luto. É a corda da garganta rompida no ultimo grito, na ultima dor. Os violinos tocam no telhado feito céu de tempestade, são sons perdidos no dedilhado de um concerto insone. É a noite que perdura na ausência do teu sussurro de pele. É o choro da criança que na fome de meio da noite nos desperta. Não nos pomos no lugar um do outro. Nunca. Jamais trocamos de lugares. A noite é de novo o local de chegada e o dia a partida. Somos escuros. Queremos ser negros e vazios. E somos. E somos só a pele, e somos o corpo vazio. Somos a voz indizível, o sonho inatingível. Vivemos paredes meias com o perigo de desmoronar um castelo de cartas de fantasias. É tão giro, acaba-se tudo num pequeno sopro. De repente somos só isso, um sol com interruptor.
O estado das coisas
Mais uma hora de almoço em que fico perplexa com a pequenez do nosso país. Passo a explicar :
- durante meses a fio exigem a demissão do Ministro da Ciência e Ensino Superior, depois de "alegadas" provas ( o engraçado é que agora todos as notícias dizem baixinho "o alegado envolvimento" ), o Ministro demite-se e vêm todos a público, quais virgens feridas, bradir que nunca foram contra uma pessoa em particular mas sim contra toda uma linha politica do governo.... Sejam sérios meus senhores, sejam sérios!
- depois da demissão do Ministro C.E.S., pelos mesmos motivos reclama-se a demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, este, passado algum tempo, assim faz e o que é que ouvimos? Que já foi tarde, que o Primeiro Ministro deveria ter tomado uma actitude antes... Por favor, tenham a santa paciência, mas para folhetins acho que basta o que importamos do Brasil!
Conclusão - em vez de serem capazes de apresentar soluções ou uma qualquer politica alternativa, os nossos politicos estão ocos de iniciativa, seguem a reboque dos nossos talentosos jornalistas...
- durante meses a fio exigem a demissão do Ministro da Ciência e Ensino Superior, depois de "alegadas" provas ( o engraçado é que agora todos as notícias dizem baixinho "o alegado envolvimento" ), o Ministro demite-se e vêm todos a público, quais virgens feridas, bradir que nunca foram contra uma pessoa em particular mas sim contra toda uma linha politica do governo.... Sejam sérios meus senhores, sejam sérios!
- depois da demissão do Ministro C.E.S., pelos mesmos motivos reclama-se a demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, este, passado algum tempo, assim faz e o que é que ouvimos? Que já foi tarde, que o Primeiro Ministro deveria ter tomado uma actitude antes... Por favor, tenham a santa paciência, mas para folhetins acho que basta o que importamos do Brasil!
Conclusão - em vez de serem capazes de apresentar soluções ou uma qualquer politica alternativa, os nossos politicos estão ocos de iniciativa, seguem a reboque dos nossos talentosos jornalistas...
terça-feira, outubro 07, 2003
.......
Hoje estou assim, nem me apetece sequer pensar num título. Acordei, ou melhor, levantei-me com a disposição de um camionista. Hoje é daqueles dias em que tenho um Pipi dentro de mim, só me apetece insultar tudo. É o que dá dormir num sono atribulado, com enredos descabidos e violentos. E um raio de dor de cabeça que mal me deixa abrir os olhos.
É, hoje não devo escrever mesmo mais, para bem de quem lê.
O dia vai seguir seguramente como o título, sem nada conter e tudo esperar.
É, hoje não devo escrever mesmo mais, para bem de quem lê.
O dia vai seguir seguramente como o título, sem nada conter e tudo esperar.
segunda-feira, outubro 06, 2003
As coisas boas estragam.. as ma's tambem
Uma vez ofereci-lhe um livro de poesia. Gosto de dar palavras. Muito mais do que falar. Às vezes, não sabemos o que querem dizer certas palavras, mas elas soam bem. É um requinte da alma. Outra vez ofereci-lhe um romance. O nosso. A casa dela estava cheia das minhas palavras. As palavras nunca perdem o valor. Às vezes, só se alteram na linha contínua do tempo. Adquirem outro significado. Estás-me sempre a mimar com as palavras, disse-me ela. É, as coisas boas estragam-te... como a uma criança mimada. Deixa estar... as más também!
A rapariga dos olhares
Sexta à noite. Sábado à noite. Tanto dá. Quinta-feira. Um dia qualquer à noite. Nós sempre no mesmo bar. Ela a dançar, a mostrar o seu sorriso e o seu jeito de menina. Eu de copo na mão, para fazer outra coisa que não somente estar a olhar para ela. Ela sempre a dançar, a mover o corpo numa dança a dois com um parceiro invisível. A provocação da dança. Cobre-me de olhares o tempo todo, como se eu tivesse frio. Enche-me de carinho com essa caricia que é o olhar. Mas sempre à distância. Quando passa rente a mim desvia sempre o olhar. Faz de conta que não me conhece. Que não sabe o meu nome que eu próprio lhe disse. Que ela própria repetiu com aquela boca pequena para fingir que o fixava. Mas parece que não me conhece, que só me conhece quando me cobre de olhares para quebrar uma distância que afinal não quer encurtar.
Mosquito
Tenho-te no meu pensamento como um mosquito, és como o zumbido, que por muito que tente está sempre na minha cabeça.
Outono
No fim de semana tomei consiência da nova estação.
Deixamo-nos envolver pelo tempo sazonal de forma brutal e nem reparamos. O espirito está como as árvores, com as folhas douradas e à espera de cairem.
Deixamo-nos envolver pelo tempo sazonal de forma brutal e nem reparamos. O espirito está como as árvores, com as folhas douradas e à espera de cairem.
sexta-feira, outubro 03, 2003
Nao me apetece
Hoje estou com a disposição de uma traineira de regresso da pesca, só quero que o dia passe para descançar. Tenho um vazio dentro de mim. É a estranha sensação de que algo de mal se vai passar. Os sentidos estão alerta. Parece que o dia se vai passar numa interrupção do seu seguimento normal... Já não faço sentido, é o que dá continuar a dormir intermitentemente...
Espero que passem um bom fim de semana. A ver como chego na segunda.
Espero que passem um bom fim de semana. A ver como chego na segunda.
quinta-feira, outubro 02, 2003
Las huellas qué dejaste
Pior que cicatrizes, são as pegadas que estão entranhadas no nosso mais profundo ser.
Toque
Na pele sente-se a suavidade de sentimentos que passam, ouve-se o silêncio dos que escutam a alma. Muitas vezes as sensações que captamos são fruto da nossa predesposição do momento.
quarta-feira, outubro 01, 2003
O Canto Escuro
Porque estão eles com as faces fechadas um no outro? E sem sorrisos, só com olhares tristes? Estão a fugir? De quê? De quem? Porque estão eles no canto escuro? Terão medo da luz? Ou medo de se olharem olhos nos olhos? E eu, porque os observo? Será que as suas bocas que se tocam, derretem-se e aleijam-se, da dor? do prazer? Será que as suas mãos quando se entrelaçam, transportam mais do que caricias? Comunicarão? E eu porque os observo? Talvez o canto escuro seja um abrigo, de quê? de quem? Da luz? Não, se fosse pela luz, porque fechariam os olhos quando se beijam? Talvez o canto escuro seja a sua solidão? Quererão privacidade? E eu, porque os observo?
Frase do dia
Diz-me um inglês na sua primeira visita ao nosso país
"Ainda tentei aprender algo de português, mas nem o meu castelhano se safa! Só mesmo japonês..." E ainda dizem que a nossa língua é complicada!
"Ainda tentei aprender algo de português, mas nem o meu castelhano se safa! Só mesmo japonês..." E ainda dizem que a nossa língua é complicada!
E é!
Numa conversa telefónica :
- Já não tenho notícias tuas à muito tempo!
- Mas eu ainda ando por cá, tenho blogado sempre!
Ou como o blogar se tornou caracteristica intrínsica de existência.
- Já não tenho notícias tuas à muito tempo!
- Mas eu ainda ando por cá, tenho blogado sempre!
Ou como o blogar se tornou caracteristica intrínsica de existência.
terça-feira, setembro 30, 2003
Ainda assim...
Olho abstraida para a chuva lá fora. É bom vermos que não é só a nossa alma que chora.
Patamares
Pode-se estratificar toda a vida em compartimentos. As nossas actitudes podem ser catalogadas pela proximidade ou afastamento dos instintos mais primários. A nossa consciência desenvolve a moral segundo uma pirâmide do socialmente aceite, e muitas vezes do politicamente correcto. Podemos superar os nossos sentimentos mais básicos domesticando-os. Damos a volta ao obvio para não admitirmos que a parte animal ainda nos condiciona.
E florescemos agora numa brutalidade que faz corar o mais selvagem dos animais. Para onde seguimos?
E florescemos agora numa brutalidade que faz corar o mais selvagem dos animais. Para onde seguimos?
Oba! Oba!
E logo mais uma visita fugaz a Aveiro. Espero que um jantar na Costa Nova esteja contemplado também!
Acordar
Muitas vezes abria os olhos e deparava com o cenário desolador do desconhecido, tinha de se arrastar dos sonhos e saltar para a realidade. Era assim que se sentia sempre que dormia fora da sua cama. O entorno sem referencias tinha o efeito de um pequeno choque eléctrico, sentia-o percorrer o corpo e logo todos os seus sentidos alerta faziam o reconhecimento do que a rodeava. Muitas vezes acordava e sorria pois sabia que ele a iria observar em breve. Ainda minimamente desperta lembrava o carinho com que lhe desejara boa noite, sabia que ele pensava que ela estava embriagada, de sono e de álcool. Mas estava atenta, estava sempre.
segunda-feira, setembro 29, 2003
A rapariga e o pensamento
Andávamos sempre de mão dada num pensamento sobre uma certa filosofia de vida. Um mundo encantado, quase privado e só para nós. Olhava-me com sabedoria com uma presença que sabia só sua. Nunca mentíamos. A verdade, por vezes, parecia um carrossel que nos punha tontos e que, por vezes, doía como se nos estivessem a picar agulhas. Obrigava-me à sinceridade fazendo-me vergar à sua doçura. Falava com desenvoltura num despique de palavras muito especial, uma guerra que amávamos e que nunca ninguém ganhava. Não era preciso ninguém vencer. Um combate de esgrima onde nunca se marcavam pontos, a pontuação ficava nas frases. Ela nunca se impunha mas defendia o seu querer com muito mais querer que o meu. Tinha dela essa impressão. Chegávamos a falar de coisas desnecessárias mas muito importantes. Tinha sempre a sua razão mesmo quando queria que ela não a tivesse razão nenhuma. A sua inteligência era sexy. Dava vontade de acreditar que as pessoas não ligavam à beleza física. Até parecia possível. Não que com ela fosse preciso.
Siempre lo mismo, siempre lo mismo
Que dizer das intermináveis e constantes enxaquecas?
O karma do sofrimento, é o que é.
O karma do sofrimento, é o que é.
A mao pelo corpo
Corri, como a um defunto se faz, a mão gelada pelos olhos em gesto de morte. No corpo de latente cadáver, corri, a mão sempre amena: na boca, no peito, até apertar
com a força do escândalo a barriga de mulher grávida. E corri, de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do sexo repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar; a todos os olhos de outros. E no teu útero,
como um toque divino, fiz nascer-te em amor para mim.
com a força do escândalo a barriga de mulher grávida. E corri, de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do sexo repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar; a todos os olhos de outros. E no teu útero,
como um toque divino, fiz nascer-te em amor para mim.
Maos
Mãos de aranha. O gesto dos dedos, reflectem-me imagens. Dedos quebradiços, longos, perspicazes. O gesto dos dedos tem a doçura feminina do fascínio…
Tristeza
Ouço agora JET SOCIETY a lamentar "Vai minha tristeza, vai, que não sai de mim..." e lembro que a minha nunca está dois passos afastada.
Duvida sexual
Pois, deixaram-se levar pelo título, ainda bem!
A minha dúvida nada tem de sexual, mas assim já tenho a vossa atenção. Depois deste fim de semana, agradecia que me elucidassem sobre uma moda que, nem sei se será recente, mas da qual só agora me apercebi : porque motivo se veêm alguns carros com um lencinho tipo americano preso na argola do reboque dos carros (aquela que está por baixo do carro, do lado direito na traseira)?
A minha dúvida nada tem de sexual, mas assim já tenho a vossa atenção. Depois deste fim de semana, agradecia que me elucidassem sobre uma moda que, nem sei se será recente, mas da qual só agora me apercebi : porque motivo se veêm alguns carros com um lencinho tipo americano preso na argola do reboque dos carros (aquela que está por baixo do carro, do lado direito na traseira)?
After
Encontrei-me assim a lembrar o que tinha vivido. A sensação que fiquei foi de um abismo. Um abismo de mágoa, de dor. Um infinito de sofrimento que rasgaste na minha alma. As noites de pesadelo que tentas apaziguar, os silêncios que cortam e os olhares que gritam. Tudo junto no somatório das decisões precepitadas. Ás vezes só queria. Isto mesmo só querer. Porque é necessário o objecto da acção? Porque não pode ser válida só a subjectividade? Tens a realidade em frente, e como sempre só procuras o que não existe.
E no entanto, o sangue corre louco por um coração oprimido, compactado numa jaula de dor. Respirar é como engolir uma outra agulha que se crava mais fundo, é mais um soco dado dentro do estômago, é um soluço raivoso. Aguardo que passe.
Estou aqui. Ainda.
E no entanto, o sangue corre louco por um coração oprimido, compactado numa jaula de dor. Respirar é como engolir uma outra agulha que se crava mais fundo, é mais um soco dado dentro do estômago, é um soluço raivoso. Aguardo que passe.
Estou aqui. Ainda.
sexta-feira, setembro 26, 2003
Ensonada
O desespero de noites mal dormidas está a levar-me à ruina... Custa muito manter os olhos abertos e a mente desperta... Os comprimidos para a maleita crónica ainda pioram o cenário, potenciam a necessidade de dormir.
Mas para mal dos meus pecados, quando chego ao leito, a vil insónia desperta-me para desespero do meu sossego mental...
Mas para mal dos meus pecados, quando chego ao leito, a vil insónia desperta-me para desespero do meu sossego mental...
Ainda nao passou...
Olho insistentemente para o relógio. O tempo quando o observamos não passa. Mas agora nem com o habitual truque de fazer várias coisas para que este se torne menos omnipresente o consegue enganar. Bolas!
Sem sentido
Aguardo o passar do tempo numa reflexão dourada, daquelas que nos são queridas e nos fazem sentir "cosy" na alma.
Estonteada nas lembranças que fazem sorrir sem querer.
Sinto-me dormente, a realidade não está a passar por mim, só vejo tudo coado pela doce luz de uma gase de tons terra e sangue esbatidos, cores da vida, mas duma essência vaporosa.
Chegam-me cheiros completos de ternura, ricos de aroma e minados de sorrisos. Voluptuosos.
E tu sabes.
Estonteada nas lembranças que fazem sorrir sem querer.
Sinto-me dormente, a realidade não está a passar por mim, só vejo tudo coado pela doce luz de uma gase de tons terra e sangue esbatidos, cores da vida, mas duma essência vaporosa.
Chegam-me cheiros completos de ternura, ricos de aroma e minados de sorrisos. Voluptuosos.
E tu sabes.
Ora! Ora!
Dizem-me "com esse penteado pareces cota" e volto à minha questão PORQUE RAIOS AS CABELEIREIRAS NOS CORTAM SEMPRE MAIS O CABELO DO QUE PEDIMOS!!!
quinta-feira, setembro 25, 2003
quarta-feira, setembro 24, 2003
Tédio
A alma espraia-se numa dor leve e longa. Procuro calor dentro, mas não encontro o abrigo que me davas.
Ensaio pensamentos da infância no intuíto de achar o toque familiar que nos faz sentir protegidos. Vasculho a memória e só tenho imagens espectrais, indefinidas. Sem sentimento. Fico novamente presa à crueza da dor. O que será feito daquela sensação envolvente, como a aproximação da lareira quando nos aquecemos após termos percorrido um caminho de tempestade? Nova pesquisa e de novo embato na dura realidade, estou pior. Não há possibilidade de encontrar o que apazigue a inquetude que me assalta. A lembrança sensorial que nos grava a pele está incapaz de me ajudar, estou constipada nas lembranças. Tenho a alma fria e não encontro o abafador para aquecê-la. Vou continuar, como sempre, na busca deste Santo Graal que é tentar seguir.
Ensaio pensamentos da infância no intuíto de achar o toque familiar que nos faz sentir protegidos. Vasculho a memória e só tenho imagens espectrais, indefinidas. Sem sentimento. Fico novamente presa à crueza da dor. O que será feito daquela sensação envolvente, como a aproximação da lareira quando nos aquecemos após termos percorrido um caminho de tempestade? Nova pesquisa e de novo embato na dura realidade, estou pior. Não há possibilidade de encontrar o que apazigue a inquetude que me assalta. A lembrança sensorial que nos grava a pele está incapaz de me ajudar, estou constipada nas lembranças. Tenho a alma fria e não encontro o abafador para aquecê-la. Vou continuar, como sempre, na busca deste Santo Graal que é tentar seguir.
Humm, shlep, shlep!
Alguém me pode explicar por que raios saiu de circulação o sorvete de manga da Hagen Das? Ando desejosa de ficar sentadita no sofá a ver um filme a comer aquela maravilha e os Pingo Doce das redondezas não têm disponivel esta variedade!!
0000
Os meus sonhos tendem a ser pesadelos. São povoados por seres estranhos e deixam-me cansada. Acordo sempre pior do que quando me deitei. Em determinadas alturas, já não sei que faça, o ritual de me aconchegar para dormir fica irreparavelmente perturbado pela certeza de novos horrores. Os olhos encovam-se e a pele fica baça. Não tenho sossego.
Assim
Tenho pensado muito na nossa condição de sociedade representativa de uma democracia saudavel, e cada vez mais fico abismada com a falta crónica de civismo da população em geral. Será que as pessoas não compreendem que o viver em comum implica que se tenham de respeitar umas às outras? O que é que custa ter uma actitude (será que ainda posso escrever assim depois do acordo?) que nos poderá atrasar uns minutos mais no transito se essa acção implicar que o mesmo fluiria melhor? Porque raio temos a mania que seremos sempre mais importantes que o nosso semelhante do lado?
E por fim, o que é que realmente se poderá fazer com vista a alterar esta caracteristica crescente na nossa sociedade?
E por fim, o que é que realmente se poderá fazer com vista a alterar esta caracteristica crescente na nossa sociedade?
Por estas razoes
Ainda aguardo no portão a tua chegada. Estou sentada na soleira da porta, em frente ao portão. Olho para a frente na expectativa de te ver outra vez entrar. Os cães prostam-se a meu lado, na ânsia de um carinho, de uma atenção que não chega. Toda a minha acção está suspensa. Não sou capaz de reagir. Penso em ti e como não te encontro, procuro em mim a tua imagem, os teus sorrisos e as tuas palavras. É melhor uma imagem interior do que nada de ti. Uma força bruta implode no sentimento da falta que me fazes. Fico agoniada de dor. Sinto na pele um tremor que se extende às entranhas. Não voltas e eu continuo à espera.
Aleluia! Aleluia!
Finalmente e após acérrima discussão (okey foi mesmo com ameaças que o consegui!) estou de volta ao blog!
Agora vão ter de me aturar...Je!Je!
Agora vão ter de me aturar...Je!Je!
domingo, setembro 21, 2003
Ha de haver uma outra realidade
Tinha a certeza de termos morrido. O carro irreconhecível, numa amalgama de metais retorcidos e contorcidos eram prova disso. Havia uma série de líquidos viscosos a escorrerem entre as peças fumegantes do motor e por debaixo do carro, um fluído vermelho fazia um pequeno riacho. Lá dentro estavam os nossos corpos, mas eu não tive coragem para olhar. Tínhamos decidido nessa noite voltar ao quarto da sua prima. Conseguira-me convencer de que se libertara dos seus fantasmas e que agora me queria. Quero-te dentro do meu corpo, disse ela como argumento final. Um excesso de ansiedade apoderou-se de mim. Às vezes, a verdadeira realidade da vida esconde-se por detrás de omissões, ou apenas de pequenas coisas que desconhecemos. Disse-me ela quando entrou no carro. Eu apenas respondi, é natural que hajam outras realidades. Agora, de mão dada com ela, estou a flutuar dez metros acima do meu corpo. Decidimos ir embora. Não tínhamos ali mais nada que fazer, mas apenas, muitas coisas por descobrir.
sexta-feira, setembro 19, 2003
Outras Paragens (para depois regressar à base)
Tenho andado mais na secção de leitura do que na secção de escrita.
Há que contribuir, também, para o sucesso do «muitomentiroso». Que, mesmo podendo ser totalmente delirante (já nem digo especulativo), consegue ter mais leitores do que a maioria dos jornais portugueses.
É pelo menos engraçado constatar que há mais gente a conhecer os nomes dos supostos envolvidos na história da Casa Pia (estão todos no «muitomentiroso»), do que a ter lido a carta do Paulo Pedroso aos deputados do PS (citada hoje no Público).
Isto é que é uma colectividade.
Por falar nisso, também tenho andado pelo «pipi». Salvo os literais exageros de linguaragem, é fundamental não perder o «Diário de Anne Trank». Já para não falar na «Análise Sócio-Profissional da Rebarba». Há pérolas do mais fino recorte: «Putas e Jornalistas (passe a redundância)» O pipi é genial. É fabulástico. Não desfazendo na Espada, claro está, temos que reconhecer a elevação do género e a qualidade do estilo.
O pipi pode porventura ser um Don Juan frustado. Mas o pipi vai a Nobel da Literatura. Há que recolher assinaturas.
Há que contribuir, também, para o sucesso do «muitomentiroso». Que, mesmo podendo ser totalmente delirante (já nem digo especulativo), consegue ter mais leitores do que a maioria dos jornais portugueses.
É pelo menos engraçado constatar que há mais gente a conhecer os nomes dos supostos envolvidos na história da Casa Pia (estão todos no «muitomentiroso»), do que a ter lido a carta do Paulo Pedroso aos deputados do PS (citada hoje no Público).
Isto é que é uma colectividade.
Por falar nisso, também tenho andado pelo «pipi». Salvo os literais exageros de linguaragem, é fundamental não perder o «Diário de Anne Trank». Já para não falar na «Análise Sócio-Profissional da Rebarba». Há pérolas do mais fino recorte: «Putas e Jornalistas (passe a redundância)» O pipi é genial. É fabulástico. Não desfazendo na Espada, claro está, temos que reconhecer a elevação do género e a qualidade do estilo.
O pipi pode porventura ser um Don Juan frustado. Mas o pipi vai a Nobel da Literatura. Há que recolher assinaturas.
quarta-feira, setembro 17, 2003
BlogoInterrupcao
Não sei o que deu a este blog que ficou em silêncio quase uma semana. Depois da tão propalada silly season será que nos voltámos para uma silent season?
Uma coisa esquisita no meu coracao
Estava a trabalhar quando ouvi a sua voz, num além que julguei não ser possível de acontecer. Acordei com ele num murmúrio que parecia ao meu lado, ao meu lado ou dentro de mim. Sussurrou o seu amor por mim que eu tinha medo de acreditar, medo de sentir verdade. Galgou comigo essa noite de trabalho que não queria ter fim. Tens sorte em ter um amor como o meu, disse-me na sua ausência com a sua voz de mel de novo na minha cabeça. Tinha o espirito dele a falar comigo, como se a sua alma estivesse em contacto etéreo, buscando a nossa alegria, o arrepio na pele. Tentou de tudo para provar ser ele quem ali estava, não em carne e osso, mas o seu espirito de luz. Deu-me um número, depois disse-me ainda ausente, amanhã telefona-me! Telefonei-lhe no dia seguinte como me propusera, perguntei-lhe se ele sabia o sentido daquele número, sem medo algum de desmascarar a minha possível loucura. A sonhar com fantasmas. Logo eu. A sonhar com o seu espirito. Ele respondeu, sim, é o número do meu bilhete de identidade mas, como sabes? Como dizer-lhe que tinha sido ele, a sua alma enquanto ele dormia, quando num sonho qualquer soltou palavras de amor, num sonho que como muitos outros se esquece ao acordar. Senti uma coisa esquisita no meu coração um formigueiro tal qual uma mão dormente, uma coisa que se sente e não se sente. Tinhas razão poeta!
quinta-feira, setembro 11, 2003
Zapping
No zapping de hoje apanhei a seguinte frase numa das telenovelas basileiras: "Jornal é tudo a mesma coisa, a gente espreme, espreme e só sai sangue". E eles que ainda não conhecem o telejornal da TVI.
Os caracteres chineses
Não há muitas raparigas que façam disparar assim o meu coração. Podes ter certeza disso. Se um sorriso teu o faz bater assim tão forte e desgovernado, nalguma coisa as nossas almas comunicam. Somos feitos de uma qualquer essência supra-natural e há qualquer coisa de kármico no nosso encontro. Como se as estrelas tivessem escrito uma qualquer história, e nós, marionetas desse romance, somos impotentes para fugirmos ou traçarmos uma qualquer outra rota. Não faz mal, assim está bem. Chega-te a mim. Assim juntos de mão dada para fazer funcionar a união. Fazes bem ao meu coração porque lhe dás o ritmo, a paz e a candura. Fazes bem ao meu coração porque lhe dás o ritmo, a paz e a candura. Repetiste tu, como se esse eco fosse uma extensão de mim. Chega-te mais a mim mas mantém-te onde estás. Disseste tu, imitando um paradoxo budista. Há um qualquer caracter chinês que explica muito bem a nossa relação. Pois há, disse ela, mas não to digo. Depois disse-mo mesmo sem me o dizer. (1995)
quarta-feira, setembro 10, 2003
A rapariga com os pes na agua
Tinha acabado de perder o irmão. Molhou os pés na berma de um lago ladeado de árvores altas que davam amplas sombras e que filtravam o sol fazendo-o vibrar cintilante na água tépida. Estava sozinha e ainda mais sozinha. Um grito de dor soltou-se-lhe da boca afugentando os pássaros que bateram asas, voaram um pouco sobre o lago e, já sem medo do grito triste da rapariga, voltaram a poisar nos ramos que haviam abandonado. Havia telefonado a todos os seus amigos para que não ficasse sozinha, mas continuava sozinha. Porque quis. Porque quis encontrar o seu irmão numa qualquer água. A água que era o símbolo da perda do seu irmão, porque aí o tinha perdido. Encheram-se de água cristalina e salgada os seus olhos quando lentamente mergulhou desfalecida num lago pouco profundo.
segunda-feira, setembro 08, 2003
A rapariga e o desassossego
Eu também nunca soube o que era estar parado. Andava sempre a correr sobre florestas encantadas. A pensar em coisas que não existem. A viver momentos com pessoas que apenas eram fantasias minhas. Nunca tive coragem para bater à porta de ninguém. Sei o que dói a pessoa não estar, ou não nos querer receber. Essa dor já passou.
Isto para falar dela.
Andava preenchida com vontade de mudar, por isso bateu à minha porta. Eu abri, não somente a porta de casa mas todas as portas que servissem para alguma coisa na minha vida e mesmo as que não serviam para nada, as que eram apenas empecilhos. Eu tinha sempre muito mais medo do que vontade. Embora existisse sempre muita vontade a pulsar no interior. Haviam gestos ou olhares que me faziam acreditar no desejo dela. O seu corpo dançando sobre o meu fazia-me acreditar no desejo dela. O meu corpo no corpo dela era prova disso, dizia-me ela. Andava em desassossego o dia todo sempre a querer mudar o rumo da minha vida. Da vida dela na minha vida. Mas tê-la por ali, ainda que andando à volta como uma borboleta, era um conforto. Tão reconfortante como um abraço de pele. Da pele branca dela. Muita branca. A vida andava muito cheia, eu sempre a pensar nela, a resolver os problemas que ela arranjava à minha, e os momentos a dois que pareciam sempre poucos. Viver parecia um frémito. E era. E era inquietante, mas por estúpido que possa parecer, deixava-me sossegado. Só ela é que não sossegava. Queria o que não queria como se isso estivesse certo. Era uma pessoa nova a cada segundo que dobrava o tempo nos ponteiros. Nunca soube se isso era bom. Talvez por momentos demasiado curtos tivesse acreditado que sim, que era bom. Tentava de tudo para por a vida direita mas saia-lhe tudo muito torto, diria mesmo que demasiado torto. Houve um dia que se foi embora como uma tempestade, fez muito barulho, gesticulou muito, culpou-me de todos os erros que ela própria cometeu, chegou mesmo a dizer que eu era culpado de um dia ela se ter apaixonado por mim. Quando saiu de minha casa, apertou o meu coração com a selvajaria de quem não tem pena, como um furacão que passa insensível e destroi tudo até sussurrar numa acalmia. Que sossego!
Isto para falar dela.
Andava preenchida com vontade de mudar, por isso bateu à minha porta. Eu abri, não somente a porta de casa mas todas as portas que servissem para alguma coisa na minha vida e mesmo as que não serviam para nada, as que eram apenas empecilhos. Eu tinha sempre muito mais medo do que vontade. Embora existisse sempre muita vontade a pulsar no interior. Haviam gestos ou olhares que me faziam acreditar no desejo dela. O seu corpo dançando sobre o meu fazia-me acreditar no desejo dela. O meu corpo no corpo dela era prova disso, dizia-me ela. Andava em desassossego o dia todo sempre a querer mudar o rumo da minha vida. Da vida dela na minha vida. Mas tê-la por ali, ainda que andando à volta como uma borboleta, era um conforto. Tão reconfortante como um abraço de pele. Da pele branca dela. Muita branca. A vida andava muito cheia, eu sempre a pensar nela, a resolver os problemas que ela arranjava à minha, e os momentos a dois que pareciam sempre poucos. Viver parecia um frémito. E era. E era inquietante, mas por estúpido que possa parecer, deixava-me sossegado. Só ela é que não sossegava. Queria o que não queria como se isso estivesse certo. Era uma pessoa nova a cada segundo que dobrava o tempo nos ponteiros. Nunca soube se isso era bom. Talvez por momentos demasiado curtos tivesse acreditado que sim, que era bom. Tentava de tudo para por a vida direita mas saia-lhe tudo muito torto, diria mesmo que demasiado torto. Houve um dia que se foi embora como uma tempestade, fez muito barulho, gesticulou muito, culpou-me de todos os erros que ela própria cometeu, chegou mesmo a dizer que eu era culpado de um dia ela se ter apaixonado por mim. Quando saiu de minha casa, apertou o meu coração com a selvajaria de quem não tem pena, como um furacão que passa insensível e destroi tudo até sussurrar numa acalmia. Que sossego!
domingo, setembro 07, 2003
O tempo dos sonhos
Acordo no teu rosto, os teus olhos na minha boca. Soluçar umas palavras pela manhã, a voz presa do cansaço, do teu corpo. O teu olhar sereno e o contraste da tua maquilhagem esborarratada, o negro a sair do verde dos teus olhos. Abro a portada para deixar entrar a manhã, a janela para recuperar o ar queimado no ardor do sexo. São as últimas horas que passas aqui. Não o sabemos, mas no ar o silêncio já o pronuncia. Volto a deitar-me contigo, os corpos ainda quentes, ainda muito quente a desafiarem o frio da manhã que irrompe da janela aberta. A vida acorda a nossa volta, nós ainda mortos, do cansaço do amor, da noite por dormir, de nos perdermos na imagem de uma lua redonda. Conto-te histórias nos teus cabelos, histórias vividas tempos antes, histórias inventadas de um futuro que tudo fará para não se cumprir. O futuro contra mim, contra nós. É essa a luta, tu também sabes. Que o tempo se saboreia no tempo, no tempo todo em que os sonhos ainda são possíveis. Não muito depois, tu já cá não estás.
sábado, setembro 06, 2003
A rapariga e as flores
Deve ter sido uma saudade bruta aquela, porque de repente foi tomado por uma vontade imensa de oferecer-lhe flores. Uma por cada dia que não estiveram juntos como se fosse uma compensação divina ou mesmo que a ausência e afastamento um do outro pudesse ser compensada de alguma forma na essência de um conforto material ou um carinho na alma. Nem mesmo era possível contar os dias que se perdiam no tempo disperso e confuso dos dia, nem havia assim tantas flores na loja. Não se importou. Não valia a pena zangar-se com o mundo. Foi o que pensou, a olhar para a empregada da loja ainda incrédula com o seu pedido. Muito tempo não estiveram juntos, tinha agora a certeza. Continuava a gostar dela com o mesmo carinho, com a mesma sensação de que a água dos sentimentos escorreria ainda como um rio sobre o seu coração. O tempo demora a passar sobre as pedras, é uma erosão que só faz cócegas. Havia sempre um sorriso no coração dela bem mais poético que uma desculpa. Escreveu-lhe uma carta em papel cor de rosa sem intenção. Era o único papel que tinha por perto. Gostava destas coincidências. Faziam-no acreditar num qualquer acto mágico. Um acaso é uma demonstração metafísica, pensou. Às vezes o mundo bate certo na sua engrenagem esquisita, disse-lhe a ela. Faz muito tempo que não conversam, faz muito tempo que a voz não se faz sentir, que os olhos não pousam sobre os mãos como mãos inseparáveis dos dedos. Embora continuem a falar da mesma maneira. Sempre a tentarem perceber o mundo mas sem se explicarem a si próprios. Só pode ser assim, dizem um para o outro. Já não se envolvem. O que é bom. Ficavam sempre demasiado perto e ao mesmo tempo demasiado longe. Ele de um lado da margem de um qualquer rio imaginário e ela da outra. Ficam bem a passearem um de cada lado. Às vezes o rio estreita e podem dar a mão, mas só por dois ou três passos. Está certo que seja assim.
quinta-feira, setembro 04, 2003
A rapariga da praia
Ia para casa sem destino a pensar no sentido da vida. Passava muitas noites em claro. Dormia pouco por causa da ânsia de querer viver muito e morrer depressa. Uma noite sob uma lua indefinida cima passeou na praia. Deu a mão a uma rapariga. Andaram de onda em onda gladiando-se com uma maré que os empurrava para a praia. Ele tentava salvar-se do naufrágio que se tornara a sua vida. A rapariga parecia uma âncora, pensou ele. Tirara-lhe o coração da deriva louca e sem rumo de um mar de sentimentos confusos e errantes. Descansaram os dois um pouco, sentados sobre uma rocha, abraçados os dois com os olhos postos no infinito da penumbra da noite frente ao mar. Ele olhou por algum tempo o rosto calmo dela. Era mais bonita do que um convite, do que a porta de um quarto aberta. Falaram de carinho e de outras tentações, mas nunca de amor. Se fizeram amor era porque não arranjaram outra maneira de o dizer. Mas não importava ser assim. Nunca quiseram saber o que faziam quando não estavam um com o outro. Eram bons os momentos que conseguiam estar juntos e isso, era por si só, um exagero. Uma felicidade demasiado grande. Podiam viver juntos se quisessem. Tinham um quarto alugado onde tantas vezes se encontravam. Nunca nenhum deles teve essa intenção. Não viviam um com um outro, mas não podiam viver um sem o outro. Estava certo ser assim, pensava ele. Dizia que ela o tinha sarado de muitas dores, que não tinha sido preciso salvar-se no corpo de muitas mulheres. Que tinha bastado o dela. Às vezes sorria quando pensava nela. Nunca pensava porquê que sorria, mas também não o tinha de fazer. Só queria saber se ela estava bem, mas jamais lhe perguntou. Sabia que quando estavam juntos estavam bem os dois. Uma sintonia que o fazia vibrar como a corda agitada de uma guitarra. Isso era já de si um bom consolo. Nunca pensou o que ela era no seu coração, agradava-lhe apenas pensar que ela estava lá sossegada como estavam muitas outras coisas. A importância de isso ser assim não fazia sentido, mas ele deixara-se de se importar com a razão das coisas, com os motivos complexos que a natureza lhes escondia. Bastava-lhe essa caricia que era tê-la no coração.
segunda-feira, setembro 01, 2003
Regresso
As férias já se foram e o primeiro dia de trabalho não me deixa grande ânimo para a escrita. Vou repôr a informação de como anda o mundo. Presumo que não tenha mudado muito, tudo questões de pormenor, as grandes notícias sabem-se logo. Vou confirmar.
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