terça-feira, setembro 30, 2003
Ainda assim...
Olho abstraida para a chuva lá fora. É bom vermos que não é só a nossa alma que chora.
Patamares
Pode-se estratificar toda a vida em compartimentos. As nossas actitudes podem ser catalogadas pela proximidade ou afastamento dos instintos mais primários. A nossa consciência desenvolve a moral segundo uma pirâmide do socialmente aceite, e muitas vezes do politicamente correcto. Podemos superar os nossos sentimentos mais básicos domesticando-os. Damos a volta ao obvio para não admitirmos que a parte animal ainda nos condiciona.
E florescemos agora numa brutalidade que faz corar o mais selvagem dos animais. Para onde seguimos?
E florescemos agora numa brutalidade que faz corar o mais selvagem dos animais. Para onde seguimos?
Oba! Oba!
E logo mais uma visita fugaz a Aveiro. Espero que um jantar na Costa Nova esteja contemplado também!
Acordar
Muitas vezes abria os olhos e deparava com o cenário desolador do desconhecido, tinha de se arrastar dos sonhos e saltar para a realidade. Era assim que se sentia sempre que dormia fora da sua cama. O entorno sem referencias tinha o efeito de um pequeno choque eléctrico, sentia-o percorrer o corpo e logo todos os seus sentidos alerta faziam o reconhecimento do que a rodeava. Muitas vezes acordava e sorria pois sabia que ele a iria observar em breve. Ainda minimamente desperta lembrava o carinho com que lhe desejara boa noite, sabia que ele pensava que ela estava embriagada, de sono e de álcool. Mas estava atenta, estava sempre.
segunda-feira, setembro 29, 2003
A rapariga e o pensamento
Andávamos sempre de mão dada num pensamento sobre uma certa filosofia de vida. Um mundo encantado, quase privado e só para nós. Olhava-me com sabedoria com uma presença que sabia só sua. Nunca mentíamos. A verdade, por vezes, parecia um carrossel que nos punha tontos e que, por vezes, doía como se nos estivessem a picar agulhas. Obrigava-me à sinceridade fazendo-me vergar à sua doçura. Falava com desenvoltura num despique de palavras muito especial, uma guerra que amávamos e que nunca ninguém ganhava. Não era preciso ninguém vencer. Um combate de esgrima onde nunca se marcavam pontos, a pontuação ficava nas frases. Ela nunca se impunha mas defendia o seu querer com muito mais querer que o meu. Tinha dela essa impressão. Chegávamos a falar de coisas desnecessárias mas muito importantes. Tinha sempre a sua razão mesmo quando queria que ela não a tivesse razão nenhuma. A sua inteligência era sexy. Dava vontade de acreditar que as pessoas não ligavam à beleza física. Até parecia possível. Não que com ela fosse preciso.
Siempre lo mismo, siempre lo mismo
Que dizer das intermináveis e constantes enxaquecas?
O karma do sofrimento, é o que é.
O karma do sofrimento, é o que é.
A mao pelo corpo
Corri, como a um defunto se faz, a mão gelada pelos olhos em gesto de morte. No corpo de latente cadáver, corri, a mão sempre amena: na boca, no peito, até apertar
com a força do escândalo a barriga de mulher grávida. E corri, de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do sexo repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar; a todos os olhos de outros. E no teu útero,
como um toque divino, fiz nascer-te em amor para mim.
com a força do escândalo a barriga de mulher grávida. E corri, de novo a mão em carícia espalmada bem em cima do sexo repleto de amor e fecundidade. E toquei, bem fundo de paixão o útero amado donde nasce a vida. Corri, como a um defunto se faz, a mão pelos olhos pelo gosto de te matar; a todos os olhos de outros. E no teu útero,
como um toque divino, fiz nascer-te em amor para mim.
Maos
Mãos de aranha. O gesto dos dedos, reflectem-me imagens. Dedos quebradiços, longos, perspicazes. O gesto dos dedos tem a doçura feminina do fascínio…
Tristeza
Ouço agora JET SOCIETY a lamentar "Vai minha tristeza, vai, que não sai de mim..." e lembro que a minha nunca está dois passos afastada.
Duvida sexual
Pois, deixaram-se levar pelo título, ainda bem!
A minha dúvida nada tem de sexual, mas assim já tenho a vossa atenção. Depois deste fim de semana, agradecia que me elucidassem sobre uma moda que, nem sei se será recente, mas da qual só agora me apercebi : porque motivo se veêm alguns carros com um lencinho tipo americano preso na argola do reboque dos carros (aquela que está por baixo do carro, do lado direito na traseira)?
A minha dúvida nada tem de sexual, mas assim já tenho a vossa atenção. Depois deste fim de semana, agradecia que me elucidassem sobre uma moda que, nem sei se será recente, mas da qual só agora me apercebi : porque motivo se veêm alguns carros com um lencinho tipo americano preso na argola do reboque dos carros (aquela que está por baixo do carro, do lado direito na traseira)?
After
Encontrei-me assim a lembrar o que tinha vivido. A sensação que fiquei foi de um abismo. Um abismo de mágoa, de dor. Um infinito de sofrimento que rasgaste na minha alma. As noites de pesadelo que tentas apaziguar, os silêncios que cortam e os olhares que gritam. Tudo junto no somatório das decisões precepitadas. Ás vezes só queria. Isto mesmo só querer. Porque é necessário o objecto da acção? Porque não pode ser válida só a subjectividade? Tens a realidade em frente, e como sempre só procuras o que não existe.
E no entanto, o sangue corre louco por um coração oprimido, compactado numa jaula de dor. Respirar é como engolir uma outra agulha que se crava mais fundo, é mais um soco dado dentro do estômago, é um soluço raivoso. Aguardo que passe.
Estou aqui. Ainda.
E no entanto, o sangue corre louco por um coração oprimido, compactado numa jaula de dor. Respirar é como engolir uma outra agulha que se crava mais fundo, é mais um soco dado dentro do estômago, é um soluço raivoso. Aguardo que passe.
Estou aqui. Ainda.
sexta-feira, setembro 26, 2003
Ensonada
O desespero de noites mal dormidas está a levar-me à ruina... Custa muito manter os olhos abertos e a mente desperta... Os comprimidos para a maleita crónica ainda pioram o cenário, potenciam a necessidade de dormir.
Mas para mal dos meus pecados, quando chego ao leito, a vil insónia desperta-me para desespero do meu sossego mental...
Mas para mal dos meus pecados, quando chego ao leito, a vil insónia desperta-me para desespero do meu sossego mental...
Ainda nao passou...
Olho insistentemente para o relógio. O tempo quando o observamos não passa. Mas agora nem com o habitual truque de fazer várias coisas para que este se torne menos omnipresente o consegue enganar. Bolas!
Sem sentido
Aguardo o passar do tempo numa reflexão dourada, daquelas que nos são queridas e nos fazem sentir "cosy" na alma.
Estonteada nas lembranças que fazem sorrir sem querer.
Sinto-me dormente, a realidade não está a passar por mim, só vejo tudo coado pela doce luz de uma gase de tons terra e sangue esbatidos, cores da vida, mas duma essência vaporosa.
Chegam-me cheiros completos de ternura, ricos de aroma e minados de sorrisos. Voluptuosos.
E tu sabes.
Estonteada nas lembranças que fazem sorrir sem querer.
Sinto-me dormente, a realidade não está a passar por mim, só vejo tudo coado pela doce luz de uma gase de tons terra e sangue esbatidos, cores da vida, mas duma essência vaporosa.
Chegam-me cheiros completos de ternura, ricos de aroma e minados de sorrisos. Voluptuosos.
E tu sabes.
Ora! Ora!
Dizem-me "com esse penteado pareces cota" e volto à minha questão PORQUE RAIOS AS CABELEIREIRAS NOS CORTAM SEMPRE MAIS O CABELO DO QUE PEDIMOS!!!
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