quinta-feira, julho 31, 2003

X do teu nome

Aqui tudo começa. Pergunto pelo teu nome. É importante, questionas tu. Como quando somos crianças que procuramos o vocábulo água para saciar a sede. É assim que tudo ganha sentido. Falámos de desejos, comentas tu e acabas a frase num suspenso que desenha no ar umas reticências, como os três sinais que te desenham o lábio superior. Falámos de um ponto inicial e de uma direcção, é quase geometria descritiva. A equação do meu nome, divertes-te. Podes ser a x, mas assim nunca seras a tal. É como na escrita, um ponto final.

Ora!

Sou invariavelmente questionada porque os meus dois cães usam coleiras com uma espécie de espinhos. E inevitavelmente olhada com surpresa pela resposta que dou - "É para não se matarem um ao outro". O reino animal ainda funciona nos seus condicionalismos.

Invidia

Eu sei que é um pecado capital, mas não posso deixar de me sentir assim só de pensar nas minhas irmãs em pleno retiro playero com direito a uma subida ao chiringuito para umas tapas e cervejinhas...Damn me.

Dias

Dias há em que acordamos dormentes, percorremos o dia num limbo sensorial e chegamos ao fim do dia como se chega ao fim de um sonho, estrebuchados.

quarta-feira, julho 30, 2003

Mujeres

Extrato de conversa telefónica
"Yo he tenido un novio portuguès ahi"
"Pero se me dicen que los argentinos son los más guapos de latino-américa?!?!"
"Si, y lo son, pero hay que variar..."

Whirlpool

Ontem não escrevi, hoje também pouco me apetece escrever. Sou de paixões, escrevo sempre à flor da pele ( eu sei que é mau ). Agora não quero escrever, estou como me disse uma vez um professor - "You've got a huge whirlpool inside your head". Fico assim às vezes. Mas logo passa.

terça-feira, julho 29, 2003

Elogios

Os elogios à ternura deviam ser feitos por actos, e por momentos, esquecidas as palavras.

A Mentira

Nada do que dizem sobre a mentira é verdade, mas, em verdade, há muitas mentiras

A Tristeza

A gente separa a raiz do caule, depois há sempre uma folha pendente na nossa imaginação. A vida tornou-se vegetal e os olhos parecem vidrar nas cores dos meus como uma alface recheada de vinagre. A tristeza calçou uma bota no seu pé descalço e eu pensei que ela pudesse partir. (1992)

Pensamento.Ultimo

O desespero do meu desejo caiu abruptamente sobre a tua boca. Comprometida como a minha.

Pensamento.Cinco

Estou a trabalhar para a verdade do meu sorriso.

Pensamento.Quatro

Já vivi no teu perfume...

Pensamento.Tres

Não estou sozinho; isolado. Não estou perdido; apenas um rumo indefinido.

Pensamento.Dois

A ignorância é a aurora da inocência.

Pensamento.Um

O homem ao vencer a Natureza derrotou-se a si próprio.

segunda-feira, julho 28, 2003

Ena, ena!!

Andam os blogs Aviz e a Voz em deambulações com meu nome!!

Cuidai nao mais

Cuidai não mais, senhores
nem me encontrareis ensimesmado
nem perdido e sofrido pelos amores
de uma moça vivente em vosso lado

Senhores, a vida tem-me em clausura
não pela roupa, nefasto atavio
nem pelo veneno da mordedura
de um amor de longo pavio

Pois que o calor da estação
me adormece os cinco sentidos
e quer eu queira quer não
ainda vivo dos licores bebidos

Velai senhores pelo meu ser distraido
que bom mundo a meu lado passa
e do coração mau sentimento possuído
por uma retribuição tão escassa

vivo na loucura do pensamento
fantasias oferecidas por catraias
qual paraíso qual tormento
pois o calor lhes levanta as saias

é neste desvario grande e infindo
que se me escorre o tempo sempre frugal
em busca, quiçá, de um sorriso lindo
para por em poesia um outro amor irreal

DESPERATLY SEEKING FOR SHINHO

QUE É DO NOSSO BLOG M.C. QUE NÃO POSTA NADA DESDE SEXTA FEIRA?
"AINDA SEI ONDE ESTIVESTE NO FIM-DE-SEMANA" MAS...TANTO TEMPO SEM PROSA(K)?
AINDA A PENSAR NAS FICHAS PARA OS CARRINHOS DE CHOQUE OFERECIDOS PELA MINHOTA CATRAIA? OU ENSIMESMADO NUMA REFLEXÃO CATÁRTICA SOBRE A INDUMENTÁRIA NOCTURNA?

ESCREVE, POR DEUS, QUE NOS TRAZES EM CUIDADOS!!!

Suspenso

Olhos que vêem turvo
no respirar cadeado,
de tempos escorridos.

Vens empoeirado,
do sentido mexido
do peregrino.

Procuras em vão
os caminhos
de tempos perdidos.

Recolhes estrada
nuvem e fome,
partes sempre.

Vês dentro outro
que não vias,
encontras mais.

Segue o sulco,
tanto galgado,
de penas urdido,
e choro lavrado.

Remember yesterday?

Pois é, recordar os tempos passados resulta bem! Pena a crise "à lo Nietzche" que me deu cabo da festa...