sexta-feira, julho 25, 2003

ONZE CONSELHOS FUNDAMENTAIS

1. Não comas nada picante no dia da tua aparição. Pode provocar uma ou outra flatulência enquanto te movimentas.

2. Diz à tua mãe que vais chegar tarde para jantar.

3. Contrata um bom advogado. Vai livrar-te de vários problemas.

4. Deves estar o mais bonito possível. Corta os pêlos púbicos e depila a zona do cú.

5. Unta os braços com óleo antes de entrares em cena. É o melhor para que não consigam prender-te.

6. Despe-te rápido. Evita que te agarrem antes de saltares.

7. Mantém-te sempre completamente nú. Faz algo de especial e de gracioso. Não vale ficar só despido.

8. Se tens uma pila grande, deixa-te ficar no meio. Elas que venham. Tens de sobra.

9. Se tens uma pila pequena, isso far-te-á parecer mais gordo do que realmente és. Corre o mais que puderes, de modo a que pareça maior.

10. Nunca incomodes ninguém. Certifica-te de que tens algo de muito bom para fazer ou para mostrar. Exibe-te apenas durante uns minutos. Não fiques demasiado tempo. As pessoas podem cansar-se.

11. Se estás num país estrangeiro, diz repetidamente «lamento» no idioma local. Vais marcar pontos e ficarás livre mais cedo.


Realmente as coisas não são nada do que parecem, suas mentes perversas.

Estes são apenas e só os (bons) conselhos do internacionalmente famoso Mark Roberts, o «Streaker» de Sevilha. E de Ascott. E de Wimbledon. E de Old Trafford. E do London Dome. And so on, and so on… Isto tudo, e muito mais, disponível aqui. (a não perder).

Para a semana, todos os conselhos sobre como entrar numa pista de Fórmula 1 durante uma corrida (e não ficar como o gato da Brisa).

Memorias - parte 1

Ainda falava hoje sobre este tema com a minha irmã, ela disse que não recordava quase nada da infância e eu pelo contrário recordo muito bem. Disse ela que o esquecer faz parte da vida, porque nos permite seguir em frente. Eu acho que o recordar nos ajuda a avançar. Agora, enquanto bebo este chá "Mate Leão", lembro com carinho as tardes estivais passadas com a minha avó em que ela nos preparava um delicioso refresco de chá "Mate Leão" antes de voltarmos para as diabruras no jardim... Acho que sem estas maravilhosas recordações os dias tristes custariam muito mais a passar.

As maos

As mãos não acreditam no sentir, como se a pele fosse um jogo do faz de conta. Tu dormes quieta ao meu lado, aonde a paz do meu coração te adormeceu. Há um sentir dormente que desperta na manhã e a isso não chamo amor. Tu não te importas, o teu sorriso diz quase tudo, mas o quente da tua mão que sossega o lábio ainda vibrante da palavra anterior, ainda diz mais. Gosto das mãos que falam; que pedem com a palma estendida qual báu aberto a espera da entrega do tesouro; das que oferecem com os dedos esticados como se nos procurassem; das que acariciam sem pressionar com a lentidão das coisas que não têm importância; das que se entrelaçam numa união mais forte que um cadeado de chave atirada ao vento. As tuas falam docemente pela manhã e os teus olhos são só uma paisagem. As mãos brincam, são crianças risonhas num parque infantil saltando de diversão em diversão; são exploradoras tenazes que desbravam a selva; são jardineiras de um jardim colorido como os teus olhos. As mãos beijam-se fazendo cornucópias e um bailado moderno no ar. Estão dadas, longamente oferecidas a troca de prazer. Nas tuas mãos um abraço final principia.

Elogios

Temos sempre uma actitude de embaraço quando nos fazem elogios (pelo menos eu nunca sei como reagir, normalmente desvio a conversa), mas elogios há que nos deixam perplexos, hoje disseram-me que tenho uns pés elegantes (!?!?) e foi como levar com um frappé de fim de jantar logo pela manhã.

quinta-feira, julho 24, 2003

Ha sempre uma primeira vez (normalmente com mais excitaçao do que talento)

Pensamento do dia: «Contra blogs, não há maquilhagem que resista».
O mesmo se aplica em relação aos gatos atropelados. Ou seja, perante tal cenário, é difícil aceitar a indignação do Ferro Rodrigues por causa das escutas telefónicas. O que são 1700 telefonemas gravados em comparação com um gato atropelado?
Ainda por cima, o indivíduo garante que não troca de telemóvel há dois anos... Deve ter o aparelho cheio de remelas. Terá falado com o Dr. Kelly?

P.S.: Podiam explicar-me porque não posso acentuar as palavras do título?

Contos da Consciencia Moral (1989)

Ele, Homem, falava com ele próprio, num dialogo interior bastante agitado.
O Consciente protestava com o Subconsciente, por este lhe impelir para acções que ele jamais faria. A discussão continuava a azedar. O Consciente reclamava direitos contra o outro, por uma vez, lhe ter tentado tirar o lugar. O Subconsciente defendia-se, para depois sair num rápido contra- ataque:
- Se a tua mulher, a Consciência, fosse uma mulher a sério e se te obrigasse a fazeres jus ao teu nome, tu o Consciente, nunca te descontrolarias e nunca seguirias os conselhos do teu primo Inconsciente.
- O Consciente aceitou que se tinha deixado levar pelo Inconsciente, mas isso não dava direitos a ele, Subconsciente, de lhe passar por cima.
- A culpa do gajo se meter nos copos é tua. É teu dever que ele esteja ciente do que faz. Deixas o tipo andar à deriva!
O Consciente fez uma cara sisuda. O que levou a que o Homem se sentisse intrigado. O Consciente prosseguiu:
- Eu faço tudo para o gajo se libertar daqueles estados de espirito neuróticos. E tu, pões o gajo quase a suicidar-se e a odiar aquelas coisas que eu quero que ele ame.
O Subconsciente deixou-se levar sem piedade numa gargalhada estridente. O tipo-Homem sentiu uma forte dor de cabeça.
- O' meu anormal, não vês que é esse o meu papel: mostrar-lhe o lado invisível das coisas, o outro mundo para além do conhecimento. Senão o gajo ficava sempre na mesma. Eu trago novas visões ao tipo.
- Diria antes: alucinações tuas!
- Ai são minhas são, mas ele também as vê. E acredita nelas.
- É por isso que depois, fica aflito e perturbado. E eu é que tenho de falar com ele, amansa-lo. Acalma-lo, enfim!
- Oh pá, é esse o teu papel. Dar-lhe consciência das coisas reais deste mundinho. Já agora, como é que vai a tua mulher?
- Cada vez mais gorda, o tipo só tem feito disparates.
- A Consciência está a ficar pesada.
- Pois é, e ela que era tão linda, tão inocente. Mas não disfarces - lá voltou o Consciente - a culpa é só tua.
- És uma praga de todo o tamanho. Gostavas de passar a vida escondido, ali ao fundo esquecido? Eu não gosto; por isso, quando deixas que o tipo falhe lá apareço eu.
- Já pareces o meu primo. Cada vez que o gajo bebe uma cerveja ou whisky, o gajo aparece logo para lhe oferecer outro. Arregala os olhos que felicidade a dele.
- Quem o Inconsciente, não posso crer?!!
E riram-se os dois.
- Ooopss! - alertou o Consciente - o Homem vai dormir.
Fim do turno d' Hoje. Ah! Estava a precisar de descanso.
- Sorte a tua; agora começo eu. Tenho de por o gajo a sonhar. Bem, então adeus!
- Bons sonhos!!
- AH! AH! Ah! - riu-se efusivamente, o que fez com que o tipo ficasse ainda com mais dores de cabeça - Esta noite vão ser pesadelos. Prepara-te para acordares a meio-da-noite!

Pupazzi

Os politicos cada vez mais se querem parecer com as cópias do "Contra-Informação".

Escrita

Escrever é como maquilhar-se, pomos sempre o superficial para parecer mais bonito e esquecemos que com o excesso fica rídiculo.

Longe aqui

Vivam as festas! Neste fim de semana caseiro com direito a festa temática, reviveremos os anos oitenta. Engraçado como a maioria não encontra nenhum traço relevante da década a nível do guarda-roupa e eu penso que a moda actual é um rebuscar no bau dos oitenta!

Nada

O silêncio abafa
numa introspecção que implode.
Aninho a um canto,
na procura de protecção.

O circundante entra
pele adentro,
numa violência rubra
da maior sangria.

Desdém lacrimejante,
de paragens secas,
desertos primaveris,
de infinitos estéreis.

Passagem de tudo
encontro de nada.

Pormenores

No Reflexos de Azul há um post sobre os pormenores que se pode ler assim: "Todos os pormenores são sórdidos, por serem pormenores.", se o Frank Lloyd Wright dizia que "Deus está nos pormenores" quererá ele dizer que Deus é sordido? Ou afinal a lógica é o que a gente sabe?! De qualquer maneira eu aprecio os pormenores, acho mesmo que muita da beleza que vemos não raras vezes se esconde nos pormenores. E, voltando ao Roland Barthes, quando ele define o punctum como aquele detalhe fundamental que torna uma fotografia banal em algo especial, com a caracteristica na qual se transgride da mera transcrição da realidade para a arte, para a linguagem da subjectividade do olhar; fico com a sensação que negligenciar o pormenor e marcá-lo de sórdido é como roubar um azulejo de uma fachada porque afinal há lá muitos outros. Mas, se calhar, isto é só uma questão de pormenor. Ou seria brincadeira? É que noutro post pode-se ler também: "A prova que escrever e pensar são coisas distintas é que se pode escrever sem pensar.". Claro que isto são pormenores sórdidos no texto, porque o Blog até é um bom blog.



quarta-feira, julho 23, 2003

Acenos

Hoje ouvi uma música antiga dos Soft Cell, o "Say Hello, Wave Goodbye". Gosto desta música por variados motivos para além do musical. Mas hoje apeteceu-me acrescentar duas palavrinhas ao título "Say Hello (Férias), Wave Goodbye (Trabalho)". Isso, e uma esplanada e eu ia passar a acreditar na humanidade.

A Boca

A solidão devasta-nos a alma. O silêncio perfura as bocas, mas delas só sai um oco inaudível. O lábio funde-se no lábio, uma porta estanque do teu sentir. Do meu também. Dizes que não queres viver na cidade que eu te escancarei como o amplo deserto das minhas riquezas. Eu aceito num silêncio resignado que te circunda, que te abraça, envolve, mas com força, com força desmesurada até sentir o teu desconforto. A perversão de uma maldade sem a forma, com a crueza das pessoas maltratadas, criança mimada que resignada amua, mas sem mostrar a mágoa que lhe acinzenta o sorriso. Despeço-me em lágrimas, não, volto atrás e seco as lágrimas que ainda não tinham saído, enxaguo a alma. Sento-me de novo, e digo: repete. Não, não repitas. Eu oiço bem, olho nos teus olhos e oiço o teu coraçao falar da mágoa que te vai por dentro, e dói, eu sei que dói. É a mim que mais dói. Mas não somos todos vitimas do destino? Baixas os olhos como se não quisesses falar, sabes que eu te leio, um livro onde salto parágrafos que não compreendo, onde vejo texto aonde é afinal é paisagem baça e descorada de coisas que nem tu percebes. Não é fácil, escondo-me na boca de onde as palavras não saiem. Um esconderijo onde brinco sempre. Nada é certo, nada é por certo errado. Há um corropio de vocábulos a circular na cabeça, uma leve corrente de ar que rodopia, e rodopia. Eu sei aonde vai dar, o vento, o vento que sopra nos campos fazendo vendavais de palavras que deviam ser ancarceradas, em palavras temperadas no acre da boca com paladar a mágoa. Não, não queremos isso pois não? Amaino as palavras iradas da cabeça, e dou-te a mão. A simples mão de amigo que tu ainda não compreendes. Vais compreender assim saiam as palavras correctas, as que desvendam o mistério, que percorrem os teus olhos de mar até as areias movediças do meu sentir. Eu ainda guardo o teu número.

Tudo mal

Estou furibunda. Vi agora mais uma atrocidade, daquelas que nos trespassam o dia e que tentamos sempre relevar, não dar demasiada importância para não nos aborrecermos com questõesinhas. Um gato a morrer atropelado. Sim, um acontecimento tão trivial no nosso quotidiano, que já o torna um apêndice da paisagem. Mas o que tem este assunto que possa deixar-me transtornada? Simples, a constatação de que o respeito pelo que nos rodeia tem cada vez menos valor, apreender nas actitudes diárias da população uma valoração moral a roçar o maléfico. Quanto tempo mais teremos de aguentar com a subtração continua de uma qualquer consciência cívica? A moral e a deontologia terão perdido todo o valor para a sociedade em geral, sendo seguida somente por uma pequena parte da população (que muitas vezes se envergonha de querer fazer o bem, algo ridicularizado hoje em dia na nossa sociedade - não falo aqui de colectas, doacções ou outros circos televisivos)? Terá a consciência perdido toda a força argumentativa? Ou será somente que vivemos numa época desprovida de conceitos éticos?
Quantos de vós são capazes de ajudar um idoso desconhcido a levantar-se ou a sentar-se?
Quantos de vós são capazes de dar passagem a um peão na passadeira quando já estão demasiado atrasados?
Mais simples ainda, até agora quantas pessoas saudaram, mesmo as desconhecidas?

JPP

Diz JPP no seu abrupto que a palavra "abismo encerra o medo dentro", eu sempre vi esta palavra como o arquétipo do vazio, da suspensão, a sensação que nos provoca terá mais a ver com a forma de vermos o mundo, o desconhecido provoca sensações e reacções diferentes em todos nós.

Soluço

Tenho a alma presa num pendor de dor,
aguilhonada por lágrimas salgadas,
a pele tersa na agonia de te perder,
os olhos comprimidos de pranto,
os ouvidos cheios de choro,
o sangue célere em correr,
vivo na memória de ti,
e da tua pena.

O vento corre,
deixa-me um pouco de ti,
tombando delicadamante,
leve como és,
não podes mais ferir.
Então porque magoa a tua ausência?

Nunca passa tempo demais,
o antes e o agora comungam,
como tu e eu fazíamos,
na longinqua vida de antanho.

O meu nome é agora a tua essência,
o meu ser tua descendência.

terça-feira, julho 22, 2003

Azar dos azares

Espero que nunca vos aconteça isto: estive mais de meia hora a escrever um post sobre uma aventura por blogs estrangeiros. Fiquei admirado de ter escrito tanto, e não é que, quando cliquei no botão do Post & Publish a m#$%a da Netcabo falhou e o post perdeu-se por completo. Como diz o anúncio da Frize "Tou que nem posso!". Lembrem-se antes de fazer Publish, façam CTRL-C. Melhor escrevam sempre no notepad e nunca directamente no Blogger Edit. Como li algures, "Dis Phukin' Thing Sux".

O começo da escrita

Saber que não se escreve para o outro, saber que isto que vou escrever não me fará nunca ser amado por quem amo, saber que a escrita nada compensa, nada sublima, que está precisamente aó onde tu não estás - é o começo da escrita.
Roland Barthes, "Fragmentos de um discurso amoroso"

How low can you go?

Cada vez que começo a ler os diversos jornais on-line, fico atónita. Temos de ler um par deles de diferentes cores politicas, para poder filtrar todas as informações. Cada vez mais sinto-me como um Indiana Jones para tentar vislumbrar umas luzes do que se passa no mundo. O recente caso Dr. Kelly é mais uma prova de que, cada vez mais, temos de ter atenção ao que lemos.

Yhicks!

Há dias em que acordamos com uma disposição... Hoje se me dizem algo que não goste, estou capaz de escarafunchar a cara do interlocutor com socos.
Boa, encontrei uma nova qualidade para aqui escrever, serve de excelente "punchingbag" espiritual.