terça-feira, agosto 26, 2003

O Cupido Apaixonado

Cúpido, porque choras?

Sempre de vi tão feliz, que névoa triste poisou sobre ti e te fez parar, impossibilitando-te de bater as asas e vibrar na melodia intrigante de tuas canções? Tu criatura alada que me fizeste feliz vejo-te agora assim e sinto, sim, sinto que sou eu também que me afogo, que me amarelece o meu rosto de dor profunda, que também estou eu sofrendo dessa doença nostálgica.

Cúpido, porque choras?

Tu que me atiraste uma seta e com ela, apesar do sangue que jorrou, fizeste a minha intensa felicidade. Tu que me inebriaste com o melhor dos vinhos, que me tornaste imortal no pensamento da que amo e que me ama. Tu que me deste tanto, que posso eu fazer por ti? Pede-me tudo, quero ser eu a cumprir o teu desejo, farei a viagem mais longa pelos desterros do mundo, roubarei e matarei se necessário for para ter de volta o teu sorriso mágico, para ver de novo as tuas asas baterem, tão hábeis, tão rápidas e felizes como uma pequena libelinha no seu vôo livre da manhã. Quero ouvir de novo o som do teu arco, ouvi-lo de novo a vibrar como uma harpa, e depois, depois ouvir aquele som seco e brutal da seta a cravar-se na carne, cada vez mais dentro, mais adormecida no interior do corpo e ver então os amantes sorrirem, felizes.

Cúpido, porque choras? De que necessitas tu?

- Devolve-me a tua, a minha última seta?

segunda-feira, agosto 25, 2003

Recorrência

É engraçado como esta frase escrita em 1992 tem uma recorrência extraordinária na minha vida:

Já consigo, em paz, olhar o verde.

Vem

vem. o amor existe, eu sei e já vi a sua sombra. esquece o que sabes e eu abandono a minha sabedoria, afinal, que sabemos nós de nós mesmos? que sabemos um do outro ou mesmo do mundo? vem. vai ser o amor a contar uma história, eu já não sei o que te diga. o espirito da lua cravou um espinho negro na minha alma, o espirito da lua já te tinha beijado na face e eu também. é como se o amor fosse contagioso, como se o teu desejo me infectasse, como se ao primeiro toque com qualquer coisa essa doença nos tomasse. foi só preciso um sinal claro dos teus olhos e eu não resisti. por isso digo. vem.

o tempo

faz tempo que procuro sangue novo na lua. a lua todos os dias sabe que o sol nasce nas palavras
mas raros são os dias em que a lua sonha. agrada-me que o tempo corra fechado na ampulheta de vidro esfumado com segundas intenções perversas. o tempo arrasta-se na baba do caracol, mas o caracol não sabe nada do que está para trás. o passado é apenas grão pronto a ser desfeito na mó do teu coração.

Hospedagem

Os barcos atravessam o ponto do horizonte aonde o sol se faz sentinela de um só olho. Faz um frio que corta o teu perfume que se espalha no vento, arranha as abraçadeiras lassas do meu coração.
Procuro a verdade nu tapete de seixos maduros. Por baixo, e ainda por cima. Quase mordo o caroço, o ícone da essência de uma noite, de qualquer fruto. Tens nos teus olhos a luz que a noite roubou.
O nevoeiro é um tear onde se tece a pele, o embrulho esfarrapado das nossas veias cansadas. Ainda tenho uma vaga na hospedagem do tempo que conservo com carinho. Podes ser tu, ou qualquer coisa sem guarida.

sexta-feira, agosto 22, 2003

Um verao cheio de ti

este foi o primeiro texto que escrevi nestas férias. precisa de umas revisões, com o tempo amadurecerá...


foi um verão cheio de ti. um verão cheio de luz nos teus olhos. cheio de conversas que imitavam palavras escritas. foram cartas escondidas em silêncios desbravados numa praia. as rochas que saltamos, os pés que molhamos cresciam como memórias que não morriam. foram grãos de areia contados entre o indicador e o polegar, a ampulheta do tempo a imitar o bater do coração instalado nos segundos do verdadeiro tempo. foram longos os passeios que destruiam a tarde, que subjugavam o pôr-do-sol até nos perdermos na noite. foi o orvalho que tombava nos teus olhos de riso, o humor da minha alma patética como um elogio terno. foram de novo as palavras, agora sussuradas aonde dormia o silêncio da noite. foi a boca no ouvido a escrever segredos nas orelhas, adornos ainda mais reluzentes que brincos de prata na ternura da aurora. foram textos de intimidade no diário de uma só noite. foi de novo o sol, foram de novo dias como outros dias, como os dias que se seguiram. foi de novo a praia, o sol que queimava o teu corpo cada vez mais queimado, foram os olhares que regressavam em vagas de timidez. foram os toques na pele as feridas que ardiam depois das despedidas. foram os momentos em que ficava sozinho, a escrever, a escrever-te cartas imaginadas que se perdiam nos sonhos e não regressavam. foram as histórias embriagadas no final da tarde, foi essa tarde que mais uma vez se perdeu na noite, nessa noite que na praia, junto ao mar, te abracei o tempo todo que ousaste permitir. foi uma noite toda embalada nos meus braços, os segredos eram silêncios transmitidos boca a boca, as palavras saliva enredada no céu estrelado da boca. foram palavras estrangeiras trocadas no dicionário dos dedos, traduções de dialectos na brincadeira de duas línguas. foram noites cada vez mais silenciosas vividas na câmara escura dos olhos. trancados nas paredes finas de pálpebras, falavamos com as mãos nos cadernos escuros do corpos. foram noites de textos longos que só falavam de prazer. foram prazeres que foram repetidos no final de noites, no final dos dias, e dias seguidos, em dias consecutivos, no próprio dia as vezes que a alma queria, e o corpo lá ia e vinha cada vez mais escrito de memórias que não iriam querer morrer. foi a noite que choveu, qual diluvio que te levasse, qual chuva que te molhava os olhos de dor, que te escondia o sorriso num abraço dado na alma. foi a chuva que te levava, que extinguia o verão. foi a chuva nos meus olhos quando te vi partir, por detrás de um vidro que te levava, pingado de dor que escorregava por esse mesmo vidro que te levava cada vez mais longe, cada vez mais longe, cada vez mais longe...

San vicente del mar, 18.agosto.2003

Combate

Ontem enquanto aguardava o início de uma sessão de "home cinema", debati-me com o pesado adversário João Pestana, escusado será dizer quem ganhou, não vi filme nenhum.
São estas situações que me fazem lembrar da nossa condição primordial de seres animais antes de uma qualquer pretensão racional.

quinta-feira, agosto 21, 2003

Vicios

Dizem-me agora durante a minha incursão diária pelos blogs "Viciada!" ao que eu respondo "Como não fumo..."

Escrita

Afinal escrevi muita coisa estas férias que ainda vão a meio. Como escrevi na forma tradicional do papel e caneta tenho de arranjar um tempito para dactilografar tudo e então poder pôr aqui.

Trocadilho com pensamento pornografico incluido

Descobri um bar onde tocavam jazz de qualidade num sitio que apesar de lá ter passado muitas vezes nunca tinha reparado que era o unico sitio com animação do sitio aonde estava, uma terra sossegada no norte de Espanha, ao fim de umas quantas cañas pedidas sempre a mesma empregada e estando eu sozinho era natural que surgisse alguma conversa, nada de especial que se registe, a não ser quando eu digo que me vou embora e ela:
- Y mañana? viente mañana!
O bom senso impediu-me de dizer em alto e bom som:
- E Hoje? Porquê que não pode ser hoje!

Lembrando Hemingway

Enquanto tomava um café solo e uma cervejita na esplana uma rapariga na mesa ao lado pergunta-me:
- Siempre te miro acca escreviendo. Eres escritor?
- Me divirto escriviendo solo eso!
- Lo veo, cañita en la mano y por veces, una sonrisa. Ya lo habia reparado.
No dia seguinte lá nos encontrarmos na mesma esplanada e depois de um cumprimento de olhar, ela pergunta-me:
- Oye! Hemingway de la cañas, tienes fuego?
Pois é o absinto já não está a dar.

Ham?!?

- Porque é que às vezes ficas com um olhar estranho e distante? Em que pensas?
- Em nada. Sou eu que tenho uma alma triste e às vezes sou assaltada pela tristeza.

quarta-feira, agosto 20, 2003

Back to bussiness - acabaram-se as férias

A Espada está entupida de posts sobre férias, quanto horas e minutos faltam para as férias, o espectáculo que vão ser as nossas férias, os banhos que vamos tomar, a loucura que vão ser as nossas férias, o sol que vamos gozar, férias, outra vez férias e ainda mais férias.

O que não deixa de ser altamente deprimente para quem lê e que, com elevadíssima probabilidade, está a trabalhar. É o meu caso. Volto de férias e que encontro eu na Espada? Encontro, apenas e só, posts sobre férias futuras.

Não querendo minimizar o entusiasmo de quem ainda vai gozá-las, o certo é que as férias, tal como as praticamos hoje em dia, andam um bocado paradoxais.

- Para podermos descansar 22 dias úteis (isto para quem pode), andamos um ano inteiro a cansar-nos.

- Trabalhamos para o bronze durante duas semanas seguidas. Depois, em quatro ou cinco, ficamos todos esfolados e voltamos à coloração anterior.

- Passamos quinze dias a comer faustosamente e a beber alarvemente. Quanto voltamos, as calças não servem e vamos a correr inscrever-nos numa qualquer actividade desportiva.

- Ao longo do ano, temos pena de não poder passar muito tempo com as (os) namorados (as), maridos e mulheres, filhos e filhas. Nas férias, não raramente ficamos fartos de os aturar dias inteiros.

Isto só para citar as contradições mais evidentes. Mas não vale a pena ver as coisas pelo lado negativo. O certo é que também foi por estas e por outras que se inventaram os fins-de-semana, os protectores solares, os ginásios e as férias «à parte».

Boas férias (que eu já tive). E cuidado com o stress pré-estival.

Ritmo

Faltam três dias para ir de férias e já estou no ritmo! Nada melhor que viver no limiar dos acontecimentos, cresce a expectativa e não chega o momento.

A ti sempre

Penso no meu carro que te vai visitar e eu não estou, lembro o quanto queria ir, o desejo de já lá estar e o ter de aqui ficar. A minha vida segue o ritmo cadeado deixado pela tua existência. As lágrimas que me descem no rosto são a minha procura de ti. O meu suspiro não é mais do que um intervalo que faço na vida em tua homenagem, é a melhor forma que tenho de comungar contigo agora. A felicidade que vou encontrando hoje é um brinde a ti e às tuas pacientes lições de vida que me davas. A ti, sempre.

Altivo

Olho para ti, e vejo a dignidade ancestral inscrita nos teus traços. A tua postura, o teu olhar e pose são motivo da minha profunda admiração. Fico sempre surpreendida como as tuas potêncialidades podem ser admoestadas pelo carinho que tens por nós. Muitas vezes enquanto te admiro penso o quão fácil seria para ti impores a tua vontade. Mas logo fico embevecida com o teu doce olhar e carinho enquanto te faço uma festa.

Percurso

Na nossa existência temos de ultrapassar um determinado caminho para terminar onde deveriamos. O mais estranho é que todos temos de percorrer uma direcção tão distinta uns dos outros. Quem nos faz tão diferentes? As nossas escolhas ou as nossas vivências?

terça-feira, agosto 19, 2003

Reviver o passado

Existem vivências que parecem pertencer-nos de outras vidas, às quais atribuimos uma linha de seguimento de tempos passados. Mas será mesmo assim? A nossa vida será constituida por repetições do já vivido? Não temos direito a partir do nada e construir um todo novo?
A melancolia que hoje me assalta faz-me pensar nisto.

segunda-feira, agosto 18, 2003

Work, work, work

Ainda tenho mais uma semana pela frente antes de seguir para férias.
O fim de semana foi muito bonito, o norte tem muito encanto e a ilha de La Toja merece a visita com uma atenção mais cuidada.
Bom, por agora tenho de continuar com o trabalho, só não podia deixar de enviar um post!

quinta-feira, agosto 14, 2003

E´ Hoje

A partir de amanhã e até ao final do mês é provável que não aja mais posts por aqui. Da minha parte claro. Levo o meu caderninho para o que der e vier. Normalmente dá para fazer peso. Mas pode ser que uma súbita visão, tão bela como a que vi ontem, me abra o apetite.... de escrever.

Preferencias

Quase toda a gente elege os seus sítios de preferência sejam eles o café, o talho, ou a padaria. Cada um terá as suas razões, por certo, todas essas opções serão muito plausíveis. Mas pouco terão, como eu, uma caixa multibanco de preferência. Pois bem, eu tenho uma desde ontem. Ideias que a mente masculina tece.

quarta-feira, agosto 13, 2003

Snif, hum, ha!

Existem músicas com cheiro, não acham?

Viva o ocio

Este era um dos meus lemas de vida favoritos (enquanto teenager encadernava os livros com fotos e esta frase) o que dava um gozo especial aos machos da turma, faziam sempre o trocadilho - Viva ó cio Brisa?- claro que eu nem me dignava a responder. O meu olhar condescendente dizia tudo, é preciso ter um grande conhecimento de causa para retirar o verdadeiro sentido à frase. E eu tinha-o. Adoro ficar sem nada fazer, só a olhar para nada.
O que pode ser melhor do que expremer um modo de vida a uma frase?

Preguiça

Dou uma volta por vários blogs e vejo que está tudo a espraiar. É por esta altura do ano que verificamos que somos criaturas de hábitos idênticos. Nesta altura o país repousa lânguido à beira mar. Eu só mais tarde, é a velha mania de ser do contra. Por enquanto ainda vou postando algumas coisas (na próxima semana devem aumentar em quantidade, dada a maior disponibilidade temporal), mas na última semana de Agosto sou eu que me ausento por alguns tempos. Vou tentar ir até um cibercafé para ir relatando algumas das fiestas que conto visitar.
Desde já desejo boas férias a todos que partem por estes dias!

E agora?

Qual será a melhor forma de lidar com a situação? Devo esperar a que te decidas partir, ou tenho de tomar uma actitude? Ainda não sei o que se passa. Nunca sei como reagir nestas situações, penso sempre que poderia fazer melhor, que deveria ter tomado outra actitude.
Agora sinto-me completamente baralhada no mar de possibilidades. Confio sempre no meu instinto, a isto chamo ter actitudes próximas do nosso estado mais primário, mais básicas.
Mas em determinadas alturas questiono-me. Esta é uma delas.

(e/ou) parte 17

três dias a evitar bater com a cabeça nas paredes por uma raiva crescente. entre letras injustas não te escrevo. talvez o fizesse, caneta cor de ira a debitar texto aonde havia branco, olhar de sangue e sempre injusta a palavra a fazer feridas como se quisesse rasgar o céu da boca. um frémito quase vómito de desejos contidos com laivos de maldade nas palavras pululantes de uma mente pouco calma, resguardo as palavras... as que não te escrevo. o silêncio fere mais, ainda mais quando o junto de indiferença. e eu gosto, amo essa indiferença que percorre veias grossas recebendo pontapés de um coração que, de forte, só tem a sua impenetrabilidade. mas não volto a dizer isso do teu, nem isso, só o silêncio e uma maldadezinha que é não contar segredos. nem por vingança. é só mesmo por indiferença, desprezo, pela tua injustiça ou o que queiras dizer porque já não te ouço.

Contagem Decrescente

Já só faltam dois dias. Será que trasnparece uma certa ansiedade e uma pitada de regojizo?

JUBILO PULMONAR

Morreu a Santa da Ladeira. Apesar dos incêndios...já se respira melhor.

terça-feira, agosto 12, 2003

Una y otra vez

Tendo como exemplo a noite de ontem, só me apetece lembrar :

"Que bonito ès el amor bajo la luna en una noche de verano!"

Apenas por

Procurar o que nunca se encontra,
Vasculhar no liso de tudo,
Sulcar caminhos vistos,
Seguir.

Descobrirmo-nos nos outros,
Verem-nos como eles,
Fantasmas de nós.
Ficar.

Sinto a pele envolta numa suave película que levanta os pelos dos braços.
O arrepio do ar condicionado potencia esta sensação.
O cansaço está impresso nos meus olhos, e custa mantê-los abertos.
Malditas noites de calor.
Espero por melhores noites.
Dias sem fim.

(e/ou) parte 18

apenas uma carícia desperdiçada. na mão um leve tremor, e no bolso, uma sensação de abandono em forma de carta. tinha a palavra fim dentro e soube logo isso. pela textura rugosa do envelope e do sangue que fez nos dedos, bem nas pontas onde se inicia a carícia. fim brusco e violência estranha. pensou. e que, afinal, a terapia do engano funciona. que se vive melhor debaixo do tecto da mentira do que sob a expressão súbita e dolorosa de um fim telegráfico. porquês e razões ficaram guardados para uma outra escala do tempo e quando as receber vai achar falsos, porque julga agora ter sido sempre assim. e se estiver enganado? ou se já não quiser saber?

Contagem decrescente

Faltam apenas 3 dias.

segunda-feira, agosto 11, 2003

Horizonte

Horizonte, de uma viagem esquecida. Recortes por entre as montanhas onde são abruptos os pontos de ruptura. Peço-te, vem. Talvez ignorando o meu nome, o meu rosto. Vem irada, confusa, se estiveres perdida, vem. E esquece. O teu passado, a tua ira e encontra-me. Corresponde, ao olhar com um beijo, à palavra com a mão dada e amor. Acima de tudo, o meu poema junto à cabeceira como uma carícia. Se eu partir, o mesmo que dizer a querer regressar. Perdi-te no tempo das procuras, incapaz de controlar ânsias e peço-te, regressa. Com outro nome, com outro rosto. Mochila às costas, carrega pouca coisa, traz poucas recordações, não te esqueças do humor, traz o poema que ignoravas ser meu, e encontra-me. Não no fim do tempo, mas no princípio de uma qualquer viagem. (1995)

And now I'm back

Pois é, ainda agora de volta e já estou farta... Ainda me sinto presa ao fim de semana.
Porque é que os momentos mágicos não podem ficar cristalizados e durar para sempre?

domingo, agosto 10, 2003

Tempo

Tenho tempo, mas pouco tempo para o perder. Sobretudo tenho muita pouca vontade...
... até de escrever, poetizar com palavras as rudes atitudes dos outros.

Cesariny

Há pessoas que dizem coisas mesmo belas, mas depois, quando olhamos dentro para essas frases, dá-nos um arrepio, até dá medo...
Ama como a estrada começa*
Será isto outra prova do infinito? ou da infinita estupidez da utopia?

*Mário Cesariny, parabéns pelos 80 anos

sexta-feira, agosto 08, 2003

Bon

Je m'en vais! Desejo um bom fim de semana para todos, a ver se as coisas correm bem.
Espero que aproveitem bem!

Mariposas en la tripa

É bom sentir as coceguinhas no estômago quando temos aquele nervosinho de expectativa!
Não querendo parecer derrotista, mas quando fico assim algo corre mesmo muito mal...
Já outros têm melhores experiências.
E para um amigo que vai hoje ser entrevistado na NTV, tem calma que o nervosinho passa!

Desisto

Não acho normal que não possa fazer um plano e segui-lo consequentemente. Na minha vida há sempre o elemento contraditório que estraga tudo. Vaya suerte...

Baldes de baldas

Dantes erámos um pais de baldas, agora somos um pais a baldes...

Hummm!

Despertar e sentir que um dia novo começa sem vestigios de passado é a melhor forma de olhar a vida. Dá-nos a possibilidade de inventarmos todo um rol de acontecimentos que gostariamos ter visto acontecer. Sem as culpas, sem as tristezas do já vivido.

A justiça, ou talvez nao

CHIUU! BUM! BUM! SILÊNCIO.
E por muito que ao réu o acusem, ele irá sempre jurar a sua inocência.
CHIUU! BUM! BUM! SILÊNCIO.
Grita e bate o juiz com o seu martelo em punho... foice a democracia!.... Como um fálico objecto impondo a sua sexualidade machista, tenta acabrunhar o próprio réu que prossegue em achar-se inocente.... E ora são os juizes de acusação, com o seu ar severo, fingindo serem piores que as cobras, mais moralistas que o pápa, gritando:
C U L P A D O...
Ou ora são os advogados de defesa, mais humanitários que toda a humanidade junta, mais curadores que um remédio milagroso, argumentando:
I N O C E N T E...
E o réu ri-se, com muito dinheiro no bolso para pagar a caução.

Medo de Morte

Ouve! Aquele leve murmúrio, está longe não esta? É a Morte. Ela espera por ti, sorrateiramente espera que vires a próxima esquina para te encurralar num beco negro, sem luz e solitário. Ouves? Lá longe ela caminha, de soslaio pousa o seu olhar em ti, aproxima-se, quer agarrar-te. Faz um barulho louco, põe-te doido. Não foges? Estás aterrado de medo, uma força tão grande te prende que nem um pé consegues mover, sentes o sangue enrijecer até te congelar os movimentos e o teu cérebro já não é quem comanda, só o medo te dirige. Que se passa contigo? Estás com medo? Da Morte?!! Não tenhas medo. Quando ela poisar a mão em ti será como um raio que te fulminará: a morte é aquela breve fracção de segundo em que és para deixares de ser. Tens medo da Morte? Devias ter medo da vida. Tens medo da Morte mas não te demoves do teu erro: o erro de viveres pelo mundo sem viveres, sem gozares o momento em que respiras, sentes e vives. Tens medo da morte mas esqueces-te de viver.
(1989)

We all go down

- 'Up or down?'
We all go down
down that road
above a river
which runs ideas
murky ideas
of how to go up
- 'Up or down?'
asks the Devil with his horns
all the walls are boiling
and fire burns in red
smoke makes a storm
and the thunders scream 'n' shout
- 'We all go down'
Said the sinner to the sinners
and floor goes melting
and safe roads are ideas
burning in light red
- 'Are you all sure?'
plays the Demon to the sinners
all sinners
are as evil as the Devil, so
- 'We all go down'
(1989)

Curiosidade

Que nome se dá aquela pequena parte de plástico que fica na ponta dos atacadores?

quinta-feira, agosto 07, 2003

Prostrada

Muitas vezes me vejo parada, imóvel, estática, congelada numa centésima de segundo. Quando fico assim abstraida não reparo em nada em redor, são segundos ganhos num mundo diferente, são espaços em mim. Para num espasmo frio descer logo à realidade e seguir em frente.

Rosto de Carvao

Gestual... ou apenas um circulo? Uma união cabal como prova ou apenas um dedo giratório? E uma porta muito pesada que de mim nada deixa passar. Dou um beijo baço de névoa na minha sauna ardente. Como eu provo ser em ti um bocado de solidão. Podes. Renega-me. Se assim te der vontade, afasta-me para tão longe de ti. Engano-me... não és tu que não me queres, sou eu que não penso em ti. É tão obliqua esta verdade que de um ponto tão baixo a uma distancia tão longa tudo se evapora numa única linha: a linha do meu espelho. Olho-me, tão passiva, tão ingrata, tão sem nexo... e tenho medo; dos meus olhos; do meu cabelo; da minha cor branca de quase cadáver; dos meus lábios que pinto de um vermelho infernal que dizem tanta cruel realidade, que beijam pior por piedade, que quando sem cor têm som afinal. E neste espelho de imagens invasoras, evasivas, senhoriais, evapora-se um pouco de álcool, um pouco de éter, de sacrifício, de trauma, de redundância abalada. Falo por mim que sou parva, que sou um farrapo podre, uma escatologia coberta de sensualidade. Que posso fazer quanto ao meu desígnio? Destilar-me em água benta? Sucumbir perante ele? Ajoelhar-me como se fosse um santo... ele?!... e eu?... Serei assim tão rosa, tão carmim? Tão flor como quero pensar que sim? Ou serei diabo arrogante, enorme e selvagem senhor errante? Ou apenas um naco carnudo de tentação? Só consigo olhar-me no espelho e ver a minha pele lívida: morta. E ver os meus lábios secos: mortos. E ver os meus olhos venenosos: mortos. Não posso mais olhar-me, ver-me como não quero: morta. Ou sonhar e apenas sofrer; por sonhar e por sofrer, em sonhos, em sofrimentos que me delapidam constantemente. Não! Foge para longe. Falo para ti triste imagem, falo para ti triste miragem, falo para ti porque triste. Quando mais me apetece calar e quanto mais me apetece calar, é quando mais me acresce falar. Já não é suportável mais o meu rosto enegrecido pelas tuas mãos cobertas de negro carvão, desnudas de nojo e perdão. Já me é insuportável, um ou dois ou até três dedos, quatro ou cinco ou até uma mão. Cinco mais cinco ou até duas mãos cravadas em meu marmóreo rosto, tão negro, tão ameaçado pelo teu amor, tão belo, tão estragado pela tua dor. É ainda e só esta cor do teu carvão que nos une; ligação tão ténue mas tão irresistível como sonhar i uma lembrança uma nesga doce de um passado. Mas não consinto que te toque, que me toques ou que me abraces e que me beijes ou que me toques nos lábios e que eu sinta um prazer tão grande que logo fujo por medo por... por não saber que medo é esse, por não saber que é esse o medo; o medo de ter medo, o medo de ter prazer ou, e bem possível, o prazer de ter medo e continuar a ter medo do prazer. Já não suporto mais esta confusão, este desenho que em minha mão detenho feito por ti que desfaz-me a mim. E foi com as mãos sujas de grafite, de pó negro e feio que me agarraste a cara com uma raiva que eu julguei ser impossível e me apertaste... sentindo, sofrendo, suando... sem ser só sofrer ou só sentir ou só suar; ainda que um pouco de choro, ainda que um pouco de homem, ainda que um pouco meigo, pintaste também as tuas mãos só que no meu rosto tenho carvão, e num rosto é tão mau, tão mau, como mau, como má só eu sei ser, embora dependa tanto de todos, até de ti....... porque te ofendo?..... é sobretudo de ti, sobre todas as outras coisas, as outras insignificantes coisas, é ofensa minha negar-te, negar a minha admiração por ti, negar a tua superioridade sobre mim, negar tudo até negar-me a mim! Cada vez mais é impossível este meu rosto de carvão, tão feio, tão bruto, tão cru, tão rude, tão parvo, tão carvão. É a tua admiração que impede a minha adoração. E quando um de nós dois morrer vai ser um de nós dois que vai sofrer; sofrer por nós dois nunca sermos um. Eu sei, isso, eu sei, a fuga; tu perguntas, também tu imcompreendes a fuga. Porque fujo? Porque fogem os animais assustados? As bestas, os selvagens, os sanguinários e os rebeldes? Os desvairados e os sem-casa, os que não respeitam tudo e os que sabem tão pouco de nada? É tanto calor tanta sauna, tanta névoa, tanta nuvem, tanta dúvida, tanta pergunta, tanto calor, tanta nuvem... que não vejo nem compreendo o meu espelho, o meu rosto que já se apaga a visão que eu nunca também quis ver. E é já só branco, é tanto branco, tanto nada é apenas um rosto que alguém pensa ser eu como eu como assim por assim, como coragem desvairada, como dragão a vomitar fogo.
É já só raiva, é já só falta de coragem, é já só e nada, que quase já não sobra nem um pouco
um pouco de tempo para a tua indiferença. (1990)

Its always the same

Ontem em poucos minutos foi decidido que ia jantar à Costa Nova. Saída atribulada do Porto e chegamos ao som electro do momento. Adoro sair assim inconsequente, encontramos momentos memoraveis em decisões percipitadas. A noite em Aveiro estava mais fresca do que aqui, por isso aquando da chegada ao Porto deu para fazer umas pequenas caminhadas na abafada calma da cidade deserta. Gosto de conversas que seguem em caminho pausado de irreverência, palavras ditas com sentimento, agarradas à pele. São noites assim que me fazem acreditar que a nossa existência não tem de seguir paulatimanente um padrão. To you merci.

quarta-feira, agosto 06, 2003

Musica

Existem músicas que têm um cordel ligado à nossa alma, passe o tempo que passar, quando as ouvimos de novo, é repuxada uma qualquer memória.

Outra vez?

O calor abrasador está de volta, custa tanto andar na rua, sinto-me esplanar de tanto calor.
Adoro o sol e o verão, mas destesto as amplitudes térmicas locais, as diferenças abismais do dia para a noite deixa-me mal, se houvesse constância na temperatura eu até me habituava rápidamente ao entorno. Mas não, desaparece o sol do seu zénite e já o termómetro despenca. É lógico que, dentro de poucos dias, já esteja com uma constipação...

Talk, talk

Há conversas que se arrastam como se fossem intermináveis, e não duram mais do que alguns minutos, e outras tão interessantes que gostariamos de ver infindáveis e intemporais.

Vicios privados

É lamentavel o estado que ficamos depois de comer demasiados rebuçados de amendoim. O pior é que só se pára quando acabamos com eles...

terça-feira, agosto 05, 2003

Rilke ja ia as discotecas?

Começou como banquete. E transformou-se em festa, mal se sabe como. As luzes altas tremiam, as vozes esvoaçavam, tiniam canções confusas dos cristais reluzentes, e por fim, dos ritmos já maduros: brotou a dança. E ela a todos arrebatou. Havia nas salas um marulhar de ondas, encontros e escolhas, despedidas e novos encontros, ebriedade de brilho e cegueira de luzes e um baloiçar-se nos ventos de verão que havia nas vestes de mulheres ardentes.
De vinho escuro e milhares de rosas sussura o tempo e corre para o sonho da noite.
(1899)
Rainer Maria Rilke in "A balada do amor e da morte do alféres Cristovão Rilke"

Ténue

Começar é sempre difícil, nunca sabemos como. Agora passado este tempo todo, olho para trás e vejo que nunca tinha começado, só continuava. Esperava-te e continuava à espera, mas nunca tinha começado a esperar-te. Hoje sento-me ao sol, cerro os olhos e vejo dentro de mim tudo de ti. As imagens são definidas, o teu contorno, o teu sorriso, a maneira como inclinavas a cabeça quando me olhavas, a sensação de calma que começava a alastrar quando me falavas, o teu cheiro. Lembro bem o teu cheiro, quando te sussurrava o mundo ao ouvido e tu encolhias os ombros num arrepio de contentamento. Mas a melhor recordação é sem dúvida a tua nuca, definida, lisa, perfeitamente quente e dourada. Era capaz de me perder na tua nuca, de ficar suspensa sem respirar para não te mexeres. Ficava horas a observar-te a nuca, se pudesse ficava assim o resto da vida, a ver a tua vida sem tu reparares, a avançar sobre ti como um manto de mim. Escaparia de bom grado num sopro leve e morno para a tua nuca, contando com o teu sorriso de resposta. Mas o bizarro é que não me lembro de ti, se te vir outra vez, passo como se de mais um estranho se tratasse. Mas se olhasse a tua nuca, então sim, saberia que és tu.

Passado

- Tens o Diabo no corpo!
- Não, tenho Demónios no coração...

(post de pós- auscultação de um tema musical de Pedro Abrunhosa)

Voltar

Ser sempre tudo de nada,
aguardar o vazio que não chega,
relâmpagos fumegantes
de sentimentos perdidos.

Buscas inúteis do encontrado,
olhar no escuro o silêncio de ti,
sentir o calor da tua ausência,
tocar o suave cabelo de mel.

Abraçar os beijos contrários,
ver o sorriso dos teus olhos,
ouvir a gargalhada da tua alma,
tocar a tua voz límpida e séria.

Fugir do esfalto que cresce,
saltar o caminho lá longe,
encontrar-te no meu mar.
Espero.

O MAR: dentro e ao redor

Mergulhei fundo, sempre dentro até onde fosse preciso. Fazia bolhas ao meu redor, talvez lembranças de um corpo em suor ou de um amor antigo a afogar-se na água que me dava sede. E eu bebia, com a língua sempre suja de uma saliva que não a minha. Mergulhei fundo, sempre dentro, talvez demasiado dentro até feridas fazer de embater nos corais laranja da cor de cabelos teus. Ousava mágoas não queridas, ter tudo e nada ter. Mergulho sempre de mãos vazias por assim vazias acabarem no desfecho do destino, sem expectativas para não iludir, só querer para não querer demais. E descobrir praias e ilhas locais desertos ou só contigo, mar fundo mar a dentro, sem ser preciso ter-te. Só querer-te e tu quereres o mesmo. Só compartilhar. Não o mar todo, talvez só um aquário. Nada mais. Se eu te bastar, tu me bastares e o amor... O amor, um abraço comum e afogamo-nos. Deixarmo-nos cair e abraçados, inertes como uma âncora que não é um querer ficar. Antes partir e ir mais longe, mais fundo no mar onde há peixes e criaturas nunca vistas. E há tantas bolinhas brancas dentro de mim como espuma que espera respirar, mas eu mergulho sempre fundo, sempre para o fundo, sempre depressa com a espuma a colar-se a mim como a saliva dos teus beijos, contigo sempre a fugires nadando sempre mais rápida e ondulante como sereia de água doce. Não queres ser real, és obra da ilusão que crias. Vou sempre mar dentro, não tenho medo. Não quero tudo, só um aquário. Querer pouco é sempre querer demais, e depois talvez perder. Um peixe passa por mim, tenho pequenas bolhinhas brancas a saírem do meu nariz, tenho falta de ar engraçado não se poder respirar debaixo de água. Estou tonto, isto de nos afogarmo-nos tem que se lhe diga. (1996)

Futurologia

Após uma manhã despertada com o bater na porta, só posso augurar um desfecho trágico para o dia de hoje. A isto se chama ter um conhecimento extremo de nós próprios. O mau feitio é algo inato em mim.

segunda-feira, agosto 04, 2003

Dança da Chuva

Quando somos impotentes para ajudar, fazemos o que podemos. Hoje dediquei-me a uma dança da chuva enquanto ia fazendo o jantar. Os culpados foram uma banda chamada Kaskade que fazem uma música que se enquadra naquilo a que alguns chamam de Happy House. E lá fui eu dançando, a música chama-se "Gonna Make It". É um bom prenúncio. E dançarei até que os pés me doam.

MANHOSAS MANOBRAS

Aconteceu no âmbito de um grupo de reflexão que, entre febras e costelinhas, se reuniu em Cerveira, este fim-de-semana, para discutir alguns temas candentes da actualidade. Encerrado que estava um workshop - com componente prática- sobre a flatulência no Alto Minho, a certa altura veio à baila o nome da "Sdona" Joana Lemos (JL)- de resto, não será de desprezar a hipótese de uma relação causa efeito entre os dois momentos. Nunca os presentes tinham conversado sobre o personagem, mas deu-se a curiosa circunstância de todos concordarem na análise: JL é uma nulidade oportunista, uma "Cinha-esperta" que vive à custa da nacional-basbaquice.
Analisemos. JL dedica parte significativa do seu tempo a ir a sítios onde há-de estar um fotógrafo de uma revista cor-de-rosa. Dir-se-á que há mais quem viva em função dessa prioridade. Acontece que enquanto que as Bibas Pitas são, sem outras pretensões, profissionais do "boneco"(nem vale a pena falar da Papisa Caneças), JL dá-se à presunção de nos querer convencer que tem ofício, que trabalha e que é competente no que faz.
Princípio da saga: JL foi uma vez dar mau aspecto ao Rally Paris-Dakar. Andou por lá a castigar um jipe durante um dia ou dois e depois desistiu. Mas isso que importa? A star was born! JL transformou-se numa celebridade! Dai em diante- e já lá vão uns anitos- JL soube capitalizar essa façanha e do fracasso fez glória. Continua a maltratar caixas de velocidades e a esfarrapar pneus, não ganha nada que se veja, mas mantém incólume o estatuto de piloto de alta competição. JL conseguiu pôr a lógica das coisas de pernas para o ar: não lhe tiram fotografias por ser bom piloto, é piloto porque lhe tiram muitas fotografias. E como é muito fotogénica a conduzir flutes de champanhe e a fazer gincanas entre travessas de canapés, JL é um bom investimento para os patrocinadores que lhe sustentam a fantochada. De vez em quando JL lá faz o sacrifício de subir ao alto de uma duna, equipada a rigôr, capacete debaixo do braço e carregada de patrocínios. E ...o jipe? Ora o jipe! Ficou numa garagem de Chelas a afinar as velas. Como se JL precisasse de levar o carro para ganhar a "sua" corrida!
E nós, basbaques, a vê-la passar. Vou ali mudar o óleo e já venho.

Summer

É bonito, quando penso nesta estação e num filme, lembro sempre o "Punch Drunk Love".
As cores ficaram gravadas na retina e os sons na alma.

Blogando

Vêm-se muito por aí variadissimos comentários ao facto de se fazer um blog e de se escrever. Não critico opiniões nem vou dissertar sobre verdades absolutas, nesta perspectiva não as tenho.
Mas não posso deixar de aqui opinar pelo simples facto que também eu escrevo num blog.
A sensação que fico das opiniões contrárias ao facto de se escrever num blog é que a qualidade bloguistica nacional deixa muito a desejar. Ora como podem ter esta opinão, se a própria condição de Blog implica a liberdade inerente a um serviço de rede livre (e logo aberta a um leque varidado em quantidade e qualidades relativas)? A explicação mais plausível que encontro para tal afirmação tem como base a pobreza de espirito e a mentalidade tacanha da maioria intelectual nacional. Como país pequeno que somos tendemos a um compadrio -que até acho compreensivel- mas que é invariavelmente escondido. Não aceitamos de bom grado o facto de tendencionalmente termos actitudes que poderão agradar a quem nos está mais próximo. Pensamos sempre que ao ajudarmos quem gostamos ou quem nos faz um favor, estamos embuídos de um espirito altruista e de bom samaritano. Não lidamos bem com o facto que se trata, verdade crua e nua, de tráfico de influência. Por isso quando leio nos jornais os nosso ilustres comentadores ameaçados por uma forma inconsequente de lidar com as noticias, como vem acontecendo agora com os blogs, estes personagens esquecem o essencial UM BLOG É UM DIÁRIO LIVRE QUE É DIRIGIDO COMO OS SEUS EDITORES BEM ENTENDEM. QUEM NÃO QUISER, NÃO LÊ.

Por?

Votamos ao esquecimento muito do que já vivemos e estamos sempre a ter saudades do que não sabemos

Back in business

Pois é estamos de volta, depois de um fim-de-semana atribulado, agora vive-se o tempo de calmia. Há que recuperar a saúde, pois não há estômago nem vesícula que aguente a sucessão de barbaridades cometidas. Nem corpinho que que se mexa com tão poucas horas de sono diárias...

sexta-feira, agosto 01, 2003

Restless

I find in higher inner
the reason for you
I surch deep to check
the throb heart
you give me.

Um Blog do Norte

O Blog vai ainda mais para Norte este fim de semana, toda a gente sabe que o Porto muda-se para Caminha em Agosto. Nós também não, mas estaremos lá perto. Voltamos para contar como foi. Talvez Domingo, quem sabe Segunda. Vou levar o meu caderninho, nunca se sabe. Fiquem bem.

Defeso II

A Espada continua a contratar reforços para a sua equipa, depois do EramosUmGajo, seguiu-se o NovoAutor (a quem ainda não tinhamos feito a apresentação, mas o seu primeiro post diz tudo). Ficam ainda alguns outros convites que se encontram suspensos (será que estão em férias?). Eu e a Brisa continuaremos a fazer as honras da casa mantendo o ritmo de actualização da Espada. Claro que Agosto é Agosto e poderemos estar intermitentes entre o verde de alguns olhos e o vermelhão de um ou outro escaldão solarengo. Ou, talvez pior, aquele amarelo perigoso das cervejolas!

O retrato

Era a rapariga mais feia da minha turma. Era o que todos diziam. E era mesmo. Só eu gostava dela.

Seguia-a rio abaixo nos finais de tarde quando fazia sol. Ela abria o seu caderno de folhas A3, procurava a primeira que estivesse em branco, com a mão esquerda segurava em três lápis e no bloco de folhas, e eu ficava a vê-la a desenhar no sossego da sua solidão. Gostava de vê-la a desenhar e a imaginar o que desenhava. Ficava sempre a mais de dez metros de distância dela, ninguém me podia ver. Muito menos a espiar a rapariga mais feia da minha turma.

Era a que desenhava melhor e mais rápido. Era o que todos diziam. Até mesmo os professores. Era isso que eu gostava nela.

Às vezes, via-a a olhar para mim. Mas bem que podia ser eu a olhar para ela. Eu dizia que era ela, sempre. Eu não podia estar a olhar para a rapariga mais feia da turma. Estava apaixonada por mim e eu estava a fazer-me de difícil. Era o que eu contava a todos. E era nisso que as pessoas acreditavam.

Era ela que estava apaixonada por mim, e muito. Era o que todos diziam. Mas não sei se era mesmo assim. Só eu sabia que não era. Eu que tinha começado essa fantasia.

Um dia fiz-me decidido a ir espreitar os desenhos que ela nunca mostrava a ninguém. A minha ânsia descontrolada obrigava-me a isso. Estava junto ao rio, dez metros atrás dela. Comecei a correr tão depressa como nunca outra vez hei de correr e arranquei-lhe o bloco das mãos. Ela ficou assustada mas não correu atrás de mim. Era gorda. Eu olhei o desenho e foi então que vi que no desenho era outro que eu conhecia, mas não eu.

Inconsequente

Se há caracteristica que sobressai no povo português é a inconsequência a que votamos todas as decisões e actitudes. E isto deixa-me triste. Voltarei mais tarde a este tema.

Hot on the city

Preparamos mais um dia de calor na cidade, as estradas desertas quase parecem um cenário de western . Tudo parece deambular nas ruas, até as pessoas andam num passo lunar. Os meus cães quase não se mexem, ficam na sombra à espera do fresco do entardecer.
Gosto destes dias assim, em que tudo parece visto de uma perspectiva telescópica.

Silêncio

Vácuo pleno de sentimento,
entradas para fora dos sentidos,
procuras incessantes de tempo.

Estrada com saída no precipício,
caminhos que levam a tudo,
sempre sem retorno.

Seguir a algazarra sem ruído,
gestos lânguidos de passagem,
retratos parados.