O preto da Casa Africana era um dos ícones da Baixa do Porto. Mas já não é. Durante décadas ele provocou um sorriso de vista a quem descia a rua Passos Manuel. Quase a chegar à Praça D. João I, bastava olhar para cima, lá para o topo das traseiras do prédio que alberga a loja com o mesmo nome (Casa Africana) e lá estava ele: um pretinho retinto, com farda azul a rigôr, carregado de sacos do estabelecimento. Agora olha-se...e nada. Pintaram o prédio, e pintaram o preto. Em bom português apetece-me sugerir ao "artista" que tomou a decisão que, de prémio, bem podia borrar a cara em merda (deve haver no catálogo Robialac).
O caianço do preto irritou-me solenemente! Um labrego qualquer, provavelmente com a vivenda recheada de "Últimas Ceias" e naturezas mortas compradas na Sampaio Bruno, achou que o preto da Casa Africana destoava na paredinha pintada de fresco. O burgesso deu por isso ordem de trincha e apagou para sempre uma imagem que era um pedaço da história da Baixa.Anos a fio o Preto da Casa Africana resistiu a tudo, da chuva à censura estético-ideológica do PREC (imagino a azia que aquela visão "neocolonialista" não provocava à malta amiga do Vasco Gonçalves e do Rosa Coutinho), para agora sucumbir a três mãos de branco sujo (a côr não podia ser mais a propósito).
Enfim, sobra o dito muito tripeiro que nasceu a propósito da figura. Aquele que se usa quando nos cruzamos com alguém carregado de sacos: "pareces o (falecido) preto da Casa Africana".
Cambada de estúpidos suburbanos com "Zara" escrito na testa!
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